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Esquistossomose Mansônica

Última revisão: 30/01/2011

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Reproduzido de:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS – GUIA DE BOLSO – 8ª edição revista [Link Livre para o Documento Original]

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

8ª edição revista

BRASÍLIA / DF – 2010

 

Esquistossomose Mansônica

 

CID 10: B65

 

ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição

A Esquistossomose Mansônica é uma doença parasitária, causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni, cuja sintomatologia clínica depende de seu estagio de evolução no homem. A fase aguda pode ser assintomática ou apresentar-se como dermatite cercariana, caracterizada por micropápulas eritematosas e pruriginosas, até cinco dias após a infecção. Com cerca de 3 a 7 semanas após a exposição, pode ocorrer a febre de Katayama, caracterizada por linfadenopatia, febre, anorexia, dor abdominal e cefaleia. Esses sintomas podem ser acompanhados de diarreia, náuseas, vômitos ou tosse seca, ocorrendo hepatomegalia. após seis meses de infecção, há risco do quadro clínico evoluir para a fase crônica, cujas formas clínicas são:

 

     Hepatointestinal – Caracteriza-se pela presença de diarreias e epigastralgia. Ao exame físico, o paciente apresenta fígado palpável, com nodulações que, nas fases mais avançadas dessa forma clínica, correspondem a áreas de fibrose decorrentes de granulomatose periportal ou fibrose de Symmers.

     Hepática – A apresentação clínica dos pacientes pode ser assintomática ou com sintomas da forma hepatointestinal. Ao exame físico, o fígado é palpável e endurecido, a semelhança do que acontece na forma hepatoesplênica. Na ultrassonografia, verifica-se a presença de fibrose hepática, moderada ou intensa.

     Hepatoesplênica compensada – A característica fundamental desta forma é a presença de hipertensão portal, levando a esplenomegalia e ao aparecimento de varizes no esôfago. Os pacientes costumam apresentar sinais e sintomas gerais inespecíficos, como dores abdominais atípicas, alterações das funções intestinais e sensação de peso ou desconforto no hipocôndrio esquerdo, devido ao crescimento do baço. Às vezes, o primeiro sinal de descompensarão da doença é a hemorragia digestiva com a presença de hematêmese e/ou melena. O exame físico detecta hepatoesplenomegalia.

     Hepatoesplênica descompensada – Considerada uma das formas mais graves. Caracteriza-se por diminuição acentuada do estado funcional do fígado. Essa descompensação relaciona-se a ação de vários fatores, tais como os surtos de hemorragia digestiva e consequente isquemia hepática e fatores associados (hepatite viral, alcoolismo).

 

Agente Etiológico

Schistosoma mansoni, um helminto pertencente à classe dos Trematoda, família Schistosomatidae e gênero Schistosoma.

 

Reservatório

No ciclo da doença, estão envolvidos dois hospedeiros, um definitivo e o intermediário.

 

Hospedeiro Definitivo

O homem é o principal hospedeiro definitivo e nele o parasita apresenta a forma adulta, reproduzindo-se sexuadamente, possibilitando a eliminação dos ovos do S. mansoni, no ambiente, pelas fezes, ocasionando a contaminação das coleções hídricas.

Os primatas, marsupiais (gamba), ruminantes, roedores e lagomorfos (lebres e coelhos), são considerados hospedeiros permissivos ou reservatórios, porém, não está clara a participação desses animais na transmissão.

 

Hospedeiro Intermediário

No Brasil, são os caramujos do gênero Biomphalaria: B. glabrata, B. tenagophila, B. straminea.

 

Modo de Transmissão

Os ovos do S. mansoni são eliminados pelas fezes do hospedeiro infectado (homem). Na agua, eclodem, liberando uma larva ciliada denominada miracídio, que infecta o caramujo. após 4 a 6 semanas, a larva abandona o caramujo, na forma de cercária, ficando livre nas aguas naturais. O contato humano com aguas infectadas pelas cercárias é a maneira pela qual o individuo adquire a Esquistossomose.

 

Período de Incubação

Em media, 1 a 2 meses após a infecção.

 

Período de Transmissibilidade

O homem pode eliminar ovos viáveis de S. mansoni nas fezes a partir de 5 semanas após a infecção, e por um período de 6 a 10 anos, podendo chegar até mais de 20 anos. Os hospedeiros intermediários começam a eliminar cercárias após 4 a 7 semanas da infecção pelos miracídios Os caramujos infectados eliminam cercárias durante toda a sua vida que é de, aproximadamente, 1 ano.

 

Complicações

Fibrose hepática, hipertensão portal, insuficiência hepática severa, hemorragia digestiva, cor pulmonale, glomerulonefrite. Podem ocorrer associações com infecções bacterianas (salmonelas, estafilococos) e virais (hepatites B e C). Pode haver comprometimento do sistema nervoso central e de outros órgãos secundários ao depósito ectópico de ovos.

 

Diagnóstico

Além do quadro clínico-epidemiológico, deve ser realizado exame coprológico, preferencialmente com uso de técnicas quantitativas de sedimentação, destacando-se a técnica de Kato-Katz. A ultrassonografia hepática auxilia o diagnóstico da fibrose de Symmers e nos casos de hepatoesplenomegalia. A biopsia retal ou hepática, apesar de não recomendada na rotina, pode ser de ser útil em casos suspeitos e na presença de exame parasitológico de fezes negativo.

 

Diagnóstico Diferencial

A Dermatite cercariana pode ser confundida com doenças exantemáticas, como dermatite por larvas de helmintos, por produtos químicos lançados nas coleções hídricas ou, ainda, por cercárias de parasitas de aves. O diagnóstico diferencial da Esquistossomose aguda deve ser feito com outras doenças infecciosas agudas, tais como febre tifoide, malária, hepatites virais anictéricas A e B, estrongiloidíase, amebíase, mononucleose, tuberculose miliar e ancilostomíase aguda, brucelose e doença de Chagas aguda. A Esquistossomose crônica pode ser confundida com outras parasitoses intestinais, além de outras doenças do aparelho digestivo, que cursam com hepatoesplenomegalia: calazar, leucemia, linfomas, hepatoma, salmonelose prolongada, forma hiper-reativa da malária (esplenomegalia tropical) e cirrose.

 

Tratamento

Praziquantel, na apresentação de comprimidos de 600 mg é administrado por via oral, em dose única de 50 mg/kg de peso para adultos e 60 mg/kg de peso para crianças. Como segunda escolha, Oxamniquina, apresentada em capsulas com 250 mg e solução de 50 mg/ml, para uso pediátrico. Para adultos, recomenda-se 15 mg/kg e crianças, 20 mg/kg, via oral, em dose única, uma hora após uma refeição.

 

Contraindicações do Praziquantel e da Oxamniquina

De maneira geral, recomenda-se não adotar os medicamentos que compõem a terapêutica antiesquistossomótica, nas seguintes situações:

 

     Durante a gestação;

     Durante a fase de amamentação. Se a nutriz for medicada, ela só deve amamentar a criança 72 horas após a administração da medicação. O risco/beneficio do tratamento deve ser avaliado pelo medico;

     Crianças menores de 2 anos;

     Insuficiência hepática grave (fase descompensada da forma hepatoesplênica);

     Insuficiência renal ou outras situações graves de descompensação clínica, a critério médico.

 

Características Epidemiológicas

A Esquistossomose ocorre em 54 países, destacando-se África, leste do Mediterrâneo, América do Sul e Caribe. No Brasil, é considerada uma endemia, que atinge 18 estados e Distrito Federal. Os estados das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-oeste são os mais afetados. Atualmente, a doença é detectada em todas as regiões do país. As áreas endêmicas e focais abrangem 18 unidades federadas e o Distrito federal, atingindo os estados: Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espirito Santo e Minas Gerais (com predominância no norte e nordeste do estado). No Para, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas.

 

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos

Reduzir a ocorrência de formas graves e óbitos; reduzir a prevalência da infecção e reduzir o risco de expansão geográfica da doença.

 

Notificação

E doença de notificação compulsória em áreas não endêmicas, Entretanto, recomenda-se que todas as formas graves na área endêmica sejam notificadas. Também todos os casos diagnosticados na área endêmica com focos isolados (Para, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal e Rio Grande do Sul).

 

Definição de Caso

Suspeito

Individuo residente e/ou procedente de área endêmica com quadro clínico sugestivo das formas aguda, crônica ou assintomática, com historia de contato com as coleções de aguas onde existam caramujos eliminando cercárias. Todo caso suspeito deve ser submetido a exame parasitológico de fezes.

 

Confirmado

Qualquer caso suspeito que apresente ovos viáveis de S. mansoni nas fezes ou em tecido submetido à biopsia.

 

Descartado

Caso suspeito ou notificado sem confirmação laboratorial.

 

MEDIDAS DE CONTROLE

Controle dos Portadores

Identificação e tratamento dos portadores de S. mansoni, por meio de inquéritos coproscópicos a cada dois anos deve fazer parte da programação de trabalho das secretarias municipais de saúde das áreas endêmicas. É necessário o trabalho conjunto das equipes de Saúde da Família (ESF), com os agentes de combate de endemias que atuam no Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (PCE).

 

Controle dos Hospedeiros Intermediários

São de natureza complementar e consistem em pesquisa de coleções hídricas para determinação do seu potencial de transmissão, medidas de saneamento ambiental, para dificultar a proliferação e o desenvolvimento dos hospedeiros intermediários, bem como impedir que o homem infectado contamine as coleções de aguas com ovos de S. mansoni, quando indicado, tratamento químico de criadouros de importância epidemiológica.

 

Educação em Saúde

As ações de educação em saúde devem preceder e acompanhar todas as atividades de controle e serem baseadas em estudos do comportamento das populações em risco. Realizada pelos agentes de saúde e por profissionais das unidades básicas, é direcionada a população em geral, com atenção aos escolares residentes nas áreas endêmicas.

 

Saneamento Ambiental

No controle da Esquistossomose, o saneamento ambiental cria condições que reduzem a proliferação e a contaminação dos hospedeiros intermediários, com consequente diminuição do contato do homem com os agentes transmissores (caramujos infectados).

 

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