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Eletrocardiograma 2

Última revisão: 21/10/2008

Comentários de assinantes: 2

Quadro Clínico

            Mulher de 30 anos com dispnéia a médios esforços e palpitações.

 

Eletrocardiograma da paciente

 

Ver diagnóstico abaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Interpretação

1-     Frequência Cardíaca - 103 bpm e regular

2-     Morfologia da onda P: aumento da duração e profundidade da porção negativa da onda P em V1 > 0,04 s (índice de Morris), com amplitude de onda P em DII de 3 mm.

3-     Intervalo PR 0,17 s, ondas P precedendo cada complexo QRS

4-     Morfologia do QRS: eixo desviado para a direita (+93 graus), Padrão qR em V1; R ampla em V2-V3, duração de 93 ms

5-     Segmento ST sem alterações

6-     Alterações de repolarização ventricular (onda T) difusas

7-     Intervalo QTc de 453 ms

8-     Ritmo Sinusal

 

Diagnóstico

            Sobrecarga de Átrio direito (onda P mitralis, com amplitude maior que 2,5 mm), Sobrecarga de Átrio Esquerdo (índice de Morris > 0,04s ). O paciente também apresenta sobrecarga de Ventrículo direito (desvio do eixo para direita e para frente, alterações de morfologia do QRS, sobrecarga de átrio direito).

 

Comentários

            As melhores derivações do Eletrocardiograma para se avaliar os átrios são DII e V1. Em DII deve-se observar sua duração (>0,12s sugere sobrecarga átrio esquerdo), sua amplitude (>2,5 mm sugere sobrecarga de átrio direito) e morfologia (bimodal – entalhada e bífida). Em V1 avaliar o componente inicial positivo (aumentado em sobrecarga direita) e final negativo (se duração > 0,04s e amplitude > 1mm à sobrecarga esquerda).

            A etiologia mais comum da estenose mitral é a febre reumática, doença endêmica no Brasil e em populações de baixa renda. As alterações fisiopatológicas vistas na estenose mitral se caracterizam por: espessamento, fusão comissural e encurtamento das cordoalhas do aparelho valvar. Tais alterações promovem uma diminuição da mobilidade dos folhetos da valva mitral, o que retarda enchimento do ventrículo esquerdo, com subseqüente aumento retrógrado das pressões em átrio esquerdo, veias pulmonares e câmaras direitas.

 

         Sinais e sintomas: dispnéia (além de tosse e sibilos) precipitada por esforço físico e decúbito baixo; hemoptise; fibrilação atrial (dilatação do átrio esquerdo, fibrose da parede atrial, desorganização dos feixes musculares atriais); dor precordial; tromboembolismo cerebral (ocorre em até metade dos casos); rouquidão (compressão do nervo laríngeo recorrente); insuficiência cardíaca direita (falência de VD – ocorrência tardia).

 

         Exame Físico: B1- hiperfonética (válvulas flexíveis), hipofonética (válvulas rígidas); B2- hiperfonética no foco pulmonar; desdobramento de P2; estalido de abertura; sopro diastólico de baixa freqüência (ruflar).

 

         ECG: sobrecarga de átrio esquerdo; sobrecarga de VD em fase tardia.

 

         Rx de tórax: Aumento do átrio esquerdo, aumento da artéria pulmonar, calcificação do anel mitral, edema intersticial – linhas A e B de Kerley.

 

 

Comentários

Por: Atendimento MedicinaNET em 11/04/2012 às 16:04:14

"Prezada Juliana, A sua colocação é pertinente. Reanalisando o ECG e vendo os critérios de sobrecarga ventricular pela SBC (http://departamentos.cardiol.br/eletroc/publicacoes/pdf/diretriz-eletrocardiograma.pdf), temos o seguinte: "8.4. Sobrecarga ventricular esquerda (SVE) O ECG não é o padrão ouro para este item, podendo-se utilizar vários critérios para o diagnóstico. 8.4.1. Critérios de Romhilt-Estes Por este critério existe SVE quando se atingem 5 pontos ou mais no escore que se segue. a) Critérios de 3 pontos - aumento de amplitude do QRS (20 mm no plano frontal e 30 mm no plano horizontal); padrão strain na ausência de ação digitálica; e índice de Morris. b) Critérios de 2 pontos - desvio do eixo elétrico do QRS além de -30º c) Critérios de 1 ponto - aumento do tempo de ativação ventricular (TAV); aumento da duração do QRS em V5 e V6; e padrão strain sob ação do digital. 8.4.2. Índice de Sokolow Lyon É considerada positiva quando a soma da amplitude da onda S na derivação V1 com a amplitude da onda R da derivação V5/V6 for > 35 mm. Nos jovens este limite pode ser de 40 mm. 8.4.3. Índice de Cornell Quando a soma da amplitude da onda R na derivação aVL, com a amplitude onda S de V3 for > 28 mm em homens e 20 mm em mulheres. 8.4.4. Deflexão intrinsecóide ou tempo de ativação ventricular Aumento discreto na duração do complexo QRS à custa de maior tempo de aparecimento do ápice do R (maior que 0,04s) nas derivações que observam o VE. 8.4.5. Alterações de repolarização ventricular Onda T achatada nas derivações esquerdas (D1, aVL, V5 e V6) ou padrão tipo strain (infradesnivelamento do ST com onda T negativa e assimétrica). 8.5. Sobrecarga ventricular direita (SVD) 8.5.1. Eixo elétrico de QRS Eixo elétrico de QRS no plano frontal, localizado à direita de +110º no adulto. 8.5.2. Presença de onda R Presença de onda R de alta voltagem em V1 e V2 e S profundas nas derivações opostas (V5 e V6). 8.5.3. Morfologia qR ou qRs em V1 A morfologia qR ou qRs em V1, ou V1 e V2, é um dos sinais mais específicos de SVD e traduz maior gravidade. 8.5.4. Padrão trifásico Padrão trifásico (rsR’), com onda R‘ proeminente nas precordiais direitas V1 e V2. 8.5.5. Ondas T Ondas T positivas em V1 após os 3 dias de vida e até os 6 anos, quando a relação R/S nessa derivação é maior que 1. 8.5.6. Padrão strain Padrão strain de repolarização nas precordiais direitas. 8.6. Sobrecarga biventricular a) Eixo elétrico de QRS no plano frontal desviado para a direita, associado a critérios de voltagem para SVE; b) ECG típico de SVD, associado a um ou mais dos seguintes elementos: b.1) Ondas Q profundas em V5 e V6 e nas derivações inferiores; b.2) R de voltagem aumentada em V5 e V6; b.3) S de V1 + R de V5 e V6 com critério positivo de Sokolow; b.4) Deflexão intrinsecóide em V6 igual ou maior que 0,04s; c) Complexos QRS isodifásicos amplos, de tipo R/S, nas precordiais intermediárias de V2 a V4 (fenômeno de Katz-Wachtel). Portanto, para este ECG, o melhor diagnóstico seria sobrecarga biatrial e biventricular. Vamos corrigir, obrigado. Atenciosamente, Atendimento MedicinaNET"

Por: Juliana da Ponte Lopes Pinto Medeiros em 11/04/2012 às 10:11:29

"Pq sobrecarga de ventrículo D, se há uma super onda R em V5 e V6 . Pq não sobrecarga de ventrículo E?"

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