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Trombose Causada por Cateter Central

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 20/10/2015

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Quadro Clínico

Paciente masculino, 45 anos, portador de doença renal crônica, em terapia de substituição renal fazendo hemodiálise através de cateter de longa permanência posicionado em veia jugular interna esquerda. Há uma semana não está conseguindo realizar suas sessões de diálise por baixo fluxo, e passou a ter edema de membro superior esquerdo, além de edema de face. Foi tentada desobstrução com t-Pa do cateter, porém sem sucesso. Foi então feita tomografia contrastada, que pode ser vista na imagem 1 com o principal achado.

 

Imagem 1 – Tomografia de tórax

 

 

 

Diagnóstico e Discussão

Laudo da tomografia: Cateter venoso central inserido pela veia jugular esquerda, cuja extremidade se localiza na transição da veia cava superior com o átrio direito. Falha de enchimento na luz da veia cava superior, determinando oclusão focal.

Este caso ficou diagnosticado como tendo uma síndrome de veia cava superior por trombose induzida por cateter de diálise.

A introdução de corpos estranhos em veias centrais, principalmente de longa permanência, leva ao desenvolvimento de estenose venosa central. Estenose da veia central é uma complicação relativamente comum nos pacientes realizando hemodiálise por conta de cateteres.

A etiologia destas mudanças não é totalmente clara. A hipótese é que exista um mecanismo misto, a base de irritação mecânica e lesão do endotélio.

Com cateteres (não apenas cateteres de diálise) colocados na veia subclávia, a incidência de estenose venosa subsequente é de aproximadamente 30 a 50%. Quando o mesmo tipo de cateter é inserido na veia jugular interna direita, a incidência de estenose venosa é muito mais baixa, cerca de 10%.  Já em veia jugular esquerda, a taxa de estenose é a pior devido ao longo trajeto, ultrapassando 50%.

O sintoma de apresentação usual é edema ipsilateral no braço. No entanto, nem todos os pacientes com estenose da veia central têm sintomas óbvios. Apenas 50 a 67% dos casos tem edema no braço edema, mas outros sinais e sintomas incluem derrame pleural e veias colaterais tortuosas mais dilatadas no peito, no pescoço, no ombro e no braço do paciente. A formação de trombose também predispõe a um risco aumentado de infecção, dificuldade de passagem de novo acesso para diálise, e risco de novas tromboses de acesso.

 

Bibliografia

Yevzlin AS. Hemodialysis catheter­associated central venous stenosis. Semin Dial 2008; 21:522.

 

Oguzkurt L, Tercan F, Yildirim S, Torun D. Central venous stenosis in haemodialysis patients without a previous history of catheter placement. Eur J Radiol 2005; 55:237 ?

 

Davis D, Petersen J, Feldman R, et al. Subclavian venous stenosis. A complication of subclavian dialysis. JAMA 1984; 252:3404

 

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