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Litíase Renal

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 26/02/2016

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Quadro Clínico

Homem de 48 anos teve recentemente uma crise de cólica renal. Passou em atendimento, foi medicado e obteve melhora sintomática, recebendo orientação para realizar tratamento domiciliar com analgésicos. Foi referenciado para passar ambulatorialmente com urologista, o qual pediu um ultrassom de vias urinárias. Foram achados cálculos tanto no rim direito quanto no esquerdo, como podemos ver nas imagens 1 e 2.

 

Imagem 1- Ultrassom de rim direito

 

 

 

Imagem 2- Ultrassom de rim esquerdo

 

 

 

Discussão

Esse paciente apresenta litíase renal. Então devemos proceder com a análise da pedra, que é uma parte essencial da avaliação de pacientes com nefrolitíase estabelecida. Os principais tipos de pedras nos rins são as de cálcio (80%, a maioria das quais compostas de oxalato de cálcio ou, menos frequentemente, fosfato de cálcio), ácido úrico, estruvita (fosfato de amônio magnésio) e cistina.

Todos os pacientes com litíase renal precisam de uma anamnese focada, exames de imagem e avaliação laboratorial. Como já temos o ultrassom, a história deve focar em identificar os fatores de risco de pedra, tais como história familiar de litíase renal e certos hábitos dietéticos.

A avaliação metabólica completa para litíase renal consiste tanto em exames de sangue quanto em testes de urina, incluindo pelo menos duas coletas de urina de 24 horas. Em cada coleta de urina de 24 horas devem ser avaliados o volume da urina, o pH, a excreção de cálcio, o ácido úrico, o citrato, o oxalato, o sódio e a creatinina. Além disso, a supersaturação urinária deve ser calculada.

Para um paciente com doença recorrente no qual a composição da pedra é desconhecida, é razoável supor que a pedra seja à base de cálcio. Assim, certos distúrbios associados com litíase renal de cálcio devem ser excluídos como possíveis causas subjacentes. Se a composição da pedra é desconhecida, em seguida, as recomendações de tratamento para prevenir futuros episódios de pedra serão influenciadas pelos resultados de urina de 24 horas e pelo quadro clínico. Se o cálcio urinário é elevado, devem ser feitas medidas para diminuir a concentração de cálcio na urina, o que pode incluir um diurético tiazídico. Se o citrato é baixo, completar a ingestão de citrato (por exemplo, citrato de potássio) irá aumentar a excreção urinária de citrato. Se o pH da urina é de 6,5 ou superior, o uso de suplementos de citrato deve ser utilizado com cautela. Se oxalato estiver alto na  urina, uma dieta pobre em oxalato deve ser tentada. Se o ácido úrico estiver elevado na urina, a modificação de estilo de vida para reduzir a produção de ácido úrico pode ser orientada. Se as medidas dietéticas não forem suficientes para baixar o ácido úrico urinário, alopurinol deve ser considerado. Se o volume de urina é inferior a dois litros em 24 horas, os pacientes devem aumentar a sua ingestão de fluidos com o objetivo de produzir, pelo menos, dois litros de urina por dia.

 

Referências

Teichman JM. Clinical practice. Acute renal colic from ureteral calculus. N Engl J Med 2004; 350:684.

 

Coe FL, Parks JH, Asplin JR. The pathogenesis and treatment of kidney stones. N Engl J Med 1992; 327:1141.

 

Levy FL, Adams-Huet B, Pak CY. Ambulatory evaluation of nephrolithiasis: an update of a 1980 protocol. Am J Med 1995; 98:50.

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