FECHAR
Feed

Já é assinante?

Entrar
Índice

Rouquidão

Autores:

Cláudia Schweiger

Médica otorrinolaringologista. Médica contratada do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Fellow em Laringologia e Voz no HCPA. Mestre em Ciências Médicas: Pediatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Michelle Lavinsky-Wolff

Médica otorrinolaringologista. Mestre em Cirurgia pela UFRGS. Doutoranda em Epidemiologia da UFRGS.

Última revisão: 14/02/2013

Comentários de assinantes: 0

Versão resumida do capítulo original, o qual pode ser consultado, na íntegra, em Gusso & Lopes, Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática (2 vols., Porto Alegre: Artmed, 2012). Obra indicada também para consulta a outros temas de Medicina de Família e Comunidade (MFC), pela abrangência e a forma como o conteúdo é abordado, além de reunir importante grupo de autores.

 

 

Do que se trata

         A voz é uma função do sistema estomatognático que, aliada à fala, possibilita a comunicação. A qualidade vocal do indivíduo é única, assim como suas características corporais ou sua personalidade.1

         O conceito de voz normal varia bastante, sendo considerada normal aquela voz que soa agradável ao ouvinte, com predomínio de sons harmônicos, que é produzida sem esforço e com características condizentes com o sexo, com a estrutura corporal e com a personalidade do falante.1

         Rouquidão” refere-se ao sintoma (voz com qualidade alterada) e “disfonia refere-se ao diagnóstico médico; no entanto, muitas vezes, na literatura, ambos os termos são usados como sinônimos.2 A disfonia pode ser definida como uma alteração na produção natural da voz que prejudica a comunicação social e profissional, e que pode ter como causa várias patologias (Quadro 166.1).3

 

Quadro 166.1. Diagnóstico diferencial da disfonia

Causas infecciosas

Virais (gripe e resfriado comum, papilomavírus humano [HPV] – papilomatose respiratória recorrente)

Bacterianas (Haemophilus influenzae, tuberculose, hanseníase, sífilis)

Fúngicas (paracoccidioidomicose, candidíase, histoplasmose)

Lesões fonotraumáticas das pregas vocais

Nódulos vocais

Pólipos da prega vocal

Edema de Reinke

Alterações estruturais mínimas das pregas vocais

Sulco vocal

Cisto epidermoide

Ponte mucosa

Microdiafragma de comissura anterior

Vasculodisgenesias das pregas vocais

Causas hormonais (síndrome vocal pré-menstrual, síndrome vocal da menopausa, laringopatia gravídica, muda vocal)

Medicações (ver Quadro 166.4)

Disfonias funcionais

Distúrbios neurológicos e neuromusculares da laringe (Parkinson, distonias laríngeas)

Paralisias de pregas vocais

Refluxo faringolaríngeo/refluxo gastresofágico

Traumatismos da laringe (externos ou internos, como entubação endotraqueal)

Estenose laringotraqueal

Neoplasias de laringe e faringe

Fonte: Campos e Costa.3

 

         Estima-se a prevalência da Rouquidão em 29,9% (porcentagem de pessoas que apresentam algum distúrbio da voz ao longo de suas vidas), e uma prevalência pontual de 6,6% (porcentagem de pessoas afetadas em um determinado ponto no tempo)4. A Rouquidão é mais prevalente em alguns grupos, como professores e cantores, mas qualquer pessoa pode ser afetada. Afeta mais adultos de meia-idade e mulheres, numa proporção de 60:40 (feminino:masculino).4, 5

         Além do impacto na saúde e na qualidade de vida, a Rouquidão leva a frequentes consultas a clínicos e especialistas e ao gasto de milhões de reais com medicações e falta ao trabalho. Na população em geral, estima-se que 7,2% dos indivíduos faltem ao trabalho por um ou mais dias em função de problemas com a voz.4 Entre professores, essa prevalência sobe para 20%.6

 

O que pode ocasionar

         A Rouquidão geralmente é causada por condições benignas e autolimitadas, mas pode ser o primeiro sintoma de uma patologia mais grave e progressiva, que requer diagnóstico e tratamento imediatos.

         A Rouquidão apresenta implicações importantes na saúde pública. As pessoas podem sofrer isolamento social, depressão e diminuição nos índices de qualidade de vida, mesmo quando a causa da disfonia é benigna.4

         Entre os que apresentam problemas com a voz, entretanto, apenas 5,9% procuram tratamento.4 Do mesmo modo, um estudo recente mostrou que apenas 14,3% dos professores com Rouquidão consultou um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo, mesmo que a voz seja essencial na sua profissão.7 Das pessoas com câncer de laringe, 40% esperaram mais de 3 meses para procurar ajuda profissional, pois o único sintoma apresentado era Rouquidão. Desses, 16,7% apenas procuraram ajuda por insistência de familiares, pois pensavam que a Rouquidão era um sintoma benigno.8

 

O que fazer

Anamnese

         O clínico geral deve diagnosticar disfonia em qualquer pessoa com qualidade de voz alterada, tom de voz alterado ou esforço vocal que prejudique a comunicação ou reduza a qualidade de vida da pessoa.2 A disfonia deve ser sempre vista pelo médico como uma patologia que potencialmente exija investigação adicional e manejo específico.

         O médico deve sempre ter em mente que muitas pessoas com condições laríngeas benignas e autolimitadas podem apresentar significativo impacto na qualidade de vida e, ao contrário, pessoas com patologias malignas podem apresentar mínimo comprometimento da voz e das atividades diárias. Por isso, logo após a queixa de Rouquidão por parte da pessoa e da caracterização desta (Quadro 166.2), deve-se questionar os sinais e sintomas de alerta para patologia laríngea grave (Quadro 166.3) e, caso a pessoa apresente qualquer um desses fatores, deve-se encaminhá-la imediatamente a um especialista. Deve-se, também, investigar medicações que a pessoa esteja usando e que possam influenciar a qualidade da voz (Quadro 166.4).2

 

Quadro 166.2. Anamnese – Caracterização da disfonia

Seu problema começou abruptamente ou gradativamente?

A sua voz era completamente normal antes?

Você sente dor quando fala?

Você cansa quando fala?

Você está tendo que fazer mais esforço para falar?

O que está diferente na sua voz?

Você tem dificuldade em falar alto ou gritar?

A sua voz apresenta falhas quando fala?

A sua voz está mais grave (“grossa”) do que o normal?

História médica relevante:

Profissão?

Falta ao trabalho devido à Rouquidão?

Episódios anteriores de Rouquidão?

Entubação prévia recente, relacionada ao início do sintoma?

Cirurgia cervical ou torácica recente?

Sinais e sintomas de infecção das vias aéreas concomitante?

Traumatismo em região cervical recente?

Doenças crônicas (AVC, DM, miastenia grave, esclerose múltipla, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, rinite alérgica, HAS, osteoporose, asma e uso crônico de corticoides inalatórios, síndrome de Sjögren, hipotireoidismo, aneurisma aórtico)?

AVC – acidente vascular cerebral; DM – diabetes melito; HAS – hipertensão arterial sistêmica.

 

Quadro 166.3. Condições que levam a suspeitar de doença laríngea grave como causa da Rouquidão

Rouquidão em pessoa com história de tabagismo e/ou etilismo;

Rouquidão concomitante a aparecimento de massa em região cervical;

Rouquidão após trauma;

Rouquidão associada a hemoptise, disfagia, odinofagia, otalgia ou sinais de obstrução das vias aéreas superiores (dispneia, estridor);

Rouquidão com aparecimento concomitante de sinais e sintomas neurológicos;

Rouquidão com perda de peso inexplicável;

Rouquidão que está piorando rápida e progressivamente;

Rouquidão em pessoa imunocomprometida;

Rouquidão e história de possível aspiração de corpo estranho;

Rouquidão após cirurgia da região cervical ou entubação endotraqueal.

 

Quadro 166.4. Medicações que podem causar Rouquidão

Medicação

Mecanismo da Rouquidão

Trombolíticos, cumarínicos

Hematoma de pregas vocais

Bifosfonados

Laringite química

Inibidores da enzima conversora de angiotesina

Tosse

Anti-histamínicos, diuréticos e anticolinérgicos

Desidratação da mucosa

Testosterona

Alteração da produção hormonal

Antipsicóticos

Distonia laríngea

Corticosteroides inalatórios

Irritativo da mucosa, laringite fúngica

Ácido acetilsalicílico (AAS)

Hemorragia das pregas vocais

Fonte: Schwartz e colaboradores.2

 

Exame físico

         Como a grande maioria das disfonias tem como causa uma infecção viral das vias aéreas superiores, o exame físico realizado pelo clínico deve sempre atentar inicialmente para sinais sugestivos dessas afecções. Desse modo, no exame físico, pode-se encontrar:

 

         Rinoscopia > secreção hialina/purulenta nasal, hiperemia de cornetos inferiores, vestibulite, crostas sero-hemáticas

         Oroscopia > hiperemia e aumento do tamanho das tonsilas palatinas e da faringe, placas brancas nas amígdalas, petéquias no palato e na faringe.

 

         Quando a história e o exame físico levam a pensar em patologias laríngeas que demandem investigação adicional, como uma massa cervical ao exame do pescoço, por exemplo, devem-se realizar exames complementares e/ou encaminhar para um especialista que possa realizar esses exames.

 

Exames complementares

         A laringoscopia indireta é o exame que deve ser inicialmente solicitado ou realizado pelo médico. Pode ser realizada com o espelho de Garcia, com o videolaringoscópio (fibra óptica rígida) ou com o fibronasofaringolaringoscópio (fibra óptica flexível), dependendo da disponibilidade dos aparelhos e da experiência do médico.9 Se o clínico geral não dispuser de nenhum desses, deve encaminhar a pessoa a um otorrinolaringologista.

         Ultrassonografias cervicais, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas dificilmente auxiliam no diagnóstico inicial de qualquer doença laríngea, devendo ser reservadas para situações específicas posteriores à realização da laringoscopia, como investigação da causa de paralisia de prega vocal ou de etiologia de massa em região laríngea ou cervical.10

 

Tratamento

Não farmacológico

         O tratamento das disfonias de início há menos de 15 dias, sem sinais de alerta, é geralmente não medicamentoso, com repouso vocal e hidratação.11 Em praticamente todos os casos de disfonia benigna, a hidratação e o repouso vocal estão indicados, pois, mesmo não sendo tratamentos específicos para muitas doenças da laringe, tais medidas diminuem o edema das pregas vocais, geralmente melhorando a qualidade da voz.

         O repouso vocal pode ser absoluto ou relativo. O repouso absoluto raramente é indicado, pois a pessoa dificilmente conseguirá aderir a essa recomendação plenamente. O repouso relativo, em que se orienta a evitar falar demais, evitar falar em ambientes ruidosos (em que tenha que gritar para se fazer ouvir), não gritar e não cochichar, é o mais prescrito.

         O tratamento não farmacológico mais usado em casos de disfonia benigna é, sem dúvida, a fonoterapia.12 Essa deve ser sempre doença-específica, isto é, deve-se encaminhar ao fonoaudiólogo somente após se estabelecer um diagnóstico preciso. O fonoaudiólogo necessita saber exatamente qual a patologia de base da pessoa para poder adequar sua terapêutica. Técnicas diferentes são usadas se a alteração nas pregas vocais trata-se de um nódulo, um cisto ou um pólipo, por exemplo.13, 14

         A fonoterapia consiste em diversas técnicas vocais para tratamento de doenças laríngeas benignas. A terapia vocal consiste num programa delineado para reduzir a disfonia por meio de mudanças no comportamento vocal e no estilo de vida.13 A fonoterapia engloba uma variedade de exercícios vocais com o objetivo de eliminar comportamentos vocais danosos, promover o comportamento vocal saudável e melhorar a cicatrização das pregas vocais após cirurgia ou traumatismos.14 Consiste, geralmente, em uma a duas sessões por semana com fonoaudiólogo, por cerca de 4 a 12 semanas, dependendo do problema a ser tratado. É muito importante a adesão da pessoa a essa terapia, uma vez que ela deve continuar fazendo os exercícios sozinha em casa nos outros dias da semana.

 

Farmacológico

         Não se deve prescrever rotineiramente antibióticos, medicações antirrefluxo ou corticosteroides para tratamento empírico das disfonias (Quadro 166.5).2 Essas medicações têm indicações específicas no caso de algumas doenças laríngeas.

 

Quadro 166.5. Uso de medicações em disfonia

Antibióticos

Há revisões sistemáticas (Cochrane) mostrando não haver benefícios em prescrever antibióticos para quadros de infecções agudas de vias aéreas superiores que cursam com Rouquidão + revisões sistemáticas mostrando potenciais danos da terapia antimicrobiana (efeitos adversos).

Tratamento antirrefluxo em pessoa com Rouquidão

Há ensaios clínicos randomizados com limitações mostrando ausência de benefício para terapia antirrefluxo em pessoas com sintomas laríngeos (Rouquidão) + estudos observacionais com resultados inconsistentes ou inconclusivos + evidências inconclusivas em relação à prevalência de Rouquidão como única manifestação de doença do refluxo faringolaríngeo.

Tratamento antirrefluxo em pessoa com laringite crônica (evidenciada por laringoscopia)

Há estudos observacionais com limitações mostrando benefício para terapia antirrefluxo em pessoa com sintomas laríngeos, incluindo a Rouquidão, e evidência de laringite crônica + estudos observacionais com limitações mostrando melhora nos sinais laringoscópicos de laringite crônica após o uso de tratamento antirrefluxo.

Corticosteroides

Não há ensaios clínicos demonstrando qualquer benefício dos corticosteroides como tratamento empírico nos casos de Rouquidão aguda ou crônica + inúmeros ensaios clínicos randomizados mostrando os efeitos adversos dos corticoides.

Fonte: Schwartz e colaboradores.2

 

Antibióticos

         Como a grande maioria dos casos de Rouquidão são causados por laringites virais agudas ou infecções agudas virais das vias aéreas superiores, não se recomenda a prescrição de antibióticos.11 Existem apenas dois estudos na literatura sobre prescrição de antibióticos em casos de laringites agudas em adultos, um com eritromicina e outro com penicilina, sendo que nenhum deles encontrou benefícios em usar essas medicações.15 Uma revisão da Cochrane também não evidenciou benefícios do uso de antibióticos em gripes e resfriados com sintoma de Rouquidão.16 Os antibióticos devem ser prescritos somente em situações específicas, como tuberculose laríngea17 e laringotraqueíte bacteriana em crianças.18

 

Medicação antirrefluxo

         O tratamento antirrefluxo tornou-se uma das ferramentas terapêuticas empíricas mais usadas por clínicos e otorrinolaringologistas quando a pessoa queixa-se de Rouquidão e não se consegue obter um diagnóstico preciso. Sabe-se que qualquer episódio de refluxo ácido ou não ácido pode piorar ou mesmo provocar alterações laríngeas, mas a prescrição rotineira de medicações que evitem o refluxo em pessoa sem sintomas de doença do refluxo gastresofágico não deve ser a regra.

         Em uma pessoa com Rouquidão e sintomas dispépticos, a terapia antirrefluxo está indicada e tem mais chance de melhorar a disfonia.19 Pode-se, então, prescrever um tratamento empírico para refluxo. Se a disfonia não melhorar ou se os sintomas piorarem, a medicação deve ser suspensa e causas alternativas para a Rouquidão devem ser investigadas por meio de laringoscopia.

         O uso de medicações antirrefluxo está sempre indicado nos casos de Rouquidão com laringoscopia mostrando sinais de laringite crônica, principalmente edema ou ulceração de glote posterior, irregularidades na região interaritenóidea (paquidermia posterior) ou granuloma em processo vocal de aritenoides.20 Indica-se, também, no pós-operatório de cirurgias de doenças benignas de laringe, em geral.21, 22

         Geralmente, o uso de inibidores da bomba de prótons tem se mostrado mais eficaz do que o uso de bloqueadores de receptor H2 para tratamento de doenças laríngeas. Recomenda-se o uso de omeprazol 20 mg, duas vezes ao dia, ou equivalente.23

 

Corticosteroides

         Apesar da Rouquidão ser frequentemente atribuída à inflamação aguda ou crônica das pregas vocais, a tentativa de melhorar esse sintoma com o uso de corticosteroides sistêmicos ou inalados não parece trazer benefícios, além de poder causar sérios efeitos adversos. Não se tem na literatura ensaios clínicos demonstrando qualquer benefício dos corticosteroides como tratamento empírico nos casos de disfonia aguda ou crônica. Em contrapartida, tem-se inúmeros ensaios clínicos randomizados mostrando os efeitos adversos dos corticoides.2 Alguns casos específicos de Rouquidão devem ser tratados com corticoides, como laringite alérgica, laringite viral em crianças24, 25 e doenças autoimunes envolvendo a laringe, como lúpus eritematoso sistêmico, sarcoidose e granulomatose de Wegener.26, 27 Essas patologias, entretanto, demandam diagnóstico preciso pelo médico, isto é, não se trata de tratamento empírico.

 

DICAS

      Esteja sempre atento para sinais de alerta em pessoas com queixa de disfonia – não se pode deixar de diagnosticar patologias malignas com brevidade, pois estágios iniciais da neoplasia de laringe têm excelente prognóstico, o que não ocorre com estágios mais avançados.

      Mesmo quando uma pessoa, principalmente um profissional da voz, necessita melhora rápida do sintoma para voltar ao trabalho, não há medicação que acelere essa melhora. Hidratação e repouso vocal são as melhores armas para se combater a Rouquidão aguda por infecção de vias aéreas superiores e/ou abuso vocal.

 

Quando encaminhar

         A pessoa deve ser encaminhada a um otorrinolaringologista sempre que o clínico geral suspeitar de patologia laríngea grave ou se a disfonia durar mais de 3 meses, sem melhora progressiva (Quadro 166.6).

 

Quadro 166.6. Quando encaminhar a pessoa com queixa de Rouquidão

Encaminhar a pessoa imediatamente, independentemente do tempo de evolução em caso de:

Cirurgia recente envolvendo o pescoço;

Cirurgia recente no trajeto dos nervos laríngeos recorrentes (cirurgia cardíaca, torácica ou neurocirurgia);

Entubação endotraqueal recente;

Radioterapia prévia na região do pescoço;

Uso profissional da voz.

Encaminhar se disfonia há mais de 15 dias em caso de:

Tabagismo

Etilismo

Encaminhar (sem nenhum dos sinais de alerta acima) se:

Disfonia há mais de 3 meses.

 

Erros mais frequentemente cometidos

      Não valorizar a queixa da pessoa em relação à sua voz, principalmente em pessoas com sinais de alerta, como tabagismo e etilismo, história recente de entubação e/ou cirurgia na região cervical, história de radioterapia em região cervical e em pessoas que usam a voz profissionalmente.

      Realizar exames complementares que dificilmente auxiliam no diagnóstico de patologias laríngeas, como ultrassonografias e tomografias.

      Tratar qualquer disfonia em adulto como refluxo laringofaríngeo, sem tentar encontrar a causa do sintoma.

      Encaminhar para fonoaudiólogo antes de fazer diagnóstico apropriado.

 

Prognóstico e complicações possíveis

         O tempo de resolução da disfonia varia de acordo com a causa e com o tratamento empregado. Disfonia que dura mais de 3 meses, em qualquer pessoa, deve ser sempre investigada com exames complementares.

         Quando a causa da disfonia é viral, a resolução completa é atingida em até 15 dias após o seu início, independentemente de tratamento.11 Se houver história de trauma ou esforço vocal, entretanto, esse tempo pode ser mais prolongado.

 

Atividades preventivas e de educação

         Ver Quadro 166.7.28-30

 

Quadro 166.7. Orientações preventivas

Dormir adequadamente;

Cuidar a postura;

Hidratação diária – ingerir 2 litros de água em temperatura ambiente por dia;

Articular bastante ao falar;

Evitar falar demais ou com esforço;

Evitar falar muito após ingerir leite ou derivados;

Evitar falar excessivamente durante quadros gripais ou crises alérgicas;

Não praticar exercícios físicos falando;

Não falar em ambientes ruidosos ou abertos (competição da voz com o ruído ambiental);

Evitar discutir com frequência;

Evitar gritar, cochichar ou rir alto (gargalhada);

Evitar cantar inadequada ou abusivamente;

Evitar ambientes secos ou empoeirados;

Evitar tossir ou pigarrear em excesso;

Evitar mudanças bruscas de temperatura;

Evitar drogas, álcool e cigarro.

Fonte: Andrada e Silva,28 Behlau e Pontes29 e Pinho.30

 

Referências

1.        Junqueira PAS, Trezza PA. Princípios básicos da terapia vocal. In: Costa SS, Cruz OLM, Oliveira JAO, editores. Otorrinolaringologia: princípios e práticas. Porto Alegre: Artmed; 2006.

2.        Schwartz SR, Cohen SM, Dailey SH, Rosenfeld RM, Deutsch ES, Gillespie MB, et al. Clinical practice guideline: hoarseness (dysphonia). Otolaryngol Head Neck Surg. 2009 Sep;141(3 Suppl 2):S1-S31.

3.        Campos CAH, Costa HOO. Tratado de otorrinolaringologia. São Paulo: Roca; 2003.

4.        Roy N, Merrill RM, Gray SD, Smith EM. Voice disorders in the general population: prevalence, risk factors, and occupational impact. Laryngoscope. 2005;115(11):1988-95.

5.        Coyle SM, Weinrich BD, Stemple JC. Shifts in relative prevalence of laryngeal pathology in a treatment-seeking population. J Voice. 2001;15(3):424-40.

6.        Smith E, Kirchner HL, Taylor M, Hoffman H, Lemke JH. Voice problems among teachers: differences by gender and teaching characteristics. J Voice. 1998;12(3):328-34.

7.        Roy N, Merrill RM, Thibeault S, Parsa RA, Gray SD, Smith EM. Prevalence of voice disorders in teachers and the general population. J Speech Lang Hear Res. 2004;47(2):281-93.

8.        Brouha XD, Tromp DM, de Leeuw JR, Hordijk GJ, Winnubst JA. Laryngeal cancer patients: analysis of patient delay at different tumor stages. Head Neck. 2005;27(4):289-95.

9.        Dailey SH, Spanou K, Zeitels SM. The evaluation of benign glottic lesions: rigid telescopic stroboscopy versus suspension microlaryngoscopy. J Voice. 2007;21(1):112-8.

10.    Pretorius PM, Milford CA. Investigating the hoarse voice. BMJ. 2008;337:a1726.

11.    Dworkin JP. Laryngitis: types, causes, and treatments. Otolaryngol Clin North Am. 2008;41(2):419-36, ix.

12.    Ramig LO, Verdolini K. Treatment efficacy: voice disorders. J Speech Lang Hear Res. 1998;41(1):S101-16.

13.    Pedersen M, Beranova A, Møller S. Dysphonia: medical treatment and a medical voice hygiene advice approach. A prospective randomised pilot study. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2004;261(6):312-5.

14.    Boone DR, McFarlane SC, Von Berg SL. The voice and voice therapy. 7th ed. Boston: Allyn and Bacon; 2005.

15.    Reveiz L, Cardona AF, Ospina EG. Antibiotics for acute laryngitis in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2007;(2):CD004783.

16.    Arroll B, Kenealy T. Antibiotics for the common cold and acute purulent rhinitis. Cochrane Database Syst Rev. 2005;(3):CD000247.

17.    Singh B, Balwally AN, Nash M, Har-El G, Lucente FE. Laryngeal tuberculosis in HIV-infected patients: a difficult diagnosis. Laryngoscope. 1996;106(10):1238-40.

18.    Hopkins A, Lahiri T, Salerno R, Heath B. Changing epidemiology of life-threatening upper airway infections: the reemergence of bacterial tracheitis. Pediatrics. 2006;118(4):1418-21.

19.    Qua CS, Wong CH, Gopala K, Goh KL. Gastro-oesophageal reflux disease in chronic laryngitis: prevalence and response to acid-suppressive therapy. Aliment Pharmacol Ther. 2007;25(3):287-95.

20.    Vaezi MF, Richter JE, Stasney CR, Spiegel JR, Iannuzzi RA, Crawley JA, et al. Treatment of chronic posterior laryngitis with esomeprazole. Laryngoscope. 2006;116(2):254-60.

21.    Kantas I, Balatsouras DG, Kamargianis N, Katotomichelakis M, Riga M, Danielidis V. The influence of laryngopharyngeal reflux in the healing of laryngeal trauma. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2009;266(2):253-9.

22.    Wani MK, Woodson GE. Laryngeal contact granuloma. Laryngoscope. 1999;109(10):1589-93.

23.    Iskedjian M, Elinarson TR. Meta-analysis of cisapride, omeprazole and ranitidine in the treatment of GORD: implications for treating patient-subgroups. Clin Drug Invest. 1998;16(1):9-18.

24.    Leung AK, Kellner JD, Johnson DW. Viral croup: a current perspective. J Pediatr Health Care. 2004;18(6):297-301.

25.    Jackson-Menaldi CA, Dzul AI, Holland RW. Hidden respiratory allergies in voice users: treatment strategies. Logoped Phoniatr Vocol. 2002;27(2):74-9.

26.    Dean CM, Sataloff RT, Hawkshaw MJ, Pribikin E. Laryngeal sarcoidosis. J Voice. 2002;16(2):283-8.

27.    Ozcan KM, Bahar S, Ozcan I, Pasaoglu L, Sennaroglu E, Karaaslan Y, et al. Laryngeal involvement in systemic lupus erythematosus: report of two cases. J Clin Rheumatol. 2007;13(5):278-9.

28.    Andrada e Silva MA. Saúde vocal. In: Pinho SMR. Fundamentos em fonoaudiologia: tratando os distúrbios da voz. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 1998.

29.    Behlau M, Pontes P. Higiene vocal: cuidando da voz. 3. ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2001.

30.    Pinho SMR. Manual de higiene vocal para profissionais da voz. 2. ed. Carapicuiba: Pró-Fono; 1999.

Conecte-se

Feed

Sobre o MedicinaNET

O MedicinaNET é o maior portal médico em português. Reúne recursos indispensáveis e conteúdos de ponta contextualizados à realidade brasileira, sendo a melhor ferramenta de consulta para tomada de decisões rápidas e eficazes.

Medicinanet Informações de Medicina S/A
Av. Jerônimo de Ornelas, 670, Sala 501
Porto Alegre, RS 90.040-340
Cnpj: 11.012.848/0001-57
(51) 3093-3131
info@medicinanet.com.br


MedicinaNET - Todos os direitos reservados.

Termos de Uso do Portal