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Terapia Antiepiléptica na Gestação

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 27/08/2021

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Contexto Clínico

 

Em pacientes mulheres com epilepsia, osestudos relativos às mudanças na frequência das crises durante a gestação sãomuito limitados, principalmente pela falta de um grupo de mulheres não gestantespara ser usado como comparação adequada, de forma a obtermos dados sobre ocurso natural da frequência das crises em ambos os grupos.

 

O Estudo

 

Apresentamosum estudo de coorte prospectivo, observacional e multicêntrico, no qual se comparoua frequência de convulsões durante a gestação durante o período periparto (asprimeiras 6 semanas após o nascimento) (época 1) com a frequência durante operíodo pós-parto (os seguintes 7,5 meses após a gestação) (época 2). Mulheresnão gestantes com epilepsia foram inscritas como controles e tiveramacompanhamento semelhante durante um período de 18 meses. O resultado primáriofoi a porcentagem de mulheres que tiveram frequência maior de convulsões queprejudicaram a consciência durante a época 1 do que durante a época 2. Também foramcomparadas as mudanças nas doses de medicamentos antiepilépticos administradosnos dois grupos durante os primeiros 9 meses da época 1.

Foram inscritas351 gestantes e 109 controles com epilepsia. Entre as 299 gestantes e 93controles que tinham histórico de convulsões que prejudicavam a consciência eque tinham dados disponíveis para as duas épocas, a frequência de crises foimaior durante a época 1 do que durante a época 2 em 70 mulheres gestantes (23%)e em 23 controles (25%) (odds ratio, 0,93; intervalo de confiança [IC]de 95%, 0,54 a 1,60). Durante a gestação, a dose de um medicamentoantiepiléptico foi alterada pelo menos uma vez em 74% das mulheres gestantes eem 31% das controles (odds ratio, 6,36; IC 95%, 3,82 a 10,59).

 

Aplicação Prática

 

Este estudoobservacional mostra que, entre mulheres com epilepsia, a porcentagem que teveincidência maior de convulsões durante a gestação do que no período pós-partofoi semelhante à de mulheres que não estavam grávidas durante as épocascorrespondentes. Alterações nas doses de medicamentos antiepilépticos ocorreramcom mais frequência em mulheres gestantes do que em mulheres não gestantes duranteperíodos de tempo semelhantes. Por ser um estudo prospectivo, é interessantenotar que ocorrem aumentos de dosagem não necessariamente porque as gestantesestão tendo mais convulsões (em um estudo retrospectivo, isso poderia serinterpretado de modo diferente), o que nos leva a crer que doses podem estarsendo aumentadas sem necessidade clínica. Isso pode levar a uma reflexão dequem lida com esse tipo de caso na prática.

 

 

Bibliografia

 

1.            Pennel PB et al. Changes in Seizure Frequencyand Antiepileptic Therapy during Pregnancy. N Engl J Med 2020; 383:2547-2556

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