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Inibidores de Bomba de Próton após Tratamento Endoscópico de HDA

Autor:

Antonio Paulo Nassar Junior

Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico Intensivista do Hospital São Camilo. Médico Pesquisador do HC-FMUSP.

Última revisão: 04/10/2010

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Inibidores de bomba de próton em altas e baixas doses após tratamento endoscópico de hemorragia digestiva alta por úlcera péptica: uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos controlados1 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (Archives of Internal Medicine): 9.110

 

Contexto Clínico

Hemorragia digestiva alta (HDA) é uma causa comum de admissão em serviços de emergência e unidades de terapia intensiva e está associada a uma alta morbimortalidade. O tratamento endoscópico tem papel fundamental na redução do ressangramento, mas até 20% dos pacientes ainda apresentam novo sangramento.

O uso de inibidores de bomba de próton (IBP) em altas doses mostrou-se eficaz na prevenção do ressangramento quando comparado a placebo e seu uso é recomendado em diretrizes internacionais2. No entanto, poucos estudos compararam a eficácia de IBP em altas doses ao seu uso em baixas doses. O objetivo do presente estudo foi revisar a literatura para avaliar essa comparação.

 

O Estudo

Foram avaliados estudos clínicos randomizados que compararam IBP em altas doses (bolus de 80mg, seguidos de infusão contínua de 8mg/h por 72h) e baixas doses (doses menores que as anteriores). Os desfechos analisados foram ressangramento, necessidade de intervenção cirúrgica e mortalidade. Foi realizada ainda uma análise de subgrupo para pacientes com alto risco de ressangramento de acordo com os achados da endoscopia inicial (sangramento em jato, sangramento difuso, presença de coto vascular e coágulo aderido ao fundo da úlcera).

 

Resultados

Sete estudos, com 1157 pacientes, foram incluídos na meta-análise. Cinco estudos usaram omeprazol e dois, pantoprazol. As doses dos grupos “baixas doses” variaram de 20 a 160mg/dia. Não houve diferenças quanto à taxa de ressangramento (OR 1,30; IC 95% 0,88-1,91), intervenção cirúrgica (OR 1,49; IC 95% 0,66-3,37) e mortalidade (OR 0,89; IC 95% 0,37-2,13). Quando analisado apenas o subgrupo de alto risco, também não houve diferenças.

 

Aplicações para a Prática Clínica

Embora esta meta-análise tenha mostrado que não há diferenças entre o uso de IBP em altas e baixas doses, ela tem importantes limitações. Primeiro, foram incluídos poucos estudos e a maioria, pequenos. Segundo, vários estudos incluíram uma grande proporção de pacientes de baixo risco. Terceiro, as doses de IBP nos grupos “baixas doses” variaram bastante. Assim, a grande conclusão desta meta-análise é que é necessário um estudo clínico metodologicamente bem feito que compare as duas abordagens. Por ora, as diretrizes recomendam o uso de IBP em altas doses em pacientes com HDA por úlcera até que surjam novas evidências.

 

Bibliografia

1.    Wang CH, Ma MH, Chou HC, Yen ZS, Yang CW, Fang CC, Chen SC. High-dose VS non-high-dose proton pump inhibitors after endoscopic treatment in patients with bleeding peptic ulcer: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Arch Intern Med. 2010 May 10;170(9):751-8.

2.    Barkun AN, Bardou M, Kuipers EJ, Sung J, Hunt RH, Martel M, Sinclair P; International Consensus Upper Gastrointestinal Bleeding Conference Group. International Consensus Recommendations on the Management of Patients With Nonvariceal Upper Gastrointestinal Bleeding. Ann Intern Med. 2010; 152:101-13.

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