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Hipogonadismo em Homens de Meia-idade e Idosos

Autor:

Leonardo da Costa Lopes

Especialista em Geriatria pela SBGG; Médico Colaborador do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP; Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP

Última revisão: 19/10/2010

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Identificação do hipogonadismo de início tardio em homens de meia-idade e idosos1 [Link para Abstract]

 

Fator de impacto da revista (New England Journal of Medicine): 50.017

 

Contexto Clínico

Há controvérsias entre a associação de baixos níveis de testosterona com o hipogonadismo sintomático. Os baixos níveis de testosterona não são suficientes para a caracterização da doença clínica, mas não existem critérios claros que definam quais os sintomas preditores do hipogonadismo patológico e quais os níveis hormonais que se associam a esses sintomas. Além disso, os sintomas de hipogonadismo em idosos são inespecíficos e se confundem com sintomas de depressão.

 

O Estudo

O objetivo do estudo foi identificar sintomas relacionados ao hipogonadismo que apresentassem associação com baixos níveis séricos de testosterona. Foi avaliada aleatoriamente uma população de 3369 homens entre 40 e 79 anos em 8 países europeus. Foram coletados dados antropométricos e aplicados questionários sobre saúde física, sexual e psicológica. Foram determinados também os níveis séricos de testosterona total e livre. A análise dos dados se deu de duas formas: na primeira avaliação foram identificados todos os sintomas que estavam relacionados a baixos níveis de testosterona. Nesta etapa buscou-se identificar os critérios clínicos e bioquímicos do hipogonadismo masculino. Na segunda análise identificou-se a força de associação dos sintomas pré identificados, que foram analisados de forma independente, a fim de definir critérios mínimos para a identificação da síndrome de hipogonadismo. 

 

Resultados

A idade média dos pacientes foi de 59,7 anos. Dos 32 sintomas analisados, apenas 9 se relacionaram significativamente com níveis baixos de testosterona total ou livre. Destes, três sintomas eram sexuais (redução na freqüência de ereções diurnas, na freqüência de pensamentos sexuais e disfunção erétil), três físicos (incapacidade para realizar atividades vigorosas, andar mais de 1 Km ou ajoelhar-se e inclinar-se) e três psicológicos (perda de energia, tristeza e fadiga). Entretanto, somente os 3 sintomas sexuais apresentaram uma associação sindrômica com os níveis baixos de testosterona (grande força de associação). Os níveis de hormônio para a caracterização da síndrome foram determinados em menos de 3,2 ng/mL de testosterona total e menos de 220 pmol/L de testosterona livre. Enquanto 17% dos participantes apresentavam testosterona total menor que 3,2 ng/mL, somente 2,1% apresentavam achados compatíveis com a síndrome completa (baixos níveis de testosterona total, livre e presença dos 3 sintomas sexuais). A frequência da síndrome foi de 0,1% em homens entre 40 e 49 anos, de 3,2% entre 60 e 69 anos e de 5,1% entre 70 e 79 anos.

 

Aplicações para a Prática Clínica

Este trabalho demonstra a importância da identificação de sintomas clínicos bem definidos de hipogonadismo, antes da solicitação da dosagem sérica de testosterona. Reforça também que os sintomas classicamente associados a esta condição são inespecíficos e, na maior parte das vezes, não estão associados ao déficit hormonal.  A reposição de testosterona, por sua vez, em pacientes sem sintomas ou com níveis normais do hormônio, além de não benéfica, pode provocar efeitos adversos.

 

Bibliografia

1.    Wu FC, Tajar A, Beynon J, Pye S, Silman A, Finn J et al. Identification of Late-Onset Hypogonadism in Middle-Aged and Elderly Men. NEJM 2010;Jun 16  [on line]

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