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Efeito da circuncisão masculina na prevalência de HPV em mulheres

Autor:

Giovanni Mastrantonio Di Favero

Médico Assistente da Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Doutor em Medicina pelo Charité-Universitätsmedizin Berlin, Alemanha.

Última revisão: 23/01/2012

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Especialidades / Áreas de Atuação: Ginecologia / Oncologia / Infectologia

 

Resumo

            Revisão da literatura que procurou identificar evidências científicas que suportem o conceito de que a circuncisão masculina diminui a transmissão e a prevalência do HPV na população.

 

Contexto clínico

            A circuncisão masculina é realizada universalmente há séculos, motivada sobretudo por tradições religiosas. Relatos do final do século XIX e início do século XX observaram uma baixa incidência de câncer de colo uterino em populações nas quais tal prática era comum, sugerindo, assim, que ela poderia conferir proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). Mais recentemente, com o reconhecimento de que o HPV é o principal agente causal do câncer cervical feminino e os avanços nas técnicas de identificação do vírus, outros estudos conseguiram comprovar cientificamente tais observações iniciais. Também foi demonstrada uma relação inversa entre circuncisão e prevalência da infecção peniana pelo HPV e câncer de pênis, explicada pelo fato de que o procedimento aumenta o depuramento (clearance) do HPV de alto risco nos homens. A incorporação da vacina contra o HPV aos programas de prevenção do câncer do colo uterino esbarra atualmente em questões de custos, restringindo assim seus potenciais benefícios a uma parcela relativamente pequena da população mundial. Esta situação gera debates sobre formas mais acessíveis de diminuição de risco, principalmente para nações em desenvolvimento, onde, na verdade, a maioria dos casos de câncer genital se concentram. Dentro deste contexto, a circuncisão masculina poderia ser uma alternativa eficiente e economicamente viável.

 

O estudo

            Trata-se de uma revisão de literatura baseada e motivada por um estudo prospectivo e randomizado publicado por Wawer et al. em janeiro de 2011 no periódico Lancet. Nesse estudo, foram avaliados mais de 1.200 casais heterossexuais quanto a incidência e prevalência do HPV de alto risco nas mulheres. Os pares foram divididos em 2 grupos: intervenção, no qual todos homens se submeteram a circuncisão,e controle, onde não havia o procedimento envolvido. Observou-se que a realização da circuncisão reduziu substancialmente a infecção pelo vírus, sendo que a prevalência do HPV de alto risco nas mulheres do grupo submetido à intervenção foi de 27,8% contra 38,7% no grupo controle (p=0,001).

 

Aplicações para a prática clínica

            Além do aspecto econômico, a circuncisão teria outra vantagem potencial diante da vacina atualmente disponível, pois diminui o risco de infecção por todos os sorotipos de HPV de alto risco enquanto a última confere proteção limitada a dois sorotipos. No entanto, é importante destacar que, apesar do método diminuir expressivamente o risco de infecção pelo HPV, o efeito protetor direto contra o câncer de colo uterino não foi avaliado pelo trabalho e permanece incerto.

            Estes achados fornecem um importante substrato para a implementação da circuncisão masculina em nações sem programas bem estruturados de prevenção do câncer de colo uterino. Nos países que dispõem da vacina, a combinação dos métodos poderia ter um efeito sinérgico, reduzindo ainda mais a incidência da doença.

 

Bibliografia

1.   Giuliano AR, Nyitray AG, Albero G. Male circumcision and HPV transmission to female partners. Lancet 2011 Jan 15; 377(9761):183-4. Epub 2011 Jan 6. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 33,630)

2.   Wawer MJ, Tobian AAR, Kigozi G, Kong X, Gravitt PE, Serwadda D, et al. Effect of circumcision of HIV-negative men on transmission of human papillomavirus to HIV-negative women: a randomised trial in Rakai, Uganda. Lancet 2011; 377(9761):209-18. DOI:10.1016/S0140-6736(10)61967-8. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 33,630)

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