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Cardioversão elétrica ou química para fibrilação atrial no pronto-socorro

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 03/09/2012

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Especialidades / Áreas de atuação: Medicina de Emergência / Cardiologia

 

Resumo

              Este estudo comparou a cardioversão química com a elétrica para fibrilação atrial com até 48 horas de duração em pronto-socorro para descobrir qual das duas opções é mais efetiva.

 

Contexto clínico

              Já foi discutido no MedicinaNET qual seria a melhor estratégia do ponto de vista de cardioversão para pacientes com flutter atrial em pronto-socorro, chegando-se à conclusão de que a cardioversão elétrica é mais custo-efetiva.

              Contudo, ainda existe muita controvérsia a respeito de qual seria a melhor estratégia de cardioversão para pacientes estáveis que se apresentam no pronto-socorro com fibrilação atrial (FA) aguda (duração de até 48 horas).

              O objetivo do estudo a ser apresentado foi testar a hipótese de que cardioversão elétrica poderia ser mais efetiva e segura em converter uma FA ao ritmo sinusal do que o tratamento com cardioversão química.

 

O estudo

              Este foi um estudo randomizado realizado em um departamento de emergência italiano. Um total de 247 pacientes foram envolvidos no estudo. O objetivo foi comparar cardioversão elétrica (CE) com cardioversão química (CQ) com propafenona endovenosa para pacientes com FA aguda (< 48 horas). Foram alocados 121 pacientes no grupo de CE e 126 no grupo CQ. Os pacientes foram excluídos se já utilizavam antiarrítmicos diários, se tinham doença valvar, síndrome coronariana aguda, distúrbio eletrolítico, sepse, febre, hipotermia, hipertireoidismo não tratado ou um CHADS2 = 2.

              Os pacientes do grupo CE receberam sedação com propofol e receberam choques sincronizados bifásicos de 100, 150 e 200 J, conforme a necessidade. Pacientes no grupo da CQ receberam propafenona 2 mg/kg EV em 10 minutos.

              A cardioversão elétrica teve mais sucesso do que a química em restaurar o ritmo sinusal (89,3% vs. 73,8%) (Hazard Ratio no grupo CE: 0,34; IC95% 0,17 a 0,68; p=0,02). A cardioversão elétrica foi atingida em média com 1,5 choques.

              O tempo que os pacientes ficaram no pronto-socorro também foi menor para o grupo da CE (média/variação: 180 / 120-900 min vs. 420 / 120-1.400 min; p<0,001).

              Dos 33 pacientes que não foram cardiovertidos com propafenona, 28 tiveram sucesso com posterior cardioversão elétrica (os 5 restantes não quiseram fazer o procedimento). Não houve diferenças de eventos adversos entre os 2 grupos, sendo valores muito pequenos em ambos, com situações apenas transitórias.

 

Aplicações para a prática clínica

              Este estudo demonstrou que a cardioversão elétrica é a medida mais custo-efetiva para pacientes com FA aguda que chegam ao pronto-socorro, inclusive reduzindo o tempo de permanência destes.

              Este é o primeiro estudo randomizado que comparou as duas modalidades de cardioversão como primeira linha de tratamento para FA aguda em PS. Claro que o estudo tem limitações, pois não é cegado e o seguimento foi de curto prazo, mas os resultados trazem à tona a possibilidade de se utilizar a estratégia de cardioversão para pacientes com FA com menos de 48 horas de apresentação como forma de diminuir o tempo de permanência no pronto-socorro e até mesmo diminuindo hospitalizações, mesmo para pacientes estáveis.

              São necessários mais estudos para corroborar esta conduta, utilizando outras drogas antiarrítmicas e verificando um seguimento um pouco mais longo para verificar os desfechos, mas, a princípio, esta conduta parece ser uma ótima opção ao médico emergencista.

 

Bibliografia

1.   Bellone A, Etteri M, Vettorello M, Bonetti C, Clerici D, Gini G et al. Cardioversion of acute atrial fibrillation in the emergency department: A prospective randomised trial. Emerg Med J 2012 Mar; 29:188. [link para o artigo] (Fator de Impacto: 1,269)

2.   Scheuermeyer FX, Grafstein E, Heilbron B, Innes G. Emergency department management and 1-year outcomes of patients with atrial flutter. Ann Emerg Med 2011 Jun; 57(6):564-71.e2. [link para o artigo].

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