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Efeito da Atividade Física na Mobilidade de Idosos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 02/12/2014

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Especialidades: Geriatria/Medicina de Família/Fisiatria

 

Contexto Clínico

        A população idosa é cada vez maior no mundo. Mesmo aqui no Brasil, pessoas com mais de 65 anos já são uma grande fatia da população. Algo extremamente importante quando se fala nessa faixa etária é a questão ligada à preservação de funcionalidade. Um dos itens mais importantes para isso é a mobilidade, ou capacidade de se deslocar sem assistência. A redução de mobilidade em idosos é algo de extrema importância, pois a literatura vem demonstrando que é um fator de risco independente para morbidade, hospitalização, incapacidade e mortalidade. Evidências sugerem que a atividade física pode ajudar a prevenir a incapacidade funcional, no entanto, não há estudos clínicos definitivos que tenham avaliado se a atividade física previne ou retarda a incapacidade funcional em idosos.

 

O Estudo

        No estudo intitulado LIFE, a hipótese formulada foi de que um programa de atividade física a longo prazo estruturado reduziria o risco de mobilidade com deficiência grave em comparação com um programa de educação para a saúde.

        Este foi um estudo multicêntrico, randomizado, que envolveu participantes idosos entre fevereiro de 2010 e dezembro de 2011, que participaram por uma média de 2,6 anos. O acompanhamento terminou em dezembro de 2013, sendo que os avaliadores de resultados estavam cegos para a intervenção realizada com cada participante. Os participantes foram recrutados em comunidades urbanas, suburbanas e rurais em oito centros em todo os Estados Unidos. Foram randomizados uma amostra de voluntários de 1.635 homens e mulheres com idades entre 70 e 89 anos, com limitações físicas, mas que eram capazes de caminhar 400 m.

        Estes participantes foram randomizados para um programa estruturado de atividade física moderada realizada em um centro (duas vezes/semana) e em casa (três-quatro vezes/semana), que incluiu atividades aeróbicas, de resistência e treinamento de flexibilidade, ou então receberam um programa de educação para a saúde que consistiu em oficinas sobre temas relevantes para os adultos mais velhos quanto a exercícios. O desfecho primário medido foi maior deficiência em termos de mobilidade, definido por perda da capacidade de andar 400 m.

        Grande incapacidade funcional ocorreu em 30,1% dos participantes do grupo de atividade física e em 35,5% dos participantes do grupo de educação em saúde (hazard ratio: 0,82; IC95%: 0,69-0,98;  P = 0,03). Deficiência persistente ocorreu em 14,7% dos participantes no grupo de atividade física e em 19,8% dos participantes no grupo de educação em saúde (Hazard Ratio: 0,72; IC95%: 0,57-0,91; P = 0,006). Eventos adversos graves foram relatados por 404 participantes (49,4%) no grupo de atividade física e 373 participantes (45,7%) no grupo de educação em saúde (Risco: 1,08; IC95%: 0,98-1,20).

 

Aplicações Práticas

        Este interessante ensaio clínico demonstrou claramente que um programa de atividade física para idosos tem impacto em mobilidade e consequentemente na funcionalidade dos mesmos. Um programa de atividades físicas de intensidade moderada, feito de forma estruturada reduziu a chance de ocorrer incapacidade funcional e de ocorrer deficiência persistente de forma significativa. Este dado demonstra a necessidade deste tipo de programa do ponto de vista social, uma vez que há um impacto de saúde pública considerável nesse contexto, além do óbvio impacto para a qualidade de vida do indivíduo idoso.

 

Bibliografia

Pahor M et al. Effect of Structured Physical Activity on Prevention of Major Mobility Disability in Older Adults. The LIFE Study Randomized Clinical Trial. JAMA. 2014;311(23):2387-2396. doi:10.1001/jama.2014.5616. (link para o artigo).

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