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Disfunção Cognitiva no Tratamento de Câncer de Próstata

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 07/10/2015

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Contexto Clínico

Os homens que estão em tratamento para câncer de próstata com terapia de privação de androgênio (TPA) podem estar em risco de comprometimento cognitivo. No entanto, a evidência  na literatura não é conclusiva. Nosso estudo analisou o impacto da TPA no desempenho cognitivo e explorou potenciais preditores demográficos e genéticos deste prejuízo cognitivo.

 

O Estudo

Pacientes com câncer de próstata foram avaliados antes e após um prazo de 21 dias do  início da TPA (n = 58) e 6 e 12 meses mais tarde. Pacientes da mesma idade e de nível educacional com câncer de próstata tratados com prostatectomia somente (n = 84) e homens sem câncer de próstata (n = 88) foram avaliados em intervalos semelhantes. Os participantes forneceram amostras de sangue no início do seguimento para a genotipagem. O desempenho cognitivo de nível médio foi comparado utilizando modelos mistos; o comprometimento cognitivo foi comparado por meio de equações de estimação generalizadas.

Quem recebeu TPA demonstrou maiores taxas de queda de desempenho cognitivo ao longo do tempo em relação a todos os controles (P = 0,01). Os grupos não diferiram na linha de base em suas características (P > 0,05). No entanto, os pacientes que receberam TPA eram mais propensos a demonstrar desempenho prejudicado no prazo de 6 e 12 meses (P para ambas as comparações <0,05). A idade na linha de base, a reserva cognitiva, os sintomas depressivos e a fadiga não modificaram o impacto da TPA no desempenho cognitivo (P para todas as comparações = 0,09). Em análises genéticas exploratórias, o polimorfismo de GNB3 rs1047776 foi associado com maiores taxas de desempenho prejudicado ao longo do tempo no grupo de TPA (P <0,001).

 

Aplicações Práticas

Neste estudo podemos observar que os pacientes tratados com a terapia de privação de androgênio tiveram maior tendência de piorar seu desempenho cognitivo, principalmente em médio prazo (com 6 e 12 meses após a terapia). Esse dado é fundamental para se discutir com pacientes suas opções de tratamento e possíveis eventos adversos decorrentes das mesmas.

 

Bibliografia

Gonzalez BD et al. Course and predictors of cognitive function in patients with prostate cancer receiving androgen-deprivation therapy: A controlled comparison. J Clin Oncol 2015 May 11; [e-pub]. (http://dx.doi.org/10.1200/JCO.2014.60.1963)

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