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Quais as evidências que dão suporte ao uso de canabinoides na prática clínica?

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 23/10/2015

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Contexto Clínico

A cannabis e as drogas canabinoides são amplamente utilizadas para tratar a doença ou aliviar os sintomas, mas a sua eficácia para indicações específicas não é clara. Para saber qual a evidência em termos de eficácia clínica e indicações do uso de canabinoides, foi feita uma revisão sistemática dos benefícios e eventos adversos (EAs) dos canabinoides.

 

O Estudo

Para esta revisão sistemática, foram selecionados ensaios clínicos randomizados de canabinoides para as seguintes indicações: náuseas e vômitos devido à quimioterapia, estímulo do apetite em HIV/AIDS, dor crônica, espasticidade devido à esclerose múltipla ou paraplegia, depressão, transtorno de ansiedade, distúrbio do sono, psicose, glaucoma e síndrome de Tourette.

Principais resultados e medidas buscados foram: resultados relevantes e específicos para a doença, atividades de vida diária, qualidade de vida, impressão global de mudança e eventos adversos.

Um total de 79 ensaios (6462 participantes) foi incluído; 4 foram julgados de baixo risco de viés. A maioria dos estudos mostrou melhora nos sintomas associados com canabinoides, mas estas associações não alcançaram significância estatística em todos os ensaios. Em comparação com placebo, os canabinoides foram associados a um maior número médio de pacientes que mostram uma melhora completa de náuseas e vômitos (47% vs 20%; odds ratio [OR], 3,82 [IC 95%, 1,55-9,42]; 3 ensaios), redução de dor (37% vs 31%; OR 1,41 [IC 95%, 0,99-2,00]; 8 ensaios), uma maior redução média na avaliação da dor em escala de classificação numérica (em uma escala de 0-10 pontos; diferença da média ponderada de -0,46 [IC95%, -0,80 a -0,11]; 6 ensaios), e redução média na escala Ashworth de espasticidade (diferença da média ponderada de -0,36 [IC95%, -0,69 a -0,05]; 7 ensaios). Houve um aumento do risco de curto prazo de EAs com canabinoides, incluindo eventos adversos graves. Eventos adversos comuns incluíram tonturas, boca seca, náuseas, fadiga, sonolência, euforia, vômitos, desorientação, sonolência, confusão, perda de equilíbrio e alucinação.

 

Aplicações Práticas

Houve evidência na qualidade moderada para apoiar o uso de canabinoides para o tratamento da dor crônica e espasticidade. Houve evidência de baixa qualidade sugerindo que os canabinoides foram associados a melhorias de náuseas e vômitos devido à quimioterapia, ganho de peso na infecção pelo HIV, distúrbios do sono e síndrome de Tourette. Os canabinoides foram associados com um risco aumentado de curto prazo para EAs. 

 

Bibliografia

 

Whiting PF et al. Cannabinoids for medical use: A systematic review and meta-analysis. JAMA 2015 Jun 23/30; 313:2456.

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