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Terapia Antirretroviral em HIV precoce assintomático

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 05/01/2016

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Contexto Clínico

Ainda faltam dados de ensaios clínicos randomizados na literatura que explorem  os benefícios e os riscos de iniciar a terapia antirretroviral em pacientes com infecção assintomática pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), que têm uma contagem de CD4 + mais de 350 células por milímetro cúbico.

 

O Estudo

Esse foi um estudo em que foram randomizados adultos HIV-positivos que tiveram uma contagem de CD4 + mais de 500 células por milímetro cúbico para iniciar a terapia antirretroviral imediatamente (grupo imediato) ou adiá-la até que a contagem de CD4 + diminuísse para 350 células por milímetro cúbico ou até  o desenvolvimento da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), ou outra condição, que adiantasse  o uso de terapia antirretroviral (Grupo tardio). O desfecho final primário composto foi qualquer evento grave relacionado com a AIDS, evento grave não relacionado a AIDS, ou morte por qualquer causa.

Um total de 4.685 pacientes foi acompanhado por uma média de 3,0 anos. No início do estudo, a carga viral HIV média foi de 12.759 cópias por mililitro, e a média de CD4 +  foi de 651 células por milímetro cúbico. Em 15 de maio de 2015, com base em uma análise provisória, os dados de monitoramento de segurança e o conselho determinaram que a pergunta tinha sido respondida pelo estudo e recomendaram que os pacientes no grupo de iniciação tardia recebessem terapia antirretroviral. O desfecho primário ocorreu em 42 pacientes no grupo imediato (1,8%; 0,60 eventos por 100 pessoas-anos), em comparação com 96 pacientes no grupo de iniciação tardia (4,1%; 1,38 acontecimentos por 100 pessoas-ano), para uma taxa de risco de 0,43 (IC95% 0,30-0,62; P <0,001). Taxas de risco para eventos não ligados à AIDS e de eventos graves não relacionados com AIDS foram 0,28 (IC95%, 0,15-0,50; P <0,001) e 0,61 (IC95%, 0,38-0,97; P = 0,04), respectivamente. Mais de dois terços dos pontos finais primários (68%) ocorreram em pacientes com uma contagem de CD4 + > 500 células por milímetro cúbico. Os riscos de um evento grau 4 foram semelhantes nos dois grupos, assim como os riscos de internações programadas.

 

Aplicações Práticas

Este é um estudo excelente em termos de resultado e mudança de perspectivas. A conclusão é que o início da terapia antirretroviral em adultos HIV-positivos com uma contagem de CD4 + mais de 500 células por milímetro cúbico gera benefícios, diminuindo eventos graves pela AIDS, ou não, além de morte por qualquer causa. O risco cai a menos da metade com o início precoce da terapia antirretroviral. Esta, sem dúvida, é uma prática para ser repensada nos ambulatórios de HIV/AIDS.

 

Referências

The INSIGHT START Study Group. Initiation of antiretroviral therapy in early asymptomatic HIV infection. N Engl J Med 2015;373:795-807

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