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Cisto Anexial

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 24/05/2016

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Quadro Clínico

Mulher de 81 anos, portadora de diabetes mellitus em uso de metformina, hipotireoidismo em uso de levotorixina e dislipidemia em uso de atorvastatina, é internada por dores abdominais de origem a esclarecer, realiza ultrassom de abdômen, cujo único achado pode ser vista na imagem 1.

 

Imagem 1- Ultrassom de Abdômen

 

 

 

Discussão

A paciente apresenta uma massa anexial na região ovariana direita. Mais especificamente podemos caracterizar a presença de um cisto com dimensões maiores do que 5cm.

Uma massa anexial pode ser encontrada em mulheres de todas as idades. A prevalência varia amplamente, dependendo da população estudada e os critérios utilizados. Por exemplo, em um estudo com 335 mulheres assintomáticas com idades entre 25 a 40 anos, a prevalência pontual de uma lesão anexial no exame de ultrassom foi de 7,8%, sendo a prevalência de cistos ovarianos de 6,6%. Já em outro estudo que utilizou ultrassonografia transvaginal em 8.794 mulheres pós-menopausa assintomáticas, um cisto anexial foi achado em 2,5% das pacientes.

A preocupação mais grave quando uma massa anexial é descoberta é a possibilidade de que seja maligna. As características que aumentam a probabilidade de malignidade incluem:

 

- Fase pré-puberdade ou pós-menopausa;

- Massa complexa ou sólida;

- Predisposição genética;

- Presença de câncer não ginecológicos (por exemplo, da mama ou gástrico);

- Presença de ascite.

 

O risco global de malignidade de uma massa anexial aumenta com a idade após a menarca e é de 6 a 11% em mulheres na pré-menopausa e 29 a 35% em mulheres na pós-menopausa. A incidência de câncer de ovário aumenta com a idade; pelo menos 30% dos tumores ovarianos em mulheres com mais de 50 anos de idade são malignos. Assim, uma massa ovariana em uma mulher pós-menopausa deve ser considerada maligna até prova em contrário. Massas anexiais malignas incluem os de origem ovariana primária; lesões metastáticas normalmente a partir do endométrio, mama e do trato gastrointestinal; e carcinomas nas trompas de falópio. As etiologias nãomalignas incluem: cistadenomas, leiomiomas, endometriomas e hidrossalpinge. A doença diverticular deve ser considerada na mulher mais velha que se apresenta com febre, dor pélvica do lado esquerdo e uma massa pélvica em exame pélvico ou ultrassom.

Cistos simples não são incomuns na pós-menopausa. Eles provavelmente representam cistos fisiológicos persistentes do período pré-menopausa ou atividade ovariana não ovulatória. Em um estudo com 15.000 mulheres com mais de 55 anos de idade que fizeram ultrassonografia transvaginal anual durante três anos, cistos simples foram vistos em 14% das mulheres já no primeiro ultrassom. No seguimento um ano, a incidência de novas cistos simples foi de 8%. Entre ovários com um cisto simples na primeira imagem, 32% não tinha massa ovariana, 62% tinham um ou mais cistos simples, e 6% tinham uma massa complexa ou sólida.

 

Referências

Castillo G, Alcázar JL, Jurado M. Natural history of sonographically detected simple unilocular adnexal cysts in asymptomatic postmenopausal women. Gynecol Oncol 2004; 92:965.

 

Pavlik EJ, Ueland FR, Miller RW, et al. Frequency and disposition of ovarian abnormalities followed with serial transvaginal ultrasonography. Obstet Gynecol 2013; 122:210.

 

Killackey MA, Neuwirth RS. Evaluation and management of the pelvic mass: a review of 540 cases. Obstet Gynecol 1988; 71:319.

 

Savelli L, Ghi T, De Iaco P, et al. Paraovarian/paratubal cysts: comparison of transvaginal sonographic and pathological findings to establish diagnostic criteria. Ultrasound Obstet Gynecol 2006; 28:330.

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