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Ciclosporina no Infarto Agudo do Miocárdio

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 14/03/2016

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Contexto Clínico

Ao longo das últimas décadas melhoramos muito o tratamento do infarto agudo do miocárdio, e hoje vemos resultados clínicos excelentes. Porém continuamos em busca de melhorias. Algumas evidências experimentais e clínicas sugerem que a ciclosporina poderia atenuar a lesão de reperfusão e reduzir o tamanho do infarto do miocárdio. Sendo assim, foi desenvolvido um estudo com o objetivo de testar se a ciclosporina poderia melhorar os resultados clínicos e prevenir o remodelamento do ventrículo esquerdo.

 

O Estudo

Em um estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado, 970 pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (STEMI), que foram submetidos à intervenção coronária percutânea (ICP) dentro de 12 horas após o início dos sintomas e que tinha oclusão total da artéria coronária culpada, foram alocados em dois grupos, ou para receber uma injeção de bolus de ciclosporina (administrada por via intravenosa a uma dose de 2,5 mg por quilograma de peso corporal) ou placebo correspondente antes da recanalização coronária. O desfecho primário avaliado foi um composto de morte por qualquer causa, agravamento da insuficiência cardíaca durante a internação inicial, re-hospitalização por insuficiência cardíaca, ou remodelamento ventricular esquerdo em um ano. Remodelamento ventricular esquerdo foi definido como um aumento de 15% ou mais no volume diastólico final ventricular esquerdo.

Um total de 395 pacientes no grupo da ciclosporina e 396 no grupo do placebo participaram do estudo. A taxa do desfecho primário foi de 59,0% no grupo ciclosporina e 58,1% no grupo controle (OR 1,04; IC95%  0,78-1,39; P = 0,77). A ciclosporina não reduziu a incidência dos componentes clínicos separados do resultado primário ou outros eventos, incluindo infarto recorrente, angina instável e acidente vascular cerebral. Não se observou qualquer diferença significativa no perfil de segurança entre os dois grupos de tratamento.

 

Aplicações Práticas

 O que podemos concluir deste ensaio clínico randomizado é que não há vantagem clínica no uso da ciclosporina, apesar do que era hipotetizado. Pelo menos como facilitador de reperfusão com angioplastia via intervenção coronária percutâna. Sendo assim, pelo menos por hora, podemos abandonar essa ideia e manter o tratamento nos padrões vigentes.

  

Referências

Cung TT et al. Cyclosporine before PCI in Patients with Acute Myocardial Infarction. N Engl J Med 2015; 373:1021-1031.

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