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Profilaxia de TEV Após Artroscopia de Joelho ou Imobilização da Parte Inferior da Perna

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 12/01/2018

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Contexto Clínico

 

Discute-se o uso da tromboprofilaxia para prevenir tromboembolismo venoso (TEV) clinicamente aparente após artroscopia de joelho ou imobilização da porção inferior da perna por fratura. Foi comparada a incidência de TEV sintomático após esses procedimentos entre os pacientes que receberam e os que não receberam terapia anticoagulante profilática.

 

O Estudo

 

Foram feitos dois ensaios paralelos, multicêntricos, randomizados, controlados e abertos com avaliação de resultados cegos: o ensaio POT-KAST, que incluiu pacientes submetidos à artroscopia do joelho, e o POT-CAST, que incluiu os tratados com imobilização da canela. Os doentes foram designados para receber uma dose profilática de heparina de baixo peso molecular (por 8 dias após a artroscopia no ensaio POT-KAST, ou durante todo o período de imobilização devido à fratura no ensaio POT-CAST) ou sem terapêutica anticoagulante. Os desfechos primários foram as incidências cumulativas de TEV sintomático e sangramento maior nos 3 meses após o procedimento.

No ensaio POT-KAST, 1.543 doentes foram submetidos à randomização, dos quais 1.451 foram incluídos na intenção de tratar. O TEV ocorreu em 5 dos 731 pacientes (0,7%) no grupo de tratamento e em 3 dos 720 pacientes (0,4%) no grupo controle (RR 1,6; IC 95%, 0,4 a 6,8; diferença absoluta de risco, 0,3 pontos percentuais; IC 95%, -0,6 a 1,2). Ocorreram hemorragias significativas em 1 paciente (0,1%) no grupo de tratamento e em 1 (0,1%) no grupo controle (diferença absoluta de risco, 0 ponto percentual; IC 95%, -0,6 a 0,7).

No ensaio POT-CAST, 1.519 doentes foram submetidos à randomização, dos quais 1.435 foram incluídos na intenção de tratar. O TEV ocorreu em 10 dos 719 pacientes (1,4%) no grupo de tratamento e em 13 dos 716 pacientes (1,8%) no grupo controle (RR 0,8; IC 95%, 0,3 a 1,7; diferença absoluta de risco, -0,4 pontos percentuais; IC 95%, -1,8 a 1,0). Não ocorreram eventos hemorrágicos significativos. Em ambos os ensaios, o evento adverso mais comum foi a infecção.

 

Aplicação Prática

 

Os resultados desses ensaios clínicos mostraram que a profilaxia com heparina de baixo peso molecular por período de 8 dias após a artroscopia do joelho ou durante todo o período de imobilização devido à fratura na parte inferior da perna não foi eficaz na prevenção do TEV sintomático. Por ora, e com base nesses ensaios clínicos, que constituem as melhores evidências disponíveis, não é recomendado o uso de profilaxia de TEV nessas situações.

 

Bibliografia

 

                 Van Adrichem RA et al. Thromboprophylaxis after Knee Arthroscopy and Lower-Leg Casting. N Engl J Med 2017; 376:515-525.

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