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1 Medidas de Prevenção para Reduzir o Risco de Malária

Última revisão: 27/10/2009

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Reproduzido de:

Guia para Profissionais de Saúde sobre Prevenção da Malária em Viajantes [Link Livre para o Documento Original]

Série A. Normas e Manuais Técnicos

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Diretoria Técnica de Gestão

Brasília / DF – 2008

 

As recomendações serão sistematizadas de forma didática em:

 

a)   Avaliação do risco

b)   Prevenção contra picadas de mosquitos

c)   Diagnóstico e tratamento precoces

d)   Quimioprofilaxia e/ou tratamento auto-administrado

 

AVALIAÇÃO DO RISCO

Epidemiologia e Áreas de Risco de Adquirir Malária

A primeira avaliação deve ser a estimativa do risco de o viajante adquirir malária no destino. A Incidência Parasitária Anual (IPA), a proporção de casos de malária por Plasmodium falciparum, a área específica de transmissão da malária e a disponibilidade de rede de diagnóstico e tratamento nas proximidades do destino fornecem informações importantes para estimar o risco de o viajante adquirir malária na região a ser visitada.

A OMS classifica as áreas de transmissão de malária a partir da IPA (casos por 1.000 habitantes):

 

      IPA de 0 – sem transmissão autóctone

      IPA >0 a <1 – baixa endemicidade

      IPA de 1 e mais – alta endemicidade

 

Visitar áreas com alto risco de transmissão de P. falciparum e/ou com a presença de transmissão em perímetro urbano e/ou localidades onde o acesso ao diagnóstico e tratamento seja superior a 24 horas indica risco elevado de adquirir malária e desenvolver formas graves da doença. Ressalta-se que esses indicadores são dinâmicos nas regiões de transmissão de malária e o profissional deve buscar informações atualizadas.

Segundo dados da literatura (OMS, The Global Surveillance Network of the International Society of Travel Medicine – GeoSentinel – and Centers for Disease Control and Prevention, e European Network on Imported Infectious Disease Surveillance – TropNetEurop), as regiões da África subsaariana (África Ocidental incluindo perímetro urbano), Papua Nova Guiné, República Dominicana e Haiti são consideradas as principais áreas de risco de transmissão de malária por P. falciparum para viajantes.

 

Figura 1. Áreas de transmissão de malária no mundo, 2007.

 

Fonte: OMS.

 

No Brasil, 99,9% da transmissão da malária concentra-se na região da Amazônia Legal. O Sistema de Informação Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária) disponibiliza informações atualizadas das localidades com transmissão de malária na Amazônia Legal, pelo site http://dw.saude.gov.br.

 

Figura 2. Incidência Parasitária Anual (IPA), Amazônia Legal, 2007.

 

Fonte: Sivep-Malária/SVS/MS.

 

Risco Individual do Viajante

Para determinar o risco individual de adquirir malária é necessário que o profissional obtenha informações detalhadas sobre a viagem. Roteiros que incluam as características descritas abaixo são aqueles que oferecem risco elevado de transmissão e, conseqüentemente, de manifestação de malária grave ao viajante.

 

SITUAÇÕES DE RISCO ELEVADO

      Itinerário da viagem: destino que inclua locais com níveis elevados de transmissão de malária e/ou transmissão em perímetro urbano.

      Objetivo da viagem: viajantes que visitam amigos e parentes e/ou realizam atividades do pôr-do-sol ao amanhecer.

      Condições de acomodação: dormir ao ar livre, em acampamentos, barcos, ou habitações precárias sem proteção contra mosquitos.

      Duração da viagem: período da viagem maior que o período de incubação da doença, ou seja, permanecer no local tempo maior que o período mínimo de incubação da doença (sete dias).

      Época do ano: viagem próxima ao início ou término da estação chuvosa.

      Altitude do destino: destinos até 1.000 m de altitude.

      Acesso ao sistema de saúde no destino distante em mais de 24 horas.

 

Os indivíduos de áreas onde a malária não é endêmica[1], assim como, crianças menores de cinco anos de idade, gestantes, idosos, esplenectomizados e pessoas vivendo com HIV/SIDA, neoplasias e transplantes apresentam risco elevado de doença grave.

Deve-se ter especial atenção com os viajantes que visitam amigos e parentes, pois habitualmente subestimam os riscos de adquirir malária, não adotam as medidas de proteção aumentando o risco de adquirir malária e suas complicações.

Independentemente do risco de exposição à malária, o viajante deve ser informado sobre as principais manifestações da doença e orientado a procurar assistência médica imediatamente ao apresentar qualquer sinal ou sintoma.

 

Áreas de Risco de P. falciparum Resistente

Outra informação importante é o padrão de resistência do P. falciparum às principais drogas antimaláricas (cloroquina, sulfadoxina/pirimetamina, mefloquina) no destino (Figura 3).

A Rede Amazônica de Vigilância da Resistência às Drogas Antimaláricas (RAVREDA), criada em 2001 com o objetivo de monitorar a resistência aos antimaláricos em toda a região amazônica descreveu, em estudos recentes, o padrão de resistência dos parasitos na Bacia Amazônica (Tabela 1).

No Brasil (Amapá, Amazonas e Pará), a avaliação do esquema de tratamento com quinino+doxiciclina apontou eficácia inferior a 90%, abaixo do limiar recomendado pela OMS.

Atualmente, as principais regiões do mundo onde ocorrem a multirresistência compreendem áreas de fronteira da Tailândia, Camboja e Miamar, Oceania e África Ocidental.

Informações atualizadas sobre resistência antimalárica podem ser encontradas nos sites http://www.who.int e http://www.cdc.gov/travel.

 

Figura 3. Resistência de P. falciparum a drogas antimaláricas, centros sentinelas até 2004 (OMS/ Roll Back Malaria)

 

Fonte: ©WHO, 2005

 

Tabela 1. Estudos de avaliação de eficácia de drogas antimaláricas para o tratamento de malária P. falciparum não complicada nas Amazônia – RAVREDA-AMI 2002 – 2006*

País

Droga

Ano estudo

N° de estudos

Falha terapêutica (%)

Mediana

Intervalo

Percentil

Mínimo

Máximo

25th

75th

BRASIL

AT+LM

2005

1

0

 

 

 

 

MQ

2005

4

6,5

1

9

4,7

7,5

Q+DOX

2005

2

14,5

11

18

12,7

16,2

COLÔMBIA**

AQ

2002-2004

5

38

15

57

23

42

AQ+SP

2002-2003

3

2,2

0

2,3

1,1

2,2

AS+SP

2003-2004

2

2

1,9

2,1

1,9

2

MQ

2002-2003

3

2,2

0

6,4

1,1

4,3

MQ+SP

2003-2004

1

0

 

 

 

 

SP

2002-2003

1

0

 

 

 

 

EQUADOR**

AQ

2004

1

47

 

 

 

 

AQ+SP

2004

1

0

 

 

 

 

AS+SP

2003

1

0

 

 

 

 

AT+LM

2005

1

0

 

 

 

 

CQ

2002-2003

1

80

 

 

 

 

CQ+SP

2003

1

0

 

 

 

 

SP

2002-2003

1

0

 

 

 

 

GUIANA

AS+MQ

2005

1

1,2

 

 

 

 

AT+LM

2004

1

0

 

 

 

 

MQ

2005

1

3,6

 

 

 

 

PERU

CQ

2002

1

90

 

 

 

 

SP

2002

1

12

 

 

 

 

SURINAME

AS+DOX

2002-2003

1

18

 

 

 

 

AS+MQ

2002

2

2

2

6

3

5

AT+LM

2003

2

1,9

1,9

2

1,9

2

MQ

2002

1

7

 

 

 

 

VENEZUELA

AS+MQ

2004

1

0

 

 

 

 

AT+LM

2004

1

0

 

 

 

 

CQ

2002

2

88

76

100

82

94

Q+PQ

2003

2

9,6

9,6

22,2

9,6

9,6

AT = artemether; LM = lumefantrina; MQ = mefloquina; Q = quinino; DOX = doxiciclina; AQ = amodiaquina; SP = sulfadoxina/pirimetamina; AS = artesunato; CQ = cloroquina.

*Rede Amazônica de Vigilância da Resistência às Drogas Antimaláricas (RAVREDA) em trabalho conjunto com Ministérios da Saúde, Centros de Pesquisa e Serviços de Saúde, apoio técnico Organização Pan-Americana da Saúde OPS/OMS e apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos da América para Desenvolvimento Internacional (USAID) por meio da Iniciativa Amazônica para a Malaria (AMI).

**Estudos na Colômbia e Equador ocorreram na costa do pacífico e norte da Colômbia.

OBS: Peru e Bolívia avaliaram ACT e primeira linha de tratamento entre 1999-2001 antes da constituição oficial da RAVREDA usando o mesmo protocolo e metodologia que os estudos RAVREDA-AMI.

 

PROTEÇÃO CONTRA PICADAS DE INSETOS

As medidas de proteção contra picadas de mosquitos devem ser enfaticamente recomendadas a todos os viajantes com destino a áreas de risco de malária, e incluem:

 

      Informação sobre o horário de maior atividade de mosquitos vetores de malária, do pôr-do-sol ao amanhecer.

      Uso de roupas claras e com manga longa, durante atividades de exposição elevada.

      Uso de medidas de barreira, tais como telas nas portas e janelas, ar condicionado e uso de mosquiteiro impregnado com piretróides.

      Uso de repelente. Os principais produtos disponíveis no mercado nacional à base de dietilmetaloamida (DEET) possuem concentrações que variam de 7 a 12% e devem ser reaplicados, pelo menos, a cada duas horas. Já existem disponíveis, em algumas redes de distribuição no país, novos produtos com concentrações mais elevadas (DEET 20%, 35% e 50%). Esses produtos permitem reaplicações com intervalos maiores, podendo ser aplicados a cada cinco horas para aqueles com concentração de 50%.

 

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Consta no documento:

“Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.”

O objetivo do site MedicinaNet e seus editores é divulgar este importante documento. Esta reprodução permanecerá aberta para não assinantes indefinidamente.



[1] Residentes de áreas endêmicas podem apresentar sucessivas infecções e gradualmente adquirem imunidade contra malária. Esta imunidade inclui o desenvolvimento de mecanismos que podem matar os parasitos ou impedir a sua replicação no hospedeiro, contribuindo para o não surgimento de apresentações clínicas grave da doença neste grupo. Esta imunidade adquirida tende a ser perdida com o afastamento da área endêmica e de novas exposições ao parasito.

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