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Hipolipemiante

Última revisão: 17/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

13.7  Hipolipemiantes

 

Rosa Martins

 

A dislipidemia consiste em distúrbio no metabolismo de lipídios, que pode resultar na alteração dos lipídios séricos com elevação do colesterol total (CT), elevação do colesterol ligado a lipoproteína de baixa densidade (low density lipoprotein cholesterol – LDL-C), elevação dos triglicerídeos (TG), e/ou diminuição do colesterol ligado a lipoproteína de alta densidade (high density lipoprotein cholesterol – HDL-C). Estas alterações constituem fator de risco para aterosclerose e, consequentemente, para doença coronariana, principal causa de morte por DCV. Desta forma, a identificação de indivíduos assintomáticos, mais predispostos a dislipidemia, é aspecto importante para prevenção e correta definição das metas terapêuticas.

A prevalência de dislipidemia está relacionada ao aumento das DCV, existindo associação em potência com hábitos de vida (tabagismo, etilismo, sedentarismo e ingestão de alimentos ricos em gordura) e com algumas doenças (hipertensão, diabestes e obesidade). A causa de dislipidemia pode ser primária, definida geneticamente, e secundária, decorrente de interferência nas funções metabólicas por doença ou uso de medicamentos.

A dislipidemia primária é classificada em: hipercolesterolemia isolada (elevação isolada do LDL-C); hipertrigliceridemia isolada (elevação isolada dos TG); hiperlipidemia mista (elevação tanto do LDL-C quando dos TG) e HDL-C baixo (redução de HDL-C associada ou não a elevação LDL-C e TG). De modo geral, os valores de referência aceitos como normais para as frações lípidicas são:

 

Quadro 1. Valores de referência aceitos como normais para as frações lipídicas.

 

 

Adaptado de Sposito, 2007.

* depende da idade.

 

Estas metas são mais rigorosas de acordo com comorbidades e estratificação dos fatores de risco para doença coronariana. Outras frações lipídicas, como por exemplo VLDL, são avaliadas em situações específicas.

O controle mais rigoroso da concentração de lipídicos implica na prevenção primária (definida no caso de pacientes com risco aumentado, mas sem prova clínica de DCV, como enfarte agudo do miocárdio, angina, doença cerebrovascular, doença vascular periférica e que não foi submetido a revascularização); a prevenção secundária aplica-se a pacientes com eventos clínicos cardiovasculares preexistentes. A abordagem do paciente com dislipidemia deve ser multiprofissional para manter o estímulo e auxiliar na adesão ao tratamento para atingir as metas desejadas. A intenção do tratamento consiste em reduzir as frações lipídicas aos valores considerados normais, baseados nas características clínicas de cada paciente.

O tratamento deve ser implementado segundo a estratificação do risco para DCV de cada paciente definida pela equação de risco de Framingham. Aos pacientes assintomáticos e de baixo risco recomenda-se, inicialmente, apenas medidas não-farmacológicas com base na mudança do estilo de vida – re-educação alimentar com redução do consumo de gordura e aumento da ingestão de fibras, perda de peso, plano de atividade física e cessação do tabagismo. As medidas farmacológicas de prevenção primária e secundária de doença coronariana compreendem o uso de diferentes classes de agentes hipolipemiantes, entre elas as estatinas e os fibratos. Os hipolipemiantes devem ser empregados sempre que não houver resultado satisfatório com as medidas não farmacológicas, ou na impossibilidade de aguardar estes resultados por prioridade clínica. A escolha da classe terapêutica está condicionada ao tipo de dislipidemia presente e deve-se levar em conta seu benefício em desfechos primordiais (enfarte de miocárdio, angina sem controle, morte súbita e necessidade de revascularização miocárdica) nos pacientes com risco moderado a alto.

As estatinas são inibidoras da hidroximetilglutaril-coenzima A redutase (HMG-CoA) enzima que regula a velocidade de síntese do colesterol e é a primeira escolha para redução do LDL-C. Em prevenção primária e secundária da doença cardiovascular, as estatinas reduzem o risco de eventos coronarianos maiores, mortalidade cardiovascular e mortalidade total, sem aumentar mortalidade não-cardiovascular. Consequentemente, as estatinas devem ser consideradas rotineiramente em todos os pacientes com fator de risco para doença coronariana com ou sem alteração do LDL-C. Os demais fármacos hipolipemiantes são hoje considerados adjuvantes em casos resistentes ao controle lipídico somente com estatinas.

Os fibratos são escolha como monoterapia quando teores séricos de TG estão muito elevados, acompanhados de baixos teores de HDL-C, condição comum nos pacientes com diabete melito e síndrome metabólica. É opção terapêutica naqueles pacientes com doença coronariana instalada e dislipidemia aterogênica, ou podem ser usados em combinação com as estatinas nos pacientes com dislipidemia aterogênica e elevado LDL-C.

Sinvastatina possivelmente atua por meio de outros mecanismos tais como diminuição da inflamação vascular, melhora da função endotelial, redução da adesão plaquetária e da formação de trombos. Está indicada no controle das frações lipídicas tendo capacidade de reduzir de 15% a 55% o LDL-C, em 7% a 30% o TG, e aumentar o HDL-C de 5% a 10% (ver monografia, página 938).

Fenofibrato, um derivado do ácido fibrico, tem ação mais dirigida à redução dos TG. No entanto, além de reduzir em 10% a 30% os teores de TG, é capaz de aumentar os de HDL-C de 5% a 30%, sem alterar significantemente os de LDL-C. Os benefícios terapêuticos comprovados restringem seu uso como adjuvante à sinvastatina para o tratamento de dislipidemia e profilaxia primária e secundária de doença arterial coronariana de pacientes com diabete melito tipo 2. A apresentação em cápsula de 67 mg seria desejável para início de tratamento e para pacientes com insuficiência renal (ver monografia, página 701).

 

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