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Soluções para Diálise

Última revisão: 18/09/2015

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Reproduzido de:

Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010 [Link Livre para o Documento Original]

Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2010

 

Soluções para diálise

Rogério Hoefler

 

Em pacientes com insuficiência renal, hemodiálise é o método preferido para corrigir o acúmulo de toxinas, eletrólitos e fluidos.

A fórmula da solução para hemodiálise deve conter um agente tamponante, visando à manutenção do equilíbrio ácido-base, além de eletrólitos, glicose e um ácido orgânico. Em soluções com altas concentrações de cálcio e magnésio, a adição do tampão bicarbonato pode resultar em formação de carbonatos, levando à precipitação. Uma opção adotada no passado foi o emprego do tampão acetato, composto que sofre biotransformação, principalmente nos músculos, gerando bicarbonato em sequência de reações químicas que consomem dióxido de carbono. Contudo, as sessões de hemodiálise com acetato como agente tamponante podem produzir substante elevação do teor de acetato no sangue, que se associa com a ocorrência de náuseas e vômitos, cefaleia, acidose metabólica, desequilíbrio hemodinâmico e hipoxia.

Atualmente, empregam-se em hemodiálise duas soluções concentradas, uma alcalina e outra ácida, para evitar as precipitações associadas ao bicarbonato e os efeitos adversos atribuídos ao acetato.

O agente tamponante utilizado nas soluções concentradas é o bicarbonato de sódio a 8,4%, componente da solução alcalina. A solução ácida contém glicose, eletrólitos e pequena quantidade de ácido orgânico (acético, lático ou cítrico). Durante a sessão de hemodiálise, as duas soluções são continuamente aspiradas e misturadas com água tratada, constituindo o banho de diálise diluído, com pH entre 6,8 e 7,3 e sem riscos de precipitação de sais de cálcio ou magnésio. A tendência atual é usar soluções dialíticas com concentrações de sódio de 138 a 140 mEq/L, que se associam a maiores ganhos de intervalo dialítico e hiperpotassemia. No que concerne às concentrações de potássio, os valores de 1,5 a 2,0 mEq/L são habitualmente utilizados. Valores próximos aos limites superiores são recomendados para pacientes predispostos a arritmias e para aqueles que fazem uso prolongado de digitálicos. Quando se utilizam banhos com concentrações de cálcio da ordem de 3,5 mEq/L, o resultado é um balanço positivo de cálcio na maioria das sessões de hemodiálise. A diálise sem glicose está associada à perda de glicose (e estímulo à cetogênese e gliconeogênese), maior redução na osmolaridade plasmática durante o procedimento e, eventualmente, sinais clínicos de hipoglicemia. A diálise com teor de glicose próximo aos valores normais é intuitivamente mais fisiológica. A solução ácida concentrada para hemodiálise disponível no Brasil contém os eletrólitos sódio, potássio, cálcio, magnésio e cloreto, além de glicose e ácido acético, nos limites recomendados para segurança e efetividade nas sessões de diálise.

As soluções para diálise peritoneal são empregadas para corrigir desequilíbrio eletrolítico e sobrecarga de fluido, e remover metabólitos, em pacientes com insuficiência renal. Este tipo de diálise é menos eficiente que a hemodiálise, mas é preferida em crianças, nos pacientes diabéticos e naqueles com doença cardiovascular sem controle. Também é usada em pacientes capazes de manejar sua condição ou naqueles que estão longe de um centro de diálise. Contudo, é imprópria para pacientes que tenham se submetido a significante cirurgia abdominal. Durante a diálise peritoneal, uma solução é infundida na cavidade peritoneal (abdome), por meio de um cateter, onde ocorre troca de eletrólitos por difusão e convecção, e o fluido excedente é removido por osmose, usando a membrana peritoneal como uma membrana osmótica. Depois de determinado tempo, o líquido é drenado, reiniciando assim um novo ciclo (ver monografia, página 942).

 

Há duas formas de diálise peritoneal:

-diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) – realizada manualmente pelo paciente, muitas vezes ao dia.

-diálise peritoneal automatizada (APD) – realizada por máquina, durante a noite.

 

A CAPD é muito utilizada em hospitais de países em desenvolvimento, por causa de simplicidade de manuseio das trocas de banho e a suavidade do próprio processo. Contudo, as provas atuais são insuficientes para se estabelecer a efetividade relativa da CAPD, comparativamente à hemodiálise em hospital ou em residência, para adultos com doença renal em estágio terminal. A APD não se mostrou significantemente mais vantajosa do que a CAPD em desfechos clínicos importantes, como função renal residual. Contudo, a APD pode ser considerada útil em grupos selecionados de pacientes, tais como nos mais jovens e naqueles que trabalham ou estudam, por sua vantagem psicossociais. A complicação mais comum e grave da diálise peritoneal é a infecção do peritônio (peritonite), associada a importante morbidade e abandono da técnica pelos doentes em tratamento. O risco para o desenvolvimento de peritonite deve-se a diversos fatores, tais como tempo prolongado de tratamento, velocidade das trocas dos banhos, concentrações das soluções e o uso do cateter, o qual mantém comunicação do peritônio com o meio externo.

Atualmente, antibióticos de amplo espectro devem ser empregados no momento em que é feito o diagnóstico de peritonite. Em casos de peritonite recorrente, a conduta mais importante é remover o cateter de diálise. As soluções para diálise peritoneal contêm eletrólitos em concentrações semelhantes às encontradas no plasma, além de glicose ou outro agente osmótico apropriado. Tais soluções sempre contêm sódio, cloreto e bicarbonato (ou um precursor); elas também podem conter cálcio, magnésio, e raramente potássio.

 

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