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Eletrocardiograma 76

Autores:

Fernando de Paula Machado

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do HC-FMUSP. Médico Diarista do Pronto-Atendimento do Hospital Sírio-Libânes.

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 01/04/2019

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Quadro Clínico

Homem de 40 anos em 2o PO de cirurgia de revascularização do miocárdio, apresentando dor região epigástrica.

 

Eletrocardiograma do paciente

 

 

 

Ver diagnóstico abaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentário

            Eletrocardiograma apresenta ritmo sinusal, bloqueio de ramo direito e presença de supradesnível de segmento ST nas derivações V1- V4. Apesar das porções terminais do QRS alentecidas pela ativação tardia do ventrículo direito (BRD), não se observa infradesnível do segmento ST nas derivações inferiores (imagem em espelho).  O diagnóstico clínico de síndrome coronariana aguda com supra de ST de parede anterior deve ser afastado no contexto de pós-operatório de cirurgia cardíaca.

            A elevação do segmento ST maior ou igual a 0,1 mv em duas ou mais derivações contíguas no pós-operatório deve ser avaliada criteriosamente, pois pode ser decorrente da revascularização de uma área inativa prévia, de aneurismectomia isolada ou associada, de pericardite, ou de espasmo de um enxerto arterial ou de uma artéria coronária nativa. Existem, também, várias outras condições que podem se apresentar com supra de ST, devendo ser reconhecidas para evitar diagnósticos errôneos. Estas incluem hipertrofia ventricular esquerda (HVE) com alterações secundárias de repolarização, repolarização precoce, angina de Printzmetal, aneurisma crônico de VE, pericardite aguda, embolia pulmonar, síndrome de brugada, hipercalemia grave, hipercalcemia.

            O paciente em questão não apresentou em nenhum momento instabilização hemodinâmica, sendo realizado ecocardiograma que apresentou contratilidade normal, sem déficit segmentar. Logo em seguida, comparou-se o ECG do pós-operatório com o prévio (antes da cirurgia), verificando-se que “eram iguais”. O paciente recebeu medicação para epigastralgia com melhora do quadro.

            O diagnóstico feito foi de “repolarização precoce”. Sabe-se que na população saudável mais de 90% dos pacientes entre 16 e 58 anos tem supra de ST de 1 a 3 mm em uma ou mais derivações, principalmente v2. A prevalência de supra de ST declina com a idade, chegando a 30% em homens com 70 anos, ao contrario de mulheres, onde a prevalência é estável em torno de 20 % ao longo dos anos. Este tipo de Supra de ST é mais proeminente em FC baixas e aumentado por estimulo vagal. Assim, alterações dinâmicas do segmento ST podem ser confundidas com isquemia aguda transmural.

 

Comparação de alterações do ECG associadas com pericardite, IAM e repolarização precoce:

 

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