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Colecistopatia Calculosa Crônica

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 21/12/2015

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Quadro Clínico

Paciente feminina, 53 anos, portadora de dislipidemia e hipotireoidismo em uso regular de medicamentos, vem se queixando de dores abdominais no andar superior do abdômen há três meses. As dores têm caráter de cólica e surgem no período pós-refeição, associada a náuseas, sem outros comemorativos. Durante a investigação foi solicitado ultrassom de abdômen superior, sendo que podemos ver algumas imagens da vesícula biliar (Imagem 1 e 2).

 

Imagem 1 – Ultrassonografia da vesícula biliar

 

 

Imagem 2 – Ultrassonografia da vesícula biliar

 

 

  

Diagnóstico e Discussão

O principal achado do ultrassom foi o seguinte:

Vesícula biliar normodistendida, com paredes finas e regulares, com cálculos móveis às manobras de decúbito, medindo de 1,0 cm a 2,0cm.

Sendo assim, podemos caracterizar que a dor abdominal apresentada pela paciente é decorrente de uma colecistopatia calculosa crônica, bem definida pela presença de cálculos biliares na vesícula. Os cálculos biliares são comuns, particularmente em populações ocidentais. Nos Estados Unidos, os cálculos biliares estão presentes em aproximadamente 6% dos homens e 9 % das mulheres.

Esses pacientes podem ser categorizados em diferentes grupos conforme suas características clínicas em comum. Sendo assim, temos:

 

 Os cálculos biliares são um achado em exames de imagem, mas o paciente não tem sintomas (cálculos biliares incidentais);

O paciente tem sintomas típicos biliares e cálculos biliares em exames de imagem sem evidências de complicações (doença do cálculo biliar não complicada);

O paciente tem sintomas atípicos e cálculos biliares em exames de imagem;

O paciente tem sintomas biliares típicos, mas sem cálculos biliares no ultrassom.

 

Dentre os pacientes com achados incidentais de cálculos biliares, e, portanto, assintomáticos, aproximadamente 20%  desenvolverão sintomas em até 15 anos de follow-up, mas seus sintomas iniciais geralmente não serão graves. A taxa de mortalidade relacionada à doença do cálculo biliar incidental é significativamente menor do que a associada ao tratamento, razão pela qual a maioria dos especialistas aconselham contra uma colecistectomia em pacientes com litíase vesicular assintomática.

Entre os pacientes que desenvolvem sintomas, um número significativo irá posteriormente desenvolver complicações, razão pela qual a colecistectomia profilática é aconselhável uma vez que o paciente tenha desenvolvido sintomas biliares. Esta opção baseia-se numa variedade de grandes estudos populacionais que, no seu conjunto, indicam que uma vez que os sintomas biliares não complicados iniciais surgem, a possibilidade de sintomas recorrentes é de aproximadamente 30% por ano nos primeiros dois anos, e a possibilidade de desenvolver complicações está em cerca de 2 a 3 % ao ano. Uma vez que uma complicação se desenvolve, a chance de ter complicações adicionais, muitas vezes, mais graves,  é de aproximadamente 30% ao ano.

As complicações que podem se desenvolver em pacientes com cálculos biliares incluem colecistite aguda, coledocolitíase com ou sem colangite aguda, e pancreatite por cálculos biliares. Colecistite aguda é a complicação mais comum. Ocorre em 6 a 11% dos pacientes com cálculos biliares sintomáticos ao longo de um seguimento médio de 7 a 11 anos. As complicações raras incluem câncer de vesícula biliar, íleo do cálculo biliar, e síndrome de Mirizzi (impactação de um cálculo biliar no ducto cístico, causando compressão do colédoco ou ducto hepático).

Os doentes com litíase vesicular assintomática parecem ter um risco ligeiramente menor de complicações do que aqueles com cálculos biliares sintomáticos. Isso foi demonstrado em um estudo que acompanhou 123 pacientes com cálculos biliares assintomáticos e 298 pacientes com sintomas leves devido a cálculos biliares por até 25 anos. Constatou-se que a probabilidade cumulativa de desenvolvimento de complicações graves foi menor entre os pacientes com litíase vesicular assintomática em comparação com aqueles com sintomas leves após 5, 10, 15 e 20 anos de follow-up (4 contra 5%, 5 versus 12%, 10 contra 15%, e 16 versus 18%, respectivamente).

 

Referências

Warttig S, Ward S, Rogers G, Guideline Development Group. Diagnosis and management of gallstone disease: summary of NICE guidance. BMJ 2014; 349:g6241.

 

Festi D, Reggiani ML, Attili AF, et al. Natural history of gallstone disease: Expectant management or active treatment? Results from a population-based cohort study. J Gastroenterol Hepatol 2010; 25:719.

 

Ransohoff DF, Gracie WA. Treatment of gallstones. Ann Intern Med 1993; 119:606.

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