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O vírus chikungunya está se espalhando pelas Américas

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 12/12/2014

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Especialidades: Infectologia

 

Contexto Clínico

Em dezembro de 2013, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou a primeira transmissão local do vírus chikungunya no Ocidente, com casos autóctones identificadas na ilha de Saint Martin. Desde então, a transmissão local foi identificado em 17 países e territórios do Caribe ou da América do Sul (Anguilla, Antígua e Barbuda, Ilhas Virgens Britânicas, Dominica, República Dominicana, Guiana Francesa, Guadalupe, Guiana, Haiti, Martinica, Porto Rico, São Bartolomeu, Saint Kitts e Nevis, Santa Lúcia, San Martin, San Vicente e Granadinas, e Sint Maarten).

Em 30 de maio de 2014, um total de 103.018 casos suspeitos e 4.406 confirmados de chikungunya haviam sido relatados nesses locais. Mais de 95% dos casos foram relatados a partir de cinco países: República Dominicana (38.656 casos), Martinica (30.715), Guadalupe (24.428), Haiti (6318) e Saint Martin (4113). As maiores incidências foram relatadas de Saint Martin (115 casos por 1.000 habitantes), Martinica (76 por 1.000), São Bartolomeu (74 por mil) e Guadalupe (52 por mil). Uma nova expansão destes surtos possivelmente se espalhou para outros países da região.

Surtos prévios de chikungunya já foram documentados em países da África, da Ásia, da Europa, e dos Oceanos Índico e Pacífico. Antes da ocorrência de casos em Saint Martin, os únicos casos de chikungunya identificados nas Américas ocorreram em viajantes para áreas endêmicas. Nenhum desses casos resultaram em transmissão ou surtos local.

O vírus chikungunya é um alfavirus transmitido por mosquitos, principalmente pelo Aedes aegypti e o Aedes albopictus. Esses vetores também transmitem o vírus da dengue e são encontrados em grande parte das Américas, incluindo partes dos Estados Unidos. Os seres humanos são o hospedeiro primário de amplificação para o vírus chikungunya, e muitas pessoas infectadas desenvolvem doença sintomática.

Os achados clínicos mais comuns são início agudo de febre e poliartralgia. A poliartralgia geralmente é bilateral e simétrica, podendo ser grave e debilitante. A mortalidade é rara e ocorre principalmente em adultos mais idosos.

A infecção pelo vírus chikungunya deve ser considerada em pacientes com início agudo de febre e poliartralgia, especialmente os viajantes que voltaram recentemente de áreas com transmissão conhecida do vírus. O teste de diagnóstico do vírus chikungunya atualmente é realizado no CDC nos EUA.

Não existe um tratamento específico, vacina ou medicamento preventivo para a infecção pelo vírus chikungunya. O tratamento é paliativo e pode incluir repouso, líquidos e uso de analgésicos e antitérmicos. A maioria dos sintomas dos pacientes melhora dentro de uma semana. Em algumas pessoas, a dor nas articulações pode persistir por meses. A melhor maneira de prevenir a infecção pelo vírus chikungunya é evitar picadas de mosquito: uso de ar condicionado ou telas quando em ambientes fechados, usar repelentes de insetos, e usar camisas de mangas compridas e calças quando ao ar livre. Pessoas infectadas com o vírus chikungunya devem ser protegidas da exposição a mosquitos durante a primeira semana da doença para impedir a propagação do vírus.

Os profissionais de saúde são encorajados a denunciar os casos suspeitos de chikungunya ao seu estado ou departamento de saúde local para facilitar os testes de diagnóstico e minimizar o risco de transmissão local.

 

Aplicações Práticas

Este importante relato por parte do CDC dos EUA traz à tona o risco iminente da difusão do vírus chikungunya pelas Américas. Especialmente aqui no Brasil, com a grande presença de mosquitos Aedes aegypti que são transmissores de dengue, este risco é bastante grande. Deve se lembrar deste possível diagnóstico em viajantes recentes para áreas do Caribe. Caso pessoas se infectem em áreas de surtos como no Caribe e haja contato com mosquitos Aedes aqui no Brasil, haveria a possibilidade de um surto da doença em nosso País. Se por um lado não há ainda mortes descritas associadas a este vírus, devemos lembrar que pode gerar transtornos ao confundir o diagnóstico com dengue, e sempre há risco de mutação para formas mais graves do vírus, podendo no futuro gerar maior morbidade.

 

Bibliografia

Fischer M and Staples JE.Chikungunya virus spreads in the Americas — Caribbean and South America, 2013–2014. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2014 Jun 6; 63:500 (link para o report).

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