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Volvo de Sigmoide

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 20/05/2016

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Quadro Clínico

Mulher de 69 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e hipotireoidismo, quatro cesáreas prévias, procura pronto-socorro com história evolutiva nas últimas horas de dor e distensão abdominal. Chega taquicárdica, taquipneica, com fácies  de dor e muita dor à palpação do abdômen. A paciente é encaminhada para tomografia de abdômen, que detecta um volvo de sigmoide. A conduta sugerida, conservadora, é a de realização de uma colonoscopia para descompressão. Podemos ver o aspecto do volvo na imagem 1.

 

Imagem 1- Colonoscopia

 

 

 

Discussão

Podemos ver na imagem da colonoscopia uma região de constrição dentro do cólon sigmoide, algo que foi causado pelo volvo.

Volvo se refere a uma torção de um segmento do trato digestivo, o que geralmente leva à obstrução. Os locais mais comuns de ocorrência são o cólon sigmoide e o ceco. O volvo ocorre quando uma alça cheia de ar se torce sobre seu próprio mesentério. Quando a torção ultrapassa 180o ocorre obstrução intestinal. Já quando ultrapassa 360o ocorre isquemia.

Os dados epidemiológicos são muito discrepantes, com os episódios de volvo sendo responsáveis por 10 a 80% dos casos de obstrução intestinal a depender do local do mundo onde os estudos são feitos. A ocorrência é mais comum em pessoas acima dos 70 anos. Existem alguns fatores de risco para a ocorrência de volvo: anatomia com cólon sigmoide longo, dilatação do sigmoide causada por constipação crônica e dismotilidade colônica.

O diagnóstico pode ser suspeitado com base no quadro clínico. A maioria dos pacientes se apresenta com dor abdominal de início insidioso, e que progride lentamente, sendo acompanhada de náuseas, distensão abdominal e constipação. Vômitos ocorrem geralmente vários dias após o início da dor, que se torna contínua e grave, com característica de cólicas. Essa evolução normalmente leva de 3 a 4 dias. Devido à progressão mais lenta, esse quadro clínico pode passar despercebido em idosos institucionalizados.

A confirmação do diagnóstico se dá por exame de imagem, mais especificamente tomografia computadorizada. Os achados diagnósticos de volvo de sigmoide incluem um padrão de giro, causado pelo cólon sigmoide dilatado em torno de seu mesocólon e vasos. No entanto, características típicas de imagem podem estar ausentes em um quarto das tomografias.

Os diagnósticos diferenciais mais comuns são o megacólon tóxico e a síndrome de Ogilvie (ou pseudo-obstrução intestinal).

 

Referências

Halabi WJ, Jafari MD, Kang CY, et al. Colonic volvulus in the United States: trends, outcomes, and predictors of mortality. Ann Surg 2014; 259:293.

 

Gama AH, Haddad J, Simonsen O, et al. Volvulus of the sigmoid colon in Brazil: a report of 230 cases. Dis Colon Rectum 1976; 19:314

 

Mangiante EC, Croce MA, Fabian TC, et al. Sigmoid volvulus. A four­decade experience. Am Surg 1989; 55:41.

 

Ballantyne GH, Brandner MD, Beart RW Jr, Ilstrup DM. Volvulus of the colon. Incidence and mortality. Ann Surg 1985; 202:83.

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