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Antibióticos para Pequenos Abscessos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 11/10/2017

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Contexto Clínico

 

Abscessos de pele não complicados são comuns, mas o gerenciamento apropriado da condição na era do Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) associado à comunidade ainda não está claro.

 

O Estudo

 

Foi realizado um estudo multicêntrico, prospectivo, duplo-cego, envolvendo adultos e crianças ambulatoriais. Os pacientes foram estratificados de acordo com a presença de abscesso cirurgicamente drenável, o tamanho do abcesso, o número de locais de infecção da pele e a presença de celulite não purulenta. Participaram pacientes com abscesso de pele de 5cm ou menos de diâmetro. Após incisão e drenagem do abscesso, os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber clindamicina, trimetoprim-sulfametoxazol (TMP-SMX) ou placebo durante 10 dias. O resultado primário foi a cura clínica de 7 a 10 dias após o término do tratamento.

Foram inscritos 786 participantes: 505 (64,2%) eram adultos e 281 (35,8%), crianças. Um total de 448 (57,0%) dos participantes era do sexo masculino. O Staphylococcus aureus foi isolado de 527 participantes (67,0%), e o MRSA foi isolado de 388 (49,4%). Dez dias após a terapia na população de intenção de tratar, a taxa de cura entre os participantes no grupo da clindamicina foi semelhante à do grupo TMP-SMX (221 dos 266 participantes [83,1%] e 215 dos 263 participantes [81,7%], respectivamente; P = 0,73) e a taxa de cura em cada grupo de tratamento ativo foi maior do que no grupo placebo (177 de 257 participantes [68,9%], P <0,001 para ambas as comparações).

Os resultados na população de pacientes que poderiam ser avaliados foram semelhantes. Esse efeito benéfico foi restrito a participantes com infecção por Staphylococcus aureus. Entre os que foram inicialmente curados, as novas infecções ao primeiro mês de seguimento foram menos comuns no grupo da clindamicina (15 de 221, 6,8%) do que no grupo TMP-SMX (29 de 215 [13,5%], P = 0,03) ou o grupo placebo (22 de 177 [12,4%], P = 0,06). Os eventos adversos foram mais frequentes com clindamicina (58 de 265 [21,9%]) do que com TMP-SMX (29 de 261 [11,1%]) ou placebo (32 de 255 [12,5%]); todos os eventos adversos foram resolvidos sem sequelas. Um participante que recebeu TMP-SMX teve uma reação de hipersensibilidade.

 

Aplicação Prática

 

Neste estudo, em comparação com a utilização de incisão e de drenagem, o uso de clindamicina ou TMP-SMX em conjunto com incisão e drenagem melhorou os resultados a curto prazo em pacientes com abscesso simples. Esse benefício deve ser pesado contra o conhecido perfil de efeitos colaterais desses antimicrobianos. Deve-se levar em conta que, no Brasil, ainda não há tanto MRSA na comunidade; portanto, é possível que derivados ß-lactâmicos tenham bom efeito também.

 

Bibliografia

 

Daum RS et al. A Placebo-Controlled Trial of Antibiotics for Smaller Skin Abscesses. N Engl J Med 2017; 376:2545-2555

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