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Dor de Crescimento

Autor:

Maria Carolina dos Santos

Médica Assistente do Serviço de Reumatologia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo.

Última revisão: 15/03/2011

Comentários de assinantes: 2

INTRODUÇÃO

As dores musculoesqueléticas recorrentes em membros constituem queixas muito frequentes na faixa etária pediátrica, e a sua avaliação deve permitir a diferenciação entre causas orgânicas e não orgânicas. Dentre as causas não orgânicas, encontra-se a dor de crescimento.

A dor de crescimento é a principal causa de dor em membros e, na maioria das vezes, está associada à presença de conflitos emocionais ou problemas de adaptação ou relacionamento. Este termo teve seu uso consagrado, apesar de incorreto, pois não retrata a etiologia, uma vez que não se comprovou nenhuma relação entre a dor e a velocidade de crescimento.

A dor de crescimento apresenta uma incidência de 10 a 20%, ocorrendo com maior frequência na faixa etária pré-escolar a escolar (3 a 12 anos de idade).

 

ETIOPATOGENIA

A etiologia e a fisiopatologia da dor ainda não estão bem determinadas. Existem várias teorias para explicar a origem desta manifestação, incluindo fatores como fadiga, anormalidades biomecânicas, ansiedade materna e distúrbios emocionais. É muito comum a associação da dor de crescimento com outras dores recorrentes, como cefaleia e dor abdominal, e também com outros quadros de síndrome de amplificação dolorosa, que também podem ser desencadeados por distúrbios emocionais.

 

DIAGNÓSTICO

Quadro Clínico

A dor geralmente é profunda, intensa, com característica muscular ou periarticular. Raramente é articular, afetando ambos membros inferiores (pernas, coxas, panturrilhas e fossa poplítea). É uma dor profunda, que muitas vezes faz a criança interromper suas brincadeiras ou acordar à noite, mas, fica assintomática no dia seguinte. Os episódios são intermitentes, podendo durar de minutos a horas, e ocorrem sobretudo no final da tarde ou à noite, geralmente nos dias em que a criança apresentou maior atividade física. As crianças com dor de crescimento não apresentam outros sinais como emagrecimento, astenia ou febre. Com o decorrer do tempo, os episódios passam a ocorrer em intervalos maiores.

Ao exame físico, estes pacientes apresentam-se eutróficos, sem claudicação, sem sinais de processo inflamatório ou limitação de movimento.

 

Exames Laboratoriais

Os exames subsidiários encontram-se normais (hemograma normal, provas de atividade inflamatória negativas, exames radiológicos sem alterações).

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

      Síndrome da hipermobilidade benigna;

      alterações ortopédicas;

      discite;

      leucemias;

      tumores ósseos.

 

A dor de crescimento é um diagnóstico de exclusão.

 

TRATAMENTO

Uma vez confirmado o diagnóstico, deve-se explicar à família quanto à natureza benigna e autolimitada do quadro.

Durante os períodos dolorosos, obtém-se melhora do quadro álgico com a realização de massagens, calor local, com ou sem uso de analgésicos.

As atividades físicas ou esportivas não devem ser limitadas; ao contrário, devem ser estimuladas, recomendando-se uma vida normal.

Por conta da associação do quadro com problemas emocionais, é necessária uma maior investigação da situação familiar, na busca de conflitos emocionais.

A realização de um diário da dor, com o relato da frequência e da duração dos episódios, fornece uma avaliação mais precisa dos sintomas, além de permitir que o paciente e a família participem do tratamento.

 

BIBLIOGRAFIA

1.    Cassidy JT, Petty RE, Laxer R, Lindsley C .Textbook of pediatric rheumatology: expert consult: online and print. Philadelphia: Saunders (Elsevier), 2011.

2.    Harel L. Growing pains: myth or reality. Pediatr Endocrinol Rev 2010; 8(2):76:8.

3.    Kaspiris A, Zafiropoulou C. Growing pains in children: epidemiological analysis in a Mediterranean population. Joint Bone Spine 2009; 76(5):486-90.

4.    Lehman TJ. It’s not just growing pains: a guide to childhood muscle, bone and joint pain, rheumatic diseases and the latest treatment. New York: Oxford United Press, 2004.

5.    Lowe RM, Hashkes PJ. Growing pains: a non-inflammatory pain syndrome of early childhood. Nat Clin Pract Rheumatol 2008; 4(10):542-9.

Comentários

Por: Atendimento MedicinaNET em 25/02/2013 às 10:59:56

"Prezado Pedro, Em contato com os Editores Médicos do site, tivemos a confirmação de que sim, este diagnóstico ainda é válido e, portanto, este texto ainda é considerado atual. Atenciosamente, Atendimento MedicinaNET"

Por: Pedro Ivo Aquino Moreira e Silva em 24/02/2013 às 21:06:07

"Um professor discutiu comigo sobre a inexistência do diagnóstico "dor de crescimento". Essa revisão é de 2011. Gostaria de saber se atualmente esse diagnóstico ainda é válido. Obrigado"

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