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Monitorização dos níveis de colesterol

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 04/03/2009

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Com que freqüência devemos avaliar os níveis de colesterol?

 

Monitorando os níveis de cholesterol: erro de medida ou mudança real.

Glasziou PP et al. for the Lipid Study Investigators. Monitoring cholesterol levels: Measurement error or true change? Ann Intern Med 2008; 148:656 [link livre para o pubmed].

 

Fator de impacto da revista: 14,780

 

Contexto Clínico

            A monitorização dos níveis séricos de colesterol é uma atividade clínica comum, entretanto o intervalo ótimo de monitorização não é conhecido e a prática clínica varia consideravelmente. Sabe-se que houve um aumento de cerca de 65% nos custos com solicitação de medidas de colesterol de 2000 a 2004 nos EUA. Além disso, evidências prévias sugerem que, em virtude de erros de medida e variação intra-individual, a monitorização freqüente dos níveis de colesterol pode levar a decisões clínicas equivocadas no manejo de pacientes dislipidêmicos.  O presente estudo teve como objetivos estimar, em pacientes recebendo drogas hipolipemiantes, a variação na resposta inicial ao tratamento, a tendência dos níveis de colesterol no longo prazo após a resposta inicial, e a capacidade de detectar (detectabilidade) mudanças reais nos níveis de colesterol sob tratamento (“sinal”) no longo prazo, dada a variação intra-individual de curto prazo (“ruído”).

 

O Estudo

            O estudo consistiu de uma análise dos dados de medida de colesterol no estudo LIPID (“Long-Term Intervention with Pravastatin in Ischaemic Disease”). Para avaliar as variações nos níveis de colesterol os autores utilizaram os dados de 9014 pacientes (idade média 62 anos, 83% homens) com doença coronariana que foram randomizados para receber pravastatina (40 mg) ou placebo. Os níveis de colesterol foram medidos por um único laboratório no início do estudo, aos 6 e 12 meses e anualmente até o quinto ano de seguimento. O nível médio de colesterol pré-tratamento foi de 5,65 mmol/L (212 mg/dl).

 

Resultados

Desvios-padrão para a variabilidade intra-individual de curto prazo de uma única medida (baseados em medidas realizadas 4 semanas antes da randomização) foram 0,38 e 0,42 mmol/L (14 e 16 mg/dl) para os grupos placebo e pravastatina, respectivamente (variação média de 7%). Ambos os grupos (pravastatina e placebo) apresentaram pequenos aumentos na variabilidade intra-individual ao longo do tempo. O desvio-padrão intra-individual estimado aumentou de 0,40 mmol/L (15 mg/dl) para 0,60 mmol/L (23 mg/dl), entretanto foram necessários quase 4 anos para que a variabilidade de longo prazo excedesse a variabilidade a curto prazo. O aumento médio do colesterol no grupo da pravastatina  do sexto mês ao quinto ano foi de 0,14 mmol/L (5 mg/dl) (variação média de 0,7% por ano). Os níveis médios de LDL  tiveram variações semelhantes ao longo do tempo. Este lento aumento na variabilidade e o modesto aumento no colesterol médio sugerem que a maior parte da variação nos níveis de colesterol observada no estudo se deve à variabilidade analítica e biológica de curto prazo. Os cálculos dos autores sugerem que, para pacientes com níveis de colesterol inferiores a 19 mg/dl abaixo do alvo, a monitorização provavelmente irá detectar mais resultados falso-positivos do que verdadeiro-positivos, por pelo menos os primeiros três anos após o início do tratamento. Desta forma, os autores recomendam que, independente das consultas agendadas (geralmente anuais), o intervalo para monitorização do colesterol de pacientes que estão recebendo tratamento hipolipemiante estável deve ser aumentado. O estudo apresenta, entretanto, algumas limitações, particularmente o fato de se ter estudado apenas um tratamento hipolipemiante (pravastatina 40 mg).

 

Aplicação para a Prática Clínica

            Os resultados deste estudo apresentam importantes implicações clínicas, particularmente o achado de que após a redução inicial do colesterol com o tratamento, em pacientes aderentes, a re-mensuração freqüente dos níveis de colesterol mais provavelmente irá detectar resultados falso-positivos, ou seja, alterações nos níveis de colesterol relacionadas à variabilidade biológica de curto prazo (variabilidade intra-individual) ou a erro analítico. Com base nos resultados, re-testar pacientes aderentes a cada 3 a 5 anos pode ser suficiente, uma vez que o colesterol tenha atingido níveis adequados com o tratamento. É importante ressaltar que os níveis de colesterol podem e irão variar cerca de 7%. Desta forma, decisões terapêuticas não devem ser baseadas em uma única mensuração de colesterol. Este resultado pode ter grande impacto em termos de saúde pública em virtude da potencial redução nos custos com dosagens de colesterol.

 

Dicas de Medicina Baseada em Evidências e Epidemiologia

 

Como podemos classificar o estudo deste artigo científico?

            Este estudo avaliou os níveis de colesterol e sua variabilidade num grupo de participantes de um ensaio clínico randomizado. Entretanto como a intervenção randomizada não fazia parte da presente análise (embora os autores tenham analisado os níveis de colesterol tanto no grupo placebo como no grupo pravastatina) este estudo deve ser considerado como um estudo de coorte, que analisou a variação dos níveis de colesterol no longo prazo em indivíduos recebendo tratamento e em indivíduos sem tratamento.

 

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