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Inibidores da bomba de prótons e tabagismo aumentam o risco de fratura do fêmur

Autor:

Carlos Eduardo Marcello

Médico Assistente da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).

Última revisão: 23/04/2012

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Área de atuação: Medicina Ambulatorial

 

Especialidade: Medicina de Família e Comunidade, Clínica Médica

 

Resumo

Este estudo envolveu uma coorte de 79.899 mulheres na pós-menopausa, participantes do Nurses’s Health Study norte-americano, e mostrou que o uso crônico de inibidores da bomba de prótons (IBP) associado ao tabagismo aumenta o risco de fratura de fêmur.

 

Contexto clínico

Os inibidores da bomba de prótons estão entre os fármacos mais vendidos em todo o mundo. Nos EUA, há levantamentos que demonstram aumento drástico de seu uso desde 2003, quando foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora do uso de medicamentos nos EUA. Esses medicamentos reduzem a produção de ácido pelo estômago por inibirem a bomba de prótons das células parietais gástricas e são indicados principalmente para o tratamento de refluxo gastresofágico e úlcera péptica. Apesar de seu uso em curto prazo não estar relacionado a efeitos colaterais especialmente relevantes, tem havido uma preocupação de que o uso prolongado possa se associar a fraturas ósseas por inibirem a absorção de cálcio, interferirem na função dos osteoclastos e por induzirem hipergastrinemia (vide Glossário), que pode causar hipertrofia e hiperplasia das paratireoides.

 

O estudo

No ano 2000, à ocasião da avaliação bienal das enfermeiras do Nurses’s Health Study, 79.899 enfermeiras foram selecionadas para este estudo sobre o uso de IBP e o risco de fratura de fêmur. Observou-se que a prevalência de uso de IBP aumentou de 7% em 2000 para 19% em 2008. Ao final do estudo, observou-se que o risco absoluto de fratura de fêmur foi de 2,02 eventos por 1.000 pessoas/ano nas usuárias regulares de IBP e de 1,51 eventos por 1.000 pessoas/ano nas não usuárias. Mais que isso, o estudo demonstrou que o risco de fratura de fêmur aumentava conforme era maior a duração de uso dos IBP e pareceu se restringir a mulheres com história atual ou pregressa de tabagismo. Neste mesmo estudo, os autores realizaram uma metanálise combinando os resultados deste estudo com outros 11 estudos, em um total de 1,5 milhão de participantes e verificaram que o uso de IBP esteve associado a um risco 30% maior de fratura de fêmur.

 

Aplicações para a prática clínica

Os IBP têm sido amplamente utilizados em nosso meio, seja sob a justificativa de “proteção gástrica” durante o uso de outros medicamentos (uma indicação questionável na maioria das vezes), seja pela compra direta na farmácia pelos pacientes, uma vez que a venda é livre. Os IBP têm sido também mencionados em aumento no risco de fraturas vertebrais, de antebraço e de punho2. O achado deste estudo de que o uso crônico de IBP se associa a aumento de risco de fratura de fêmur, especialmente em mulheres com história de tabagismo, deveria alertar os médicos para um uso mais criterioso e parcimonioso deste medicamento.

 

Glossário

Hipergastrinemia: o uso de IBP diminui a secreção ácida, a liberação de somatostatina pelas células D antrais e, consequentemente, aumenta a liberação de gastrina pelas células G, levando a hipergastrinemia.

 

Bibliografia

1.   Khalili H, Huang ES, Jacobson BC, Camargo CA Jr, Feskanich D, Chan AT. Use of proton pump inhibitors and risk of hip fracture in relation to dietary and lifestyle factors: a prospective cohort study. BMJ 2012 Jan 31; 344:e372. [link para o abstract]

2.  Wang CH, Ma MH, Chou HC, Yen ZS, Yang CW, Fang CC et al. High-dose vs non–high-dose proton pump inhibitors after endoscopic treatment in patients with bleeding peptic ulcer: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Arch Intern Med 2010 May 10; 170:751. [link para o abstract].

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