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Alterações de sinais vitais mais relacionadas com perdas de sangue em pacientes obstétricas

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 21/10/2013

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Especialidades: Medicina de Emergência / Obstetrícia

 

Resumo

Este artigo trata de uma revisão sistemática que procurou avaliar quais alterações de sinais vitais têm mais correlação com perdas de sangue em pacientes obstétricas.

 

Contexto clínico

Hemorragia pós-parto (HPP) é uma das grandes causas de mortalidade materna no mundo. A HPP é definida como perda excessiva de sangue nas primeiras 2 horas após o nascimento. Normalmente, isso representa mais de 500 mL em um parto vaginal e mais de 750 a 1.000 mL em uma cesárea. A HPP pode levar a choque hipovolêmico e à morte da mãe em 2 a 6 horas após sua ocorrência. A identificação precoce é um fator fundamental para o tratamento, e os sinais vitais podem ser a chave para tal identificação.

 

O estudo

Essa revisão sistemática incluiu 30 estudos (sendo apenas 5 estudos em pacientes com hemorragia relacionada à gestação). Os parâmetros mais estudados foram frequência cardíaca (FC), pressão arterial sistólica (PAS) e Shock Index (SI = FC/PAS).

Quando avaliadas as acurácias de cada um destes parâmetros em predizer perda sanguínea por meio de curva ROC (Receiver Characteristic Curves), os achados foram:

 

      FC: 0,56 a 0,74;

      PAS: 0,56 a 0,79;

      SI: 0,77 a 0,84.

 

Aplicações para a prática clínica

Essa revisão sistemática de 30 estudos mostra que há, de fato, uma correlação entre perdas de sangue e alterações de sinais vitais, como seria previsível. A variabilidade dos estudos, porém, impede que sejam estabelecidos pontos de corte mais específicos para cada uma das variáveis estudadas (FC, PAS, SI). Entretanto, o parâmetro que mostrou maior acurácia na avaliação da perda de sangue foi o Shock Index (0,77 a 0,84). Sua grande vantagem seria identificar pacientes com perda sanguínea e quem ainda não apresentaram hipotensão. Não há um ponto de corte bem estabelecido, mas este achado vem ao encontro da literatura atual, que, em diversas situações (trauma, sepse), tem no Shock Index um bom preditor de hipovolemia. É importante ressaltar que o estudo tinha um foco maior na população obstétrica, mas apenas 5 dos 30 estudos eram sobre tal população, de modo que, especificamente para este grupo, os resultados ainda não são conclusivos.

O grande papel dessa revisão sistemática é trazer mais força para o uso do Shock Index na prática clínica dentro dos departamentos de emergência como ferramenta de beira-leito para avaliação de volemia.

 

Bibliografia

1.    Pacagnella RC, Souza JP, Durocher J, Perel P, Blum J, Winikoff B et al. A systematic review of the relationship between blood loss and clinical signs. PLoS ONE 2013; 8(3):e57594. doi:10.1371/journal.pone.0057594 (link para o artigo).

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