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Sistema de resposta rápida nas estratégias de segurança do paciente

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 06/09/2013

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Especialidades: Segurança do Paciente / Medicina Hospitalar

 

Contexto clínico

Os Sistemas de Resposta Rápida (SRR) (ou Times de Resposta Rápida) se tornaram extremamente populares dentro do movimento de Segurança do Paciente, fazendo parte de critérios de empresas de Acreditação Hospitalar, bem como de campanhas de organizações engajadas na qualidade da assistência em hospitais. Nos últimos 15 anos, diversos hospitais no mundo adotaram esta prática.

Isso decorre do fato de que pacientes que tem uma deterioração clínica não reconhecida durante uma internação hospitalar, sofrem parada cardíaca em um espaço de tempo médio de 6 horas após essa piora clínica. Essas paradas têm um prognóstico ruim, com a mortalidade chegando a 80% nos estudos. Os Sistemas de Resposta Rápida são desenhados com base em um tripé que envolve

 

      um sistema de notificação a acionamento do atendimento com base em critérios clínicos (na maior parte das vezes sinais vitais);

      um atendimento em equipe com base em uma experiência na área de emergência ou terapia intensiva;

      uma análise das ocorrências em busca de melhorias dos processos.

 

A seguir, são apresentados os resultados de uma revisão sistemática sobre a prática do Sistema de Resposta Rápida.

 

O estudo

Os benefícios encontrados na metanálise envolvem uma redução nas paradas fora de unidades de terapia intensiva (RR 0,66; IC95% 0,54-0,80), mas sem queda em mortalidade hospitalar total (RR 0,96; IC95% 0,84-1,09). Para pacientes pediátricos, ocorre tanto diminuição nas paradas fora da terapia intensiva (RR 0,62; IC95% 0,46-0,84) quanto diminuição em mortalidade hospitalar (RR 0,79; IC95% 0,63-0,98).

Os riscos encontrados com a implementação dos SRR incluem a dependência da equipe das enfermarias no time de atendimento, conflitos entre equipes e erros de comunicação, pois inevitavelmente aumenta-se o número de pessoas que entram em contato com o paciente.

Algumas considerações sobre implementação devem ser consideradas, uma vez que envolvem custo. Os SRR já foram implementados dentro de diferentes contextos e com composição variada. Muitos estudos mostram que o processo de implementação envolveu um extenso programa de atividades educativas. Muitos dos critérios de acionamento são sinais vitais, mas muitos SRR utilizam a “preocupação da equipe” como um critério adicional, o que pode sobrecarregar o atendimento, além de este critério não ter necessariamente relação bem definida com a evolução do paciente. Não é a presença de um SRR que o faz ser acionado. Outra situação é que, a depender da composição da equipe, este funcionamento pode ou não dar certo.

 

Aplicações para a prática clínica

Os achados desta metanálise têm um papel fundamental em embasar de forma mais madura o resultado positivo que pode ser alcançado com os SRR, a despeito do nível das evidências encontradas reforçarem apenas moderadamente em termos de qualidade de evidências. Obviamente devem ser levadas em conta as dificuldades e barreiras que devem ser superadas para o início de um programa como este, além de sua manutenção ao longo do tempo com uma atuação muito focada em processos de melhoria contínua, algo que não é fácil de ser sustentado a longo prazo. Talvez um dos grandes pontos que o SRR aborde seja a própria mudança de cultura do hospital quanto aos processos de qualidade de assistência. Enquanto este modelo atual não estiver otimizado, os SRR parecem ser uma opção muito boa como ponte até uma melhoria mais definitiva.

 

Bibliografia

1.    Winters BD, Weaver SJ, Pfoh ER, Yang T, Pham JC, Dy SM. Rapid-response systems as a patient safety strategy: a systematic review. Ann Intern Med. 5 March 2013;158(5_Part_2):417-425. (link para o artigo)

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