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Contraceptivos para mulheres com câncer

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 19/11/2014

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Especialidades: Ginecologia/Oncologia

 

Contexto Clínico

        Há um número considerável de mulheres em idade reprodutiva que são diagnosticadas com câncer. Estima-se que 859 por 100.000 mulheres em idade reprodutiva recebam um diagnóstico de câncer anualmente nos Estados Unidos. Se verificarmos isso por fase, observa-se que mulheres na pré-menopausa representam cerca de 35% de todos os diagnósticos de câncer de mama.

        Com as melhorias que vem surgindo no tratamento de câncer, uma grande população de sobreviventes se desenvolveu. Até 80% de todas as mulheres diagnosticadas com câncer antes  dos 50 anos sobrevive pelo menos durante cinco anos. Como resultado, temos de lidar com as necessidades reprodutivas das pacientes com câncer que ainda são jovens.

        Tratamentos de câncer, como a quimioterapia, representam riscos para a fertilidade futura, mas não necessariamente impedem a chance de gravidez. Apesar da baixa incidência nesta população, existe significativa morbidade relacionada à teratogenicidade fetal. Nota-se com isso que mulheres com câncer têm necessidades reprodutivas únicas e a seleção do método contraceptivo pode ser difícil. Contraceptivos hormonais comumente usados podem estar associados a riscos mais elevados nesta população, incluindo sangramento não programado e tromboembolismo venoso com o uso de estrogênio. A contracepção é particularmente desafiadora em mulheres com câncer de mama, pois as escolhas são limitadas a métodos não hormonais. Enquanto a literatura frequentemente discute a preservação da fertilidade em mulheres com câncer, existe pouca informação sobre as necessidades de contracepção de pacientes jovens com câncer . Além disso, dois estudos demonstraram recentemente que as mulheres com câncer não têm conhecimento sobre as suas necessidades de contracepção, com destaque para o papel potencial de aconselhamento contraceptivo nesta população.

        Sendo assim, os principais objetivos do estudo que será apresentado a seguir foram de caracterizar as escolhas contraceptivas em um grupo de jovens mulheres recentemente diagnosticadas com câncer e identificar fatores associados ao uso de métodos contraceptivos eficazes. Em segundo lugar,  avaliar o impacto do aconselhamento contraceptivo por profissionais de saúde sobre o uso de contraceptivos.

 

O Estudo

        Foi realizado um estudo de coorte transversal de mulheres em idade reprodutiva com um recente diagnóstico de câncer. Um total de 107 mulheres completaram o estudo.

        As características das pacientes eram: 86% com 25 anos ou mais, 51% sem gestação prévia, e 76% com  formação de nível  superior. O câncer de mama e linfoma foram as neoplasias mais comuns (52% e 22%, respectivamente). Dois terços das mulheres tiveram atividade sexual em algum momento após o diagnóstico e 48% tiveram amenorreia durante o tratamento. Um quarto de todas as entrevistadas relatou abstinência atual, 14% não usou nenhum contraceptivo, 22% usou pílulas anticoncepcionais orais, anel vaginal, ou diafragma, e 21% relatou uso de preservativos. Quatro mulheres usaram um dispositivo intrauterino (DIU), uma relatou vasectomia do parceiro, e nenhuma usou contracepção injetável ou implantável, ou tinha laqueadura prévia.

        Fatores significativamente associados ao uso de contracepção incluíram não ter um diploma universitário, que se associou de forma negativa com uso de contracepção [OR:  0,21; p = 0,038], ter tido relação sexual durante o tratamento se associou de forma positiva (OR: 5,92; p = 0,012) e não ser câncer de mama também se associando de forma positiva (OR: 3,60; p = 0,046).

        65% das participantes que receberam o aconselhamento contraceptivo de um médico antes de iniciar o tratamento do câncer foram substancialmente mais propensas a usar métodos hormonais ou um DIU do que aquelas que não recebem tal aconselhamento (OR: 6,9; p = 0,036).

 

Aplicações Práticas

        Por esse estudo observacional transversal, podemos verificar que mulheres em idade reprodutiva com diagnóstico de câncer subutilizam agentes contraceptivos, especialmente o DIU. Aconselhamento contraceptivo por médicos aumenta o uso de contraceptivos, especialmente de métodos mais eficazes na prevenção da gravidez. O que é mais interessante do estudo é observar como há um grande impacto na questão do aconselhamento de uso de método contraceptivo com OR de 6,9. Por esse estudo, podemos verificar que deve ser incluído um programa de orientação de contracepção para mulheres em idade fértil que irão iniciar tratamento para câncer, e isso deve ser feito de forma sistemática e abrangente.

 

Bibliografia

Maslow B-SL et al. Contraceptive use and the role of contraceptive counseling in reproductive-aged women with cancer. Contraception 2014 Jul; 90:79 (link para o artigo).

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