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Impacto da Proibição de Fumo em Locais Públicos na Saúde Infantil

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 04/12/2014

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Especialidades: Medicina de Família/Pediatria

 

Contexto Clínico

        Os impactos do tabagismo aos indivíduos fumantes é algo extremamente sabido atualmente. Porém, há impacto também para os não fumantes através do tabagismo passivo. A legislação de proibição do fumo tem o potencial de reduzir a carga substancial de doenças associadas à exposição passiva ao fumo, especialmente em crianças. Apresentamos a seguir um estudo sobre o efeito da legislação antifumo sobre a saúde perinatal e infantil.

 

O Estudo

        Foram pesquisados 14 bancos de dados on-line, a partir de janeiro de 1975 a maio de 2013, sem restrições de idioma, em busca de estudos publicados, e a Plataforma de Registro de Ensaios Clínicos Internacionais da OMS, em busca de estudos não publicados. Foram incluídos estudos que apresentassem associações entre a proibição do fumo em locais de trabalho, locais públicos, ou ambos, e um ou mais indicadores de saúde predefinidos nos primeiros anos de vida. Os desfechos primários foram nascimento prematuro, baixo peso ao nascer e atendimentos hospitalares por asma.

        Foram identificados 11 estudos elegíveis (publicados entre 2008 e 2013), envolvendo mais de 2,5 milhões de nascimentos e 247.168 de exacerbações de asma. Todos os estudos utilizaram modelos de séries temporais interrompidas. A legislação antifumo foi associada à reduções em nascimentos prematuros (quatro estudos, 1.366.862 indivíduos; -10,4% (IC95%: -18,8 a -2,0); p = 0,016) e em atendimentos hospitalares por asma (três estudos, 225.753 eventos: -10,1% (IC95%: -15,2 a -5,0); p = 0,0001). Nenhum efeito significativo sobre o baixo peso ao nascer foi identificado (seis estudos, mais de 1,9 milhão de indivíduos: -1,7% (IC95%: -5,1 a 1,6); p = 0,31).

 

Aplicações Práticas

        Este interessante estudo feito com uma grande base de dados demonstrou claramente que a legislação antifumo está associada às reduções substanciais em nascimentos prematuros e no atendimento hospitalar por asma. Juntamente com os benefícios para a saúde dos adultos, este estudo fornece um forte apoio para as recomendações da OMS que visam criar ambientes antifumo. O subsídio para que tal tipo de política seja não só valorizada, como ampliada, é fortíssimo, dados os resultados. Nota-se que o impacto de queda de 10% tanto no risco de nascimento prematuro, quanto em crises de asma na infância, é algo a ser muito valorizado não só pelo meio médico, mas pela sociedade como um todo.

 

Bibliografia

Been Jv, et al. Effect of smoke-free legislation on perinatal and child health: a systematic review and meta-analysis. The Lancet. 2014; doi:10.1016/S0140-6736(14)60082-9. (link para o artigo).

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