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Impacto de cuidados paliativos em procura de pronto-socorro e hospitalização

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 12/01/2015

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Especialidades: Medicina de Emergência/Cuidados Paliativos/Medicina de Família

 

Contexto Clínico

Equipes de home-care para cuidados paliativos têm um grande papel no controle de sintomas, melhoria de qualidade de vida e diminuição de internações. Este tipo de equipe tem inclusive capacidade de diminuir custos devido a estes resultados. Entretanto, não existe uma certeza se modelos baseados em equipes interdisciplinares de cuidados paliativos têm de fato este papel em comunidades, uma vez que a maioria dos estudos sobre estas equipes é em hospitais. Enquanto que os poucos estudos sobre equipes de  cuidados paliativos em comunidades impactam em melhor gestão dos sintomas, satisfação e qualidade de vida, as evidências para a redução de hospitalização e procura de pronto-socorro são inconclusivas.

 

O Estudo

Este é um estudo do tipo coorte retrospectiva feito para determinar o efeito combinado da presença de equipes especializadas de cuidados paliativos que prestam serviços nas casas dos pacientes. O estudo foi feito em Ontário, no Canadá.

Foram incluídos 3.109 pacientes que receberam cuidados de equipes de cuidados paliativos, sendo estes comparados com 3.109 pacientes que receberam o tratamento usual.

As equipes de cuidados paliativos estudadas tinham variações em composição e tamanho da equipe, mas tinham os mesmos membros em seu núcleo: um médico especialista em cuidados paliativos, além de enfermeiros e médicos de família que prestaram cuidados paliativos integrados aos pacientes em suas casas. O papel das equipes foi controlar os sintomas, proporcionar educação e cuidado, coordenar os serviços, e estar disponível sem interrupção, independentemente da hora ou dia, para pacientes e familiares.

Os desfechos avaliados foram: o paciente estar no hospital nas últimas duas semanas de vida; o paciente fazer uma visita a departamento de emergência nas duas últimas semanas de vida; ou ocorrência de morte dentro do hospital.

Em ambos os grupos, expostos e não expostos à intervenção, cerca de 80% tinham câncer e 78% receberam cuidados de final de vida domiciliares por um tempo semelhante. Dentre os pacientes acompanhados por uma equipe de cuidados paliativos, 970 (31,2%) foram no hospital e 896 (28,9%) fizeram uma visita a um departamento de emergência nas duas últimas semanas de vida, respectivamente, em comparação com 1219 (39,3%) e 1070 (34,5% ) do grupo não exposto (ambos: P<0,001). Os riscos relativos agrupados de estar no hospital e de realizar uma visita a departamento de emergência no fim da vida comparando expostos contra não expostos às equipes de cuidados paliativos foram de 0,68 (IC95%: 0,61-0,76) e 0,77 (IC95%: 0,69-0,86), respectivamente. Menos pacientes de cuidados paliativos morreram no hospital quando comparados aos que não receberam cuidados paliativos (503 (16,2%), contra 887 (28,6%), P <0,001), e o risco relativo de morrer no hospital foi de 0,46 (0,40-0,52) para quem recebeu cuidados paliativos.

 

Aplicações Práticas

A conclusão deste estudo observacional extremamente interessante é que equipes especializados em cuidados paliativos podem oferecer um impacto em comunidades, diminuindo procura a pronto-socorro, hospitalização no final de vida e chance de morrer dentro do hospital para pacientes paliativos exclusivos. Isso dá uma grande dimensão do impacto social, clínico e econômico que estas equipes podem ter quando trabalham em conjunto com programas de saúde primária. Este estudo fornece subsídio para uma implementação deste tipo de equipe de forma associada a programas de medicina de família e comunidade.

 

Bibliografia

Seow H et al. Impact of community based, specialist palliative care teams on hospitalisations and emergency department visits late in life and hospital deaths: A pooled analysis. BMJ 2014 Jun 6; 348:g3496 (link para artigo).

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