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Mudanças em resultados ao longo do tempo para recém-nascidos pré-termo extremos

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/01/2016

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Contexto Clínico

Quando pensamos em morbidade perinatal, um grupo de grande risco são os prematuros extremos. Esses prematuros extremos contribuem desproporcionalmente para a morbidade e mortalidade neonatal.

Porém, não sabemos como vem sendo o comportamento dos resultados clínicos referentes à assistência prestada a esses pacientes nos últimos anos. Será que melhoramos?

 

O Estudo

Apresentamos um estudo  que buscou descrever as tendências de 20 anos no cuidado materno / neonatal, quanto a complicações e mortalidade entre bebês extremamente prematuros nascidos em centros da Rede de Pesquisa Neonatal, que é um registro prospectivo de 34.636 crianças, provindas de gestação de 22 a 28 semanas, peso ao nascimento de 401-1500 g, e nascido em 26 centros da rede, entre 1993 e 2012. Os principais resultados avaliados foram cuidado materno / neonatal, morbidades e sobrevivência. As principais morbidades, relatadas por crianças que sobreviveram mais de 12 horas, foram enterocolite necrosante grave, infecção, displasia broncopulmonar, hemorragia intracraniana grave, leucomalácia cística, e / ou retinopatia da prematuridade severa.

O uso de corticoide pré-natal aumentou entre 1993-2012 (24% [348 de 1.431 crianças]) para 87% (1.674 de 1.919 infantes]; P <0,001), a realização de cesariana (44% [625 de 1431] dos nascimentos para 64 % [1227 de 1921]; P <0,001). Intubação na sala de parto diminuiu de 80% (1144 de 1433 crianças) em 1993 para 65% (1253 de 1922) em 2012 (P <0,001). Após o aumento na década de 1990, o uso de esteroides pós-natal diminuiu para 8% (141 de 1.757 recém-nascidos), em 2004 (P <0,001), sem mudança significativa depois. Embora a maioria das crianças tenha sido ventilada, o uso pressão positiva contínua nas vias aéreas sem ventilação aumentou de 7% (120 de 1.666 crianças) em 2002 para 11% (190 de 1.756 crianças) em 2012 (P <0,001). Apesar de nenhuma melhoria entre 1993-2004, as taxas de sepse tardia diminuíram entre 2005 e 2012, para crianças de cada idade gestacional (mediana, 26 semanas [37% {109 de 296} para 27% {85 de 320}]; risco relativo ajustado [RR], 0,93 [IC 95%, 0,92-0,94]). Taxas de outras morbidades diminuiu, mas displasia broncopulmonar aumentou entre 2009 e 2012 para bebês em uma gestação de 26 a 27 semanas (26 semanas, 50% [130 de 258] a 55% [164 de 297]; P <0,001). A sobrevivência aumentou entre 2009 e 2012, para lactentes de 23 semanas de gestação (27% [41 de 152] para 33% [50 de 150]; RR ajustado, 1,09 [IC 95%, 1,05-1,14]) e 24 semanas (63% [156 de 248] para 65% [174 de 269]; RR ajustado, 1,05 [IC 95%, 1,03-1,07]), com menores aumentos relativos para crianças a 25 e 27 semanas de gestação, e nenhuma mudança para lactentes de 22 , 26 e 28 semanas de gestação. Sobrevivência sem grande morbidade aumentou cerca de 2% ao ano para lactentes de 25 a 28 semanas de gestação, com nenhuma mudança para lactentes de 22 a 24 semanas de gestação.

 

Aplicações Práticas

Entre prematuros extremos nascidos em centros acadêmicos ao longo dos últimos 20 anos nos EUA, foram observadas mudanças nas práticas de cuidados maternos e infantis e reduções modestas em diversas morbidades, embora displasia broncopulmonar tenha aumentado. A sobrevivência aumentou mais para os recém-nascidos de gestação entre 23 e 24 semanas, e a sobrevida sem grande morbidade aumentou para lactentes com idade entre 25 a 28 semanas.

É um estudo observacional longo e muito bom para entender o que já foi conseguido nos últimos anos em termos de resultado clínico na população estudada, e o que ainda é necessário melhorar. Além disso, esses resultados podem ser valiosos no aconselhamento de famílias e no desenvolvimento de novas intervenções.

 

Referências

Stoll BJ et al. Trends in Care Practices, Morbidity, and Mortality of Extremely Preterm Neonates, 1993-2012. JAMA. 2015; 314(10):1039-1051.

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