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Liraglutida em diabéticos tipo 2 insulino-dependentes

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 18/03/2016

Comentários de assinantes: 1

Contexto Clínico

O bom controle glicêmico é o ponto principal da prevenção de complicações entre as pessoas com diabetes tipo 2. Para obter um bom controle glicêmico, as pessoas com diabetes tipo 2 são geralmente tratadas com metformina e dieta como tratamento de primeira linha. Sulfonilureias têm tradicionalmente sido recomendadas como tratamento de segunda linha, mas os consensos apontam para outras drogas em potencial, incluindo as insulinas.

Quando o tratamento com insulina é iniciado,  geralmente inclui uma formulação basal. A obesidade é  outra comorbidade na maioria das pessoas com diabetes do tipo 2, e a adição de um tratamento com insulina basal está associada com o ganho de peso e um aumento do risco de hipoglicemia. Múltiplas injeções diárias de insulina geralmente resultam ainda em  maior ganho de peso. Assim, em muitas pessoas tomando múltiplas injeções diárias de insulina o resultado é ainda maior resistência à insulina e obesidade, e os pacientes muitas vezes ainda não alcançam controle glicêmico adequado.

Para determinar se as pessoas com diabetes tipo 2 tratadas com múltiplas injeções diárias de insulina podem se beneficiar de tratamento adjuvante utilizando novos agentes, avaliamos os efeitos do liraglutide no tratamento.

 

O Estudo

O estudo foi um ensaio clínico placebo controlado randomizado, duplo-cego, realizado em 13 hospitais com ambulatórios e uma unidade básica de saúde na Suécia. Os pacientes foram considerados elegíveis para inclusão se tivessem diabetes tipo 2 e controle glicêmico inadequado (HbA1c concentrações >=7,5% e <=11,5%), um índice de massa corporal de 27,5-45 kg/m2 e com necessidade de várias injeções diárias de insulina. No geral, 124 participantes foram randomizados 1: 1 para realizar liraglutide subcutânea ou placebo. O desfecho principal foi a mudança no nível de HbA1c da linha de base até à semana 24.

O liraglutide foi associado com uma redução significativa de 1,5% em comparação HbA1c de 0,4% para o placebo. O peso corporal foi significativamente reduzido em participantes da liraglutida em comparação com placebo (3,8 v 0,0 kg, diferença -3,8kg), e as doses totais diárias de insulina foram significativamente reduzidas, de 18,1 unidades para 2,3 unidades (diferença - 15,8 unidades). As reduções na média e desvio padrão dos níveis de glicose estimados pela monitorização contínua da glicose foram significativamente maiores no grupo liraglutida do que no grupo placebo. Nenhum dos grupos experimentou  episódios de hipoglicemia grave nem houve quaisquer diferenças significativas em hipoglicemia não grave sintomática ou assintomática. O número médio de eventos não graves sintomáticas de hipoglicemia durante o seguimento foi de 1,29 no grupo liraglutide e 1,24 no grupo placebo (P = 0,96).

Náusea foi experimentada por 21 (32,8%) participantes do grupo de liraglutide e 5 (7,8%) no grupo placebo e três (5%) e quatro (7%) participantes desses grupos, respectivamente, apresentaram algum evento adverso grave.

 

Aplicações Práticas

O que esse estudo randomizado acrescenta à prática, é que ao adicionar liraglutide a múltiplas injeções diárias de insulina em pessoas com diabetes tipo 2, o resultado é melhora do controle glicêmico, sem um risco aumentado de hipoglicemia, redução do peso corporal, e permitir que os pacientes diminuam as suas doses de insulina. Uma das limitações do estudo foi a sua duração relativamente curta, então efeitos deletérios em longo prazo não puderam ser verificados.

 

         Referências

Lind M et al. Liraglutide in people treated for type 2 diabetes with multiple daily insulin injections: randomised clinical trial (MDI Liraglutide trial). BMJ 2015;351:h5364

Comentários

Por: Ildemar Cavalcante Guedes em 11/03/2016 às 11:37:54

"Infelizmente este medicamento é muito caro. O governo não fornece, sem que haja muita burocracia para cumprir, e a maioria dos nossos diabéticos é pobre."

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