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Escitalopram para Mães Deprimidas

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 27/07/2015

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Contexto Clínico

A depressão materna é algo extremamente complicado, pois o impacto não é apenas na mulher, mas também em seus filhos, que passam a ter alterações comportamentais e psiquiátricas como consequência. Estudos observacionais mostram que quando os sintomas de uma mãe deprimida remetem, sintomas psiquiátricos de seus filhos diminuem. Apresentaremos a seguir um estudo que demonstrou os efeitos de um antidepressivo em específico sobre a mãe e também o resultado disso em seus filhos.

 

O Estudo

O estudo foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego de 12 semanas de escitalopram (10 a 40mg/dia), bupropiona (150-450mg/dia), ou a combinação dos dois em mães deprimidas (N = 76), com a avaliação independente das suas crianças (n = 135; idade entre 7-17 anos). As doses médias usadas ao longo do estudo foram de 24mg/dia de escitalopram, 245mg/dia de bupropiona quando de forma isolada, e 314mg/dia de bupropiona quando foi usada de forma associada. No geral, 67% das mães tiveram remissão dos sintomas. Porém, não houve diferenças significativas no tratamento de sintomas depressivos ou remissão das mães entre os grupos. Entretanto, os sintomas depressivos e o funcionamento das crianças melhorou significativamente entre aquelas cujas mães estavam no grupo escitalopram (em comparação com aqueles cujas mães estavam nos grupos de bupropiona e combinação de tratamento). Apenas no grupo escitalopram uma melhora significativa da depressão da mãe foi associada com melhora dos sintomas da criança. Análises exploratórias sugeriram que isso pode ser devido a mudanças no funcionamento dos pais: as mães do grupo escitalopram relataram melhora significativamente maior, em comparação com os outros grupos, na sua capacidade de ouvir e falar com seus filhos, que como um grupo relatou que suas mães foram mais carinhosas ao longo das 12 semanas do estudo. Filhos de mães com pouca afetividade negativa melhoraram em todos os grupos de tratamento. Filhos de mães com muita afetividade negativa melhoraram significativamente somente para aqueles cujas mães estavam no grupo escitalopram. Afetividade negativa inclui culpa, hostilidade, irritabilidade, e medo/ansiedade.

 

Aplicações Práticas

O resultado deste estudo é bastante interessante. Foi observado um resultado semelhante no tratamento de depressão das mães estudadas com as diferentes modalidades propostas, que foram escitalopram, bupropiona ou uma combinação das duas medicações. Entretanto, o resultado sobre os filhos foi nitidamente melhor no grupo de mães que foi tratado com escitalopram de forma isolada. Isso mostra que os efeitos de melhoria da mãe deprimida em seus filhos pode depender de seu tipo de tratamento. O escitalopram foi melhor para as mães deprimidas, especialmente as com mais alta afetividade negativa (ansiedade, irritabilidade), melhorando a relação de afetividade com os filhos. Por este estudo, podemos dizer que o escitalopram seria uma excelente escolha para tratamento de depressão em mães.

 

Bibliografia

Weissman MM et al. Treatment of maternal depression in a medication clinical trial and its effect on children. Am J Psychiatry 2015 Jan 23; [e-pub ahead of print]. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1176/appi.ajp.2014.13121679)

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