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Ustequinumabe para Indução e Terapia de Manutenção em Doença de Crohn

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 18/04/2017

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Contexto Clínico

O ustequinumabe, um anticorpo monoclonal para a subunidade p40 da interleucina-12 e da interleucina-23, foi avaliado como uma terapia intravenosa de indução em duas populações com doença de Crohn ativa moderada a grave. O ustequinumabe também foi avaliado como terapia de manutenção por via subcutânea.

 

O Estudo

Este é um estudo randomizado, em que pacientes foram distribuídos de forma aleatória para receber uma única dose intravenosa de ustequinumabe (130mg ou 6mg/kg de peso corporal) ou placebo em dois ensaios de indução. O julgamento Uniti-1 incluiu 741 pacientes que preencheram os critérios para a não resposta primária ou secundária aos antagonistas de fator de necrose tumoral ou tiveram efeitos colaterais inaceitáveis, enquanto o Uniti-2 incluiu 628 nos quais a terapia convencional falhou ou que tiveram efeitos colaterais inaceitáveis.

Os indivíduos que completaram esses ensaios de indução participaram, em seguida, do IM-Uniti, no qual os 397 que tiveram resposta ao ustequinumabe foram aleatoriamente designados para receber injeções de manutenção subcutâneas de 90mg de ustequinumabe (a cada 8 semanas ou a cada 12 semanas) ou placebo. O desfecho primário para os ensaios de indução foi uma resposta clínica na sexta semana (definida como uma diminuição da linha de base na pontuação do Índice de Atividade da Doença de Crohn [CDAI] de =100 pontos ou uma pontuação CDAI <150). O ponto final primário para o julgamento de manutenção foi remissão na quadragésima quarta semana (pontuação CDAI <150).

As taxas de resposta na sexta semana entre os pacientes que receberam ustequinumabe intravenoso na dose de 130mg ou 6mg/kg foram significativamente maiores do que as taxas daqueles que receberam placebo (no Uniti-1, 34,3, 33,7 e 21,5%, respectivamente, com P =0,003 para ambas as comparações com o placebo; no Uniti-2, 51,7, 55,5 e 28,7%, respectivamente, com P <0,001 para ambas as doses).

Nos grupos que receberam doses de manutenção de ustequinumabe a cada 8 semanas ou a cada 12 semanas, 53,1 e 48,8%, respectivamente, estavam em remissão na quadragésima quarta semana, em comparação com 35,9% dos que receberam placebo (P = 0,005 e P = 0,04, respectivamente). Dentro de cada ensaio, as taxas de eventos adversos foram semelhantes entre os grupos de tratamento.

 

Aplicação Prática

 

Este estudo randomizado apresenta uma opção de relevância para o tratamento inicial e de manutenção da doença de Crohn. Ressalta-se, entretanto, que se trata de um estudo patrocinado pela Janssen.

Neste ensaio clínico, entre os indivíduos com doença ativa moderada a grave, aqueles que receberam ustequinumabe tiveram uma taxa significativamente mais elevada de resposta do que aqueles que receberam placebo. O ustequinumabe subcutâneo manteve a remissão em pacientes que tiveram uma resposta clínica à terapia de indução. Dada a morbidade da doença, essa pode se revelar uma ótima opção para controle de sintomas. Há que se considerar, além disso, o perfil de segurança, pois eventos adversos ocorreram de forma semelhante entre os diferentes grupos do ensaio clínico.

 

Bibliografia

Feagan BG et al. Ustekinumab as Induction and Maintenance Therapy for Crohn’s Disease. N Engl J Med 2016; 375:1946-1960.

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