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Atosiban versus Fenoterol para Relaxamento Uterino em Versão Cefálica Externa

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 11/01/2018

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Contexto Clínico

 

A apresentação pélvica ocorre em até 4% das gestações únicas a termo e é a terceira indicação mais comum para cesariana eletiva. A versão cefálica externa (VCE) é um procedimento seguro obstétrico que reduz o risco de nascimento de uma apresentação não cefálica e parto por cesariana em, aproximadamente, 50% dos casos.

Em 2014, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas e a Sociedade de Medicina Materno-Fetal publicaram uma declaração de consenso segundo a qual a VCE é altamente recomendada. Isso é especialmente relevante em países de baixa e média rendas, onde os efeitos do parto por cesariana na morbidade e na mortalidade são mais significativos.

Vários métodos têm sido propostos para melhorar o resultado da VCE, incluindo o relaxamento uterino com medicamentos tocolíticos, analgesia peridural ou espinal e amnioinfusão, bem como métodos complementares como estimulação vibroacústica e acupuntura. O atosibana, um antagonista do receptor de oxitocina, não tem efeitos colaterais cardiovasculares e está se tornando mais amplamente utilizado para VCE, embora nenhum estudo controlado randomizado tenha avaliado a sua eficácia.

 

O Estudo

 

Este é um estudo multicêntrico, aberto, randomizado e controlado, realizado em 8 hospitais na Holanda, entre agosto de 2009 a maio de 2014. Os participantes foram 830 mulheres com gestação única em apresentação pélvica e uma idade gestacional superior a 34 semanas, as quais foram distribuídas de forma aleatória, em uma proporção de 1:1, para 6,75mg de atosibana (n = 416) ou 40ug de fenoterol (n = 414) por via intravenosa para relaxamento uterino antes da VCE.

As medidas de desfecho primárias foram o feto em posição cefálica 30 minutos após o procedimento e a apresentação cefálica no momento do parto. As de desfecho secundárias foram o modo de parto, a incidência de complicações fetais e maternas e os eventos adversos relacionados com o medicamento.

Os resultados de posição cefálica 30 minutos após a VCE foram bem menores no grupo de atosibana em relação ao grupo de fenoterol (34% versus 40%; RR, 0,73; IC 95%, 0,55-0,93). A apresentação ao nascer foi cefálica em 35% (n = 139) do grupo de atosibana e 40% (n = 166) do grupo de fenoterol (RR, 0,86; IC 95%, 0,72-1,03), e a cesariana foi realizada em 60% (n = 240) das mulheres no grupo de atosibana e em 55% (n = 218) no grupo do fenoterol (RR, 1,09; IC 95%, 0,96-1,20). Não foram encontradas diferenças significativas nos resultados neonatais ou nos acontecimentos adversos relacionados com os medicamentos.

 

Aplicação Prática

 

Neste estudo randomizado, controlado, com 818 mulheres com gestação única de mais de 34 semanas, o relaxamento uterino com atosibana para a VCE resultou em menor taxa de fetos na posição cefálica após 30 minutos em comparação com o fenoterol. Isso levou a um risco mais elevado de partos por cesariana após o tratamento com atosibana em relação ao tratamento com fenoterol. Embora a diferença não tenha sido estatisticamente significativa, o risco aumentado é altamente plausível, dada a menor taxa de VCE bem-sucedida com atosibana.

 

Bibliografia

 

Velzel J et al. Atosiban versus fenoterol as a uterine relaxant for external cephalic version: randomised controlled trial. BMJ 2017;356:i6773.

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