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Máscara Laríngea em Ressuscitação Neonatal

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 25/01/2021

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Contexto Clínico

 

A ressuscitação neonatal é atividade fundamental quando se pensa em riscos na neonatologia. Estima-se que 7 milhões de neonatos em todo o mundo precisem de ressuscitação no nascimento, e a importância desta é que asfixia no nascimento é a terceira principal causa de morte neonatal, sendo responsável por aproximadamente 700.000 mortes a cada ano. A implementação em larga escala de intervenções baseadas em evidências vem melhorando o resultado da ressuscitação, mas ainda estamos longe de atingir o objetivo das Nações Unidas de ter mortalidade neonatal abaixo de 12 por 1.000 nascidos vivos até 2030.

A ventilação com pressão positiva é a etapa mais importante na ressuscitação neonatal e é comumente iniciada com máscara facial, seguida de intubação endotraqueal no caso de falha na ventilação por máscara facial ou necessidade de suporte ventilatório prolongado. Como a intubação endotraqueal é a habilidade mais difícil na ressuscitação neonatal, seria possível uma alternativa mais fácil, como a máscara laríngea (ML), ser eficaz?

 

O Estudo

 

Apresentamos um estudo de fase 3, aberto, feito em Uganda, no qual foram randomizados neonatos que precisavam de ventilação com pressão positiva para serem tratados por uma parteira com uma ML ou ventilação com máscara facial. Todos os recém-nascidos tinham idade gestacional estimada de pelo menos 34 semanas, peso de nascimento estimado de pelo menos 2.000 g ou ambos. O desfecho primário foi um composto de morte em 7 dias ou admissão na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) com encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave no dia 1 a 5 durante a hospitalização.

Dados completos de acompanhamento estavam disponíveis para 99,2% dos neonatos. Um evento de desfecho primário ocorreu em 154 de 563 neonatos (27,4%) no grupo de ML e em 144 de 591 (24,4%) no grupo de máscara facial (risco relativo ajustado, 1,16; IC de 95%, 0,90 a 1,51; P = 0,26). Morte em 7 dias ocorreu em 21,7% dos neonatos no grupo de ML e em 18,4% daqueles no grupo de máscara facial (risco relativo ajustado, 1,21; IC de 95%, 0,90-1,63), e admissão na UTIN com encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave no dia 1 a 5 durante a hospitalização ocorreu em 11,2% e 10,1%, respectivamente (risco relativo ajustado, 1,27; IC de 95%, 0,84 a 1,93). Os resultados permaneceram inalterados em uma análise de sensibilidade em que neonatos com dados ausentes foram contados como tendo um evento de desfecho primário no grupo de ML e como não tendo tido tal evento no grupo de máscara facial. A frequência de eventos adversos relacionados à intervenção predefinidos foi semelhante nos dois grupos.

 

Aplicação Prática

 

Este é um estudo interessante, feito em cenário de baixo recurso, e que demonstrou que em neonatos com asfixia a ML foi segura nas mãos de parteiras, mas não foi superior à ventilação com máscara facial em relação à morte neonatal precoce e à encefalopatia hipóxica-isquêmica moderada a grave. A despeito de não ter demonstrado superioridade, o insight que o estudo traz é que, em determinados cenários socioeconômicos mais restritos, ou, ainda, onde a capacitação técnica é uma barreira, a possibilidade de utilizar um recurso mais simples (no caso a máscara laríngea em detrimento da máscara facial) pode ser algo interessante. Mais estudos randomizados em cenários distintos seriam interessantes para avaliar essa ideia a ser aplicada em cenários de escassez técnica.

 

 

Bibliografia

 

1.             Pejovic NJ et al. A Randomized Trial of Laryngeal Mask Airway in Neonatal Resuscitation. N Engl J Med 2020; 383:2138-2147

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