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Microangiopatia Cerebral

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP.
Supervisor do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Última revisão: 09/06/2016

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Quadro Clínico

Paciente masculino, 79 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica em uso irregular de medicações para controle, é trazido por sua esposa e filha em consulta, pois ele vêm progressivamente há alguns meses manifestando declínio cognitivo e marcha mais lentificada. Você verifica que o paciente apresenta componente de demência, porém faz uma investigação completa. Diversos dos exames iniciais vêm normais. Você então solicita uma ressonância nuclear magnética (RNM) de encéfalo, que mostramos na imagem 1.

 

Imagem 1 – ressonância nuclear magnética de encéfalo

 

 

 

Diagnóstico e Discussão

Detalhe do laudo da RNM: Focos de hipersinal em T2/ FLAIR na substância branca periventricular, nos centros semiovais e subcorticais, sem restrição à difusão, efeito tumefativo e realce pelo contraste paramagnético, achados inespecíficos podendo corresponder à gliose/ microangiopatia.

A microangiopatia cerebral, também conhecida como doença de pequenos vasos, é cada vez mais diagnosticada com a disponibilidade de exames de imagem como tomografia, e principalmente ressonância magnética.

A microangiopatia cerebral é um reflexo da mudança patológica dos pequenos vasos cerebrais, o que inclui pequenas artérias, arteríolas, capilares e vênulas. Isso está associado com lesões de matéria branca, infartos lacunares, e, mais recentemente descrito, também com microssangramentos.

Não existe um quadro clínico especificamente relacionado, mas sintomas clínicos estão envolvidos: alterações de marcha, alterações urinárias, depressão e declínio cognitivo.

Os principais fatores de risco apontados em estudo são a idade e hipertensão arterial sistêmica, mas há dúvidas se não existe associação com outras condições como diabetes, dislipidemia e obesidade. Não há marcadores laboratoriais bem descritos, e o que foi estudado (d-dímero, homocisteína e PCR) se mostrou inconsistente.

Em recente estudo, os sintomas mais relacionados com a microangiopatia cerebral foram declínio cognitivo progressivo (38,1%), apraxia de marcha (27,8%), sintomas e convulsões associados a acidente vascular cerebral (24,2%), sintomas de AIT (22%) e vertigem (17%).

 

Quanto à localização anatômica, pode-se relacionar as lesões com sintomas da seguinte maneira:

 

Infartos lacunares e lesões de substância branca em lobo frontal se associaram a declínio cognitivo progressivo, apraxia de marcha, convulsões, sintomas associados a acidente vascular cerebral, sintomas de AIT, vertigem e incontinência;

Infartos lacunares e lesões de substância branca em lobo parieto-occipital se associaram a maior frequência de AIT, convulsões e incontinência;

Infartos lacunares e lesões de substância branca em núcleos da base se associaram a apraxia de marcha, vertigem e incontinência.

 

Bibliografia

Okroglic S, Widmann CN, Urbach H, Scheltens P, Heneka MT (2013) Clinical Symptoms and Risk Factors in Cerebral Microangiopathy Patients. PLoS ONE 8(2): e53455. doi:10.1371/journal.pone.0053455

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