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Angioedema por iECA

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 11/04/2016

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Quadro Clínico

Mulher de 59 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica, faz uso de captopril há cinco anos, sendo a última mudança de dosagem há três meses quando passou a usar 150mg/dia. Hoje vem ao pronto-socorro apresentando edema de lábios e língua, além de impossibilidade de falar e dispneia. Na imagem 1 podemos ver a situação clínica da paciente.

 

Imagem 1- Face da paciente

 

 

 

Discussão

Esta paciente apresenta um típico quadro de angioedema associado a inibidor de enzima conversora de angiotensina (iECA).

A incidência deste quadro clínico em usuários de iECA chega a variar entre 0,1% e 0,7%. Apesar de ser um número relativamente baixo, em números absolutos isso representa um grande número de casos, dada a prevalência de hipertensão e do uso de iECA no tratamento dos pacientes.

Por outro lado, os iECA são os campeões como drogas causadoras de angioedema. Estima-se que 40% das procuras a departamento de emergência por angioedema por drogas seja por conta dos iECA.

O quadro clínico de angioedema é bastante característico. Trata-se de um edema não depressível que afeta preferencialmente o trato digestivo, sendo o mais comum o acometimento da boca, dos lábios, da língua e da orofaringe, mas podendo também acometer as vísceras abdominais causando edema de parede e dor abdominal. Os pacientes não têm rash ou urticária associada. Os sintomas podem ocorrer a qualquer tempo do uso do iECA apesar de ser mais comum com o início do uso.

A fisiopatologia do quadro se deve ao excesso de bradicinina (um peptídeo vasodilatador), que acaba sendo mais produzido devido ao bloqueio da enzima conversora de angiotensina. Não há correlação maior com qualquer um dos iECA ou com dosagens maiores.

O diagnóstico é basicamente clínico. A conduta envolve suspensão da droga causadora e manejo na emergência. Não esquecer que inicialmente a abordagem deve ser da via aérea, e em alguns casos pode ser necessário intubação, ou mesmo uma cricotomia de urgência para preservar a via aérea. Cerca de 10% dos casos apresenta obstrução de via aérea.

O tratamento farmacológico deve ser feito com icatibanto. Outras opções são o uso de plasma fresco congelado ou ainda drogas mais caras e menos disponíveis, como o concentrado de inibidor de C1 ou o ecalantide.

 

Referências

Quan M. Case study. ACE inhibitor-induced angioedema. Clin Cornerstone 209; 9 Suppl 3:S34.

 

Kostis JB, KIM HJ, Rusnak J, et al. Incidence and characteristics of angioedema associated with enalapril. Arch Inter Med 2005; 165: 1637.

 

Makani H, Messerli FH, Romero J, et al. Meta-analysis of randomized trials of angioedema as an adverse event of renin-angiotensin system inhibitors. Am J Cardiol 2013; 110:383.

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