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esplenomegalia

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 01/07/2016

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Quadro Clínico

Homem de 68 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica, em tratamento com clortalidona 25mg/dia, e dislipidemia em tratamento com sinvastatina 20mg/dia estava em investigação em outro serviço por queixa de dores abdominais pouco específicas. Durante sua investigação, ele fez vários exames, em sua maioria com resultados normais. Entretanto, um dos exames, uma tomografia de abdome, mostrou uma esplenomegalia. O paciente procura aconselhamento sobre esse achado.

 

Imagem 1- Tomografia de abdome com esplenomegalia

 

 

Discussão

Como o paciente traz a informação de que tem esplenomegalia, a discussão será  centrada no diagnóstico diferencial desse achado, que poderia muito bem ter ocorrido durante um exame físico bem feito, sem necessidade de exame de imagem em um primeiro momento.

O baço é um órgão hematopoiético que participa da imunidade humoral e celular. Ele remove hemácias antigas, bactérias e outras partículas da circulação através do sistema monocítico-macrofágico. Em média, o órgão pesa 150g no adulto, não sendo usualmente palpável ao exame físico.

Ao exame físico, um baço palpável geralmente significa esplenomegalia. Diferentes métodos de imagem têm seus valores estabelecidos para se dizer quando há esplenomegalia. Ao ultrassom, um baço normal tem menos de 13 cm de comprimento, e até 5cm de espessura. Em tomografia, esplenomegalia é definida por um baço com mais de 10 cm, tendo este ponto de corte uma sensibilidade de 81%, especificidade de 90% e acurácia de 88%.

As causas de esplenomegalia são diversas. Alguns dados de literatura mostram a seguinte frequência de causas: 33% por cirrose, 27% por linfoma, 23% por infecção (AIDS, endocardite), 8% por insuficiência cardíaca, 4% por trombose da veia esplênica, 5% de outras causas. Na tabela 1 é possível verificar todas as causas possíveis de esplenomegalia.

 

Tabela 1 – Causas de esplenomegalia

 

Cirrose

Insuficiência Cardíaca

Trombose de veia porta, hepática ou esplênica

Linfoma

Leucemias crônicas ou agudas

Policitemia Vera

Mieloma Múltiplo

Trombocitemia essencial

Mielofibrose primária

Tumor esplênico primário

Metástase de tumor sólido

Infecção viral – hepatite, CMV, mononucleose

Bactérias – salmonela, brucela, tuberculose

Parasitas – malária, esquistossomose, toxoplasmose, leishmaniose

Endocardite infecciosa

Doença fúngica

Sarcoidose

Doença do Soro

Lúpus Eritematoso Sistêmico

Artrite Reumatoide (Síndrome Felty)

Doença de Gaucher

Doença de Niemann-Pick

Amiloidose

Doença de depósito de glicogênio

Histiocitose de células de Langerhans

Linfohistiocitose hemofagocítica

Doença de Rosai-Dorfman

Anemias hemolíticas agudas ou crônicas

Doença falciforme em crianças

Após uso de fator estimulante de colônias de granulócitos humanos

 

Há ainda um grupo específico de causas de esplenomegalia que geram aumentos maciços do baço, normalmente localizando o polo inferior do órgão próximo à pelve do paciente. Poucas são as condições que causam todo esse aumento e, portanto, merecem ser destacadas:leucemia mieloide crônica, mielofibrose primária ou secundária à policitemia vera ou trombocitemia essencial, doença de Gaucher, linfomas (principalmente os indolentes), Leishmaniose visceral, Síndrome de esplenomegalia tropical (esplenomegalia reativa a malária), Beta-talassemia major beta-talassemia intermedia grave, AIDS com complexo Mycobacterium avium.

 

Referências

Wilkins BS. The spleen. Br J Haematol 2002; 117:265.

 

Barkun AN, Camus M, Green L, et al. The bedside assessment of splenic enlargement. Am J Med 1991; 91:512

 

Carr JA, Shurafa M, Velanovich V. Surgical indications in idiopathic splenomegaly. Arch Surg 2002; 137:64.

 

Monterroso J, Chandana S. Images in clinical medicine. Massive splenomegaly in hairy­cell leukemia. N Engl J Med 2012; 367:2133.

 

Bedu­Addo G, Bates I. Causes of massive tropical splenomegaly in Ghana. Lancet 2002; 360:449.

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