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Dor torácica e cocaína

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 25/05/2009

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Dor torácica e cocaína

 

Desfechos clínicos e novas visitas ao pronto-socorro em 1 ano após observação no pronto-socorro por dor torácica associada ao uso de cocaína.

One-Year Medical Outcomes and Emergency Department Recidivism After Emergency Department Observation for Cocaine-Associated Chest Pain. Annals of Emergency Medicine 2009; 53(3):310-320 [Link para Artigo Completo].

 

Fator de impacto da revista (annals of emergency medicine): 3,500

 

Contexto Clínico

            Dor torácica é a queixa mais comum entre usuários de cocaína que procuram atendimento em pronto-socorros, e muitos recursos hospitalares são gastos para estratificar tais pacientes em relação à morbidade e mortalidade cardíacas futuras. Pouco se sabe sobre o prognóstico cardíaco e não cardíaco de usuários de cocaína que se apresentaram ao pronto-socorro com dor torácica e foram estratificados numa unidade de dor torácica. Assim, os autores realizaram um estudo para examinar os desfechos cardíacos após 1 ano em uma amostra de pacientes de baixo para médio risco com dor torácica associada ao uso de cocaína que procuraram um pronto-socorro (PS) urbano.

 

O Estudo

            Trata-se de uma coorte prospectiva com 219 participantes de 18 a 60 anos de idade que procuraram um PS urbano com dor torácica associada ao uso de cocaína e que foram estratificados como de baixo para médio risco cardiovascular. Foram excluídos pacientes com eletrocardiograma sugestivo de infarto agudo do miocárdio, marcadores de lesão miocárdica elevados, história de infarto agudo do miocárdio ou revascularização miocárdica, instabilidade hemodinâmica e angina instável. Entrevistas usando medidas validadas de funcionamento de saúde e de uso de substâncias ilícitas foram realizadas durante a estada na unidade de dor torácica e aos 3, 6 e 12 meses. Foram avaliados desfechos cardíacos, além de recidiva em 1 ano tanto por queixas cardíacas como não cardíacas. A utilização do PS durante o ano do estudo foi avaliada utilizando-se os registros médicos.  Análise de regressão de Poisson foi utilizada para predizer visitas recorrentes ao PS.

 

Resultados

            Setenta e três por cento (73%) dos pacientes (219 pacientes) com dor torácica associada ao uso de cocaína foram incluídos no estudo. Destes, 65% retornaram ao pronto-socorro após a visita índice, sendo que 23% retornaram por dor torácica (66% apresentaram teste de urina positivo para cocaína). Dos pacientes que retornaram ao pronto-socorro com dor torácica após a visita índice, apenas 5% foram admitidos na unidade de dor torácica e estratificados novamente do ponto de vista cardiovascular. Nenhum paciente apresentou infarto agudo do miocárdio durante o ano de seguimento do estudo. Pacientes que continuaram usando cocaína apresentaram uma chance maior de visita recorrente (p<0,001), mas estas visitas recorrentes foram mais comumente relacionadas a dores musculoesqueléticas (21%) e trauma (30%), ao invés de queixas cardíacas potenciais. Surpreendentemente, o uso continuado de cocaína não foi um preditor significante de visitas recorrentes ao PS por dor torácica, embora tenha sido um importante preditor de visitas por qualquer causa. Pacientes femininos, pacientes mais velhos, pacientes que não tinham um médico e pacientes com seguro de saúde apresentaram um número maior de visitas recorrentes por dor torácica. Os autores concluem que pacientes com dor torácica associada ao uso de cocaína que foram estratificados para risco cardíaco baixo a intermediário e que completaram um protocolo de avaliação na unidade coronariana têm taxa de incidência de infarto agudo do miocárdio de menos de 1% no ano subseqüente. Outro achado interessante foi o fato de que 79% dos participantes relataram uso de cocaína após a visita índice nas visitas de seguimento e 78% apresentaram teste positivo para cocaína na urina. Estes achados sugerem que o auto-relato de uso de cocaína parece ser válido

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Visitas de usuários de cocaína são frequentes em hospitais urbanos e dor torácica é a principal queixa destas visitas. Assim, este editor acredita que um estudo de prognóstico desta natureza seja de extrema importância para médicos que trabalham em emergências. O achado de que o uso de cocaína foi um importante preditor para recorrência de visitas ao pronto-socorro por qualquer causa, ressalta a importância da identificação e do encaminhamento de usuários da cocaína no sentido de reduzir a recorrência e a morbidade e mortalidade deste grupo de indivíduos. O uso de cocaína está associado a um sem número de outras complicações, dentre elas pulmonares, neurovasculares, psiquiátricas e causas externas (tanto trauma não intencional como violência interpessoal), além de complicações infecciosas no caso dos usuários de cocaína injetável (infecções locais, além de infecção pelo HIV e hepatites B e C).

 

Bibliografia

1. Cunningham R, Walton MA, Weber JE,  O'Broin S, Tripathi SP, Maio RF, Booth BM. One-Year Medical Outcomes and Emergency Department Recidivism After Emergency Department Observation for Cocaine-Associated Chest Pain. Annals of Emergency Medicine 2009; 53(3):310-320.

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