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Abordagem de pacientes moradores em casa de repouso no PS

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 17/07/2009

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Pacientes de casas de repouso que frequentam pronto-socorros poderiam ser manejados de forma diferente?

 

Pacientes de casas de repouso que frequentam pronto-socorros: poderiam ser manejados de forma diferente?

Patients from care homes who attend the emergency department: could they be managed differently? Emerg Med J 2009; 26:259-262 [Link para Abstract].

 

Fator de impacto da revista (emergency medicine journal): 0,929

 

Contexto Clínico

            O número de pessoas com idade mais avançada e, portanto passíveis de viver em casas de repouso, deve aumentar muito nos próximos 20 anos. Este grupo de pacientes é vulnerável e, geralmente apresenta muitas comorbidades, necessitando de atendimento de urgência com alguma freqüência. Documentação atualizada, completa e clara acompanhando o paciente durante transferências para pronto-socorros (PS) é crucial para este grupo vulnerável de indivíduos. Alguns estudos sugerem que informação escrita fornecida pela casa de repouso muitas vezes não existe ou é incompleta, e que os pacientes geralmente procuram o hospital sozinhos ou com cuidadores que não os conhecem. Esta falta de informação e comunicação é muitas vezes mais pronunciada e difícil de resolver nos horários não comerciais (plantões noturnos e finais de semana). Saber se o manejo de condições agudas em pacientes institucionalizados pode ser realizado na própria casa de repouso ou se deve ser realizado no pronto-socorro é de grande interesse tanto do ponto de vista da qualidade de atendimento individual como do ponto de vista de provisão geral de serviços num sistema de saúde organizado. Levando em conta estas considerações, os autores realizaram um estudo com o objetivo de descrever as características sócio-demográficas de pacientes institucionalizados que procuram o pronto-socorro e estimar se cuidados alternativos poderiam ter sido fornecidos para este grupo de pacientes.

 

O Estudo

            Estudo descritivo, com dados de pacientes consecutivos que procuraram o departamento de emergências de um hospital de Edinburgh, Escócia (Royal Infirmary of Edinburgh) provenientes de casas de repouso durante o período de 1 mês. Um formulário foi preenchido contendo detalhes sobre o diagnóstico, comunicação da casa de repouso, detalhes do encaminhamento, do transporte e do status de ressuscitação (situação documentada a respeito do desejo do paciente de ser reanimado caso haja uma parada cardiorrespiratória). Três clínicos gerais avaliaram se os pacientes poderiam ter recebido os cuidados necessários e apropriados fora do pronto-socorro.

 

Resultados

            Durante o mês do estudo, 114 pacientes foram recrutados (idade média de 84 anos). Os resultados mostraram que 40 pacientes institucionalizados (35%) chegaram ao PS sem uma carta de encaminhamento. Noventa e nove pacientes (87%) foram trazidos ao PS de ambulância, 36 pacientes (32%) chegaram em horários comerciais e 78 pacientes (68%) chegaram fora de horários comerciais (plantões noturnos e finais de semana). Cinquenta e oito pacientes (51%) receberam alta do PS após avaliação inicial e destes, 41 pacientes (71%) retornaram à sua casa de repouso com outro meio de transporte que não ambulâncias. Apenas 3 pacientes (3%) apresentavam um status de ressuscitação documentado. As avaliações dos clínicos gerais sugeriram que entre 8 e 40% dos casos avaliados poderiam ter sido manejados fora de um pronto-socorro.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            É um estudo descritivo pequeno (série de casos), realizado em um único hospital, em um país (Escócia) que apresenta um sistema de saúde diferente do nosso, no sentido de que lá a figura do GP (general physician – clínico geral de referência ou médico de família) está estabelecida como a porta de entrada no sistema de saúde (neste estudo, 40% dos encaminhamentos para o pronto-socorro foram feitos por um GP). Mas a despeito destas considerações é um estudo que aborda uma questão, mesmo no Brasil, extremamente importante. O número de idosos institucionalizados, com inúmeras comorbidades, tem crescido nos últimos anos, e a tendência é de crescimento ainda maior nas próximas décadas. Desta forma, é importante, na organização de um sistema de saúde que este grupo de pacientes, altamente vulneráveis, não seja esquecido. Alguns dados são interessantes para serem discutidos. Primeiro, é o de uma possível utilização excessiva de ambulâncias, visto que dos pacientes que tiveram alta após uma avaliação inicial, 71% retornaram à sua casa de repouso por outro meio de transporte que não ambulância. Segundo, é a questão do manejo de condições agudas na própria casa de repouso, com o apoio da equipe de atenção primária. Neste estudo até 40% dos casos vistos no PS poderiam ter sido resolvidos na própria casa de repouso. Obviamente que estes dados, por serem extremamente dependentes da organização do sistema de saúde e da cultura de saúde local, não devem ser generalizados para outros locais, mas devem ser vistos como uma questão que deve ser abordada e estudada no Brasil. Já é notório o número de pacientes institucionalizados que permanecem em observação em pronto-socorros públicos e particulares em todas as regiões do Brasil.

 

Bibliografia

1. Carter L, Skinner J, Robinson S. Patients from care homes who attend the emergency department: could they be managed differently. Emerg Med J 2009; 26:259-262.

 

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