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Atualização sobre o Surto de Ebola - 25 de Agosto de 2014

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 11/09/2014

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Epidemiologia e Vigilância

        Entre 19 e 20 de agosto de 2014, um total de 142 novos casos da doença do vírus Ebola (confirmado laboratorialmente, casos prováveis, e casos suspeitos), bem como 77 mortes foram registradas a partir de Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa.

 

Resposta do Setor de Saúde e Notícias

        A OMS continua recebendo relatos de casos, rumores ou suspeitos, de países ao redor do mundo e uma verificação sistemática dos casos estão em curso. Os países são incentivados a continuar a engajar-se em atividades de vigilância e preparação ativas. Não houve nos últimos dias novos casos confirmados fora da Guiné, Libéria, Nigéria, ou Serra Leoa.

        O surto da doença de vírus Ebola na África Ocidental é inédita em muitos aspectos, incluindo a elevada proporção de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que foram infectados. No surto atual, a maioria dos casos de doença causada pelo vírus Ebola são o resultado de rituais de sepultamento, ocorrendo transmissão de humano para humano. Outro aspecto muito peculiar do atual surto é que, até o momento, mais de 240 profissionais de saúde desenvolveram a doença na Guiné, na Libéria, na Nigéria e na Serra Leoa, e mais de 120 morreram. Vários fatores ajudam a explicar a alta proporção de profissionais de saúde infectados, incluindo a falta de equipamento de proteção, ou seu uso indevido, muito poucos profissionais de saúde para lidar com um surto tão grande, e o fato de as equipes terem de trabalhar em salas de isolamento muito além do número de horas recomendadas como seguras.

        Os surtos prévios de Ebola ocorreram em áreas mais remotas, em uma parte da África que está mais familiarizada com esta doença, e com cadeias de transmissão que eram mais fáceis de controlar e quebrar. O surto atual é diferente. Capitais e áreas rurais são afetadas, aumentando muito as oportunidades de casos não diagnosticados terem contato com equipes de hospitais. Nem os médicos nem o público estão familiarizados com a doença. O medo governa aldeias e cidades inteiras.  Uma vez que várias doenças infecciosas endêmicas na região (malária, febre tifoide e febre Lassa) têm sintomas muito semelhantes aos sintomas iniciais da doença pelo vírus Ebola, as equipes de saúde podem não suspeitar de Ebola e não verem necessidade de tomar medidas cautelares. E algumas infecções documentadas ocorreram exatamente quando médicos não protegidos correram para ajudar um paciente que estava visivelmente muito doente. E em muitos casos, a equipe médica está em risco, porque nenhum equipamento de proteção está disponível - nem mesmo luvas e máscaras. Mesmo em enfermarias dedicadas ao tratamento de pacientes com Ebola, equipamentos de proteção individual são muitas vezes escassos ou não estão sendo usados corretamente.

        Além disso, os equipamentos de proteção individual são quentes e pesados, o que é especialmente limitante em um clima tropical, e isso limita muito o tempo que os médicos e enfermeiros podem trabalhar em uma ala de isolamento.  Essa perda de tantos médicos e enfermeiros tornou difícil para a OMS  garantir o apoio de um número suficiente de pessoal médico estrangeiro. A União Africana lançou uma iniciativa urgente para recrutar mais profissionais de saúde entre os seus membros.

        A OMS continua não recomendando que restrições de viagem ou comerciais sejam aplicadas, exceto nos casos em que os indivíduos foram confirmados ou suspeitos de estarem infectados com Ebola, ou onde as pessoas tiveram contato com casos de Ebola (contatos não incluem profissionais de saúde adequadamente protegidas e pessoal de laboratório).

 

Atualização dos Dados da Doença

        Novos casos e mortes atribuíveis ao Ebola continuam a ser relatados pelos Ministérios da Saúde na Guiné, na Libéria, na Nigéria e na Serra Leoa. Entre 19 e 20 de agosto de 2014, novos casos (confirmados em laboratório, casos prováveis e os casos suspeitos) de Ebola e  mortes foram registradas nos quatro países da seguinte forma: Guiné, 28 novos casos e 10 mortes; Libéria, 110 novos casos e 48 mortes; Nigéria, 1 novo caso e 1 morte; e Serra Leoa, 3 novos casos e 18 mortes.

 

Referências

World Health Organization. Ebola Virus Disease Update – West Africa. Disease Outbreak News 22 August 2014.  Disponível em: http://www.who.int/csr/don/2014_08_22_ebola/en/

 

World Health Organization. Ebola Virus Disease Update – West Africa. Disease Outbreak News 20 August 2014.  Disponível em: http://www.who.int/csr/don/2014_08_20_ebola/en/

 

World Health Organization. Media Centre. Unprecedented number of medical staff infected with Ebola. Situation assessment - 25 August 2014. http://www.who.int/mediacentre/news/ebola/25-august-2014/en/

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