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Atualização sobre o Surto de Ebola - 01 de Setembro de 2014

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 22/09/2014

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Epidemiologia Atual do Surto

        O surto do Ebola continua a acelerar. Mais de 40% do número total de casos ocorreu dentro das últimas três semanas. No entanto, a maioria dos casos estão concentrados em apenas algumas localidades.

        A taxa global de mortalidade é de 52%. Ela varia de 42% em Serra Leoa até 66% na Guiné.

        Um surto separado de vírus Ebola, que não está relacionado com o surto na África Ocidental, foi noticiado em 26 de agosto pela República Democrática do Congo e confirmado por laboratório. Um caso suspeito foi também anunciado no Senegal em 29 de agosto.

 

Ebola também na República Democrática do Congo

        Em 26 de agosto de 2014, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo (RDC), informou a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre um surto de doença de vírus Ebola (EVD) na província de Equateur.

        O caso índice foi de uma mulher grávida da vila de Ikanamongo que abateu um animal selvagem que havia sido dado a ela por seu marido. Ela ficou doente com sintomas de Ebola e relatou seu caso a uma clínica privada em Isaka Village. Em 11 de agosto de 2014, ela morreu de uma febre hemorrágica até então não identificada. Os costumes locais e rituais associados à morte fez com que vários trabalhadores de saúde fossem expostos, e estes passaram a apresentar sintomas similares à do caso índice na semana seguinte.

        Entre 28 de julho e 18 de Agosto de 2014, um total de 24 casos suspeitos de febre hemorrágica, incluindo 13 mortes, foram identificados na República Democrática do Congo. A transmissão homem-a-homem incluiu os profissionais da saúde que foram expostos à gestante que faleceu durante uma cirurgia (um médico e duas enfermeiras), além de outros dois funcionários, os quais desenvolveram sintomas e morreram . Outras mortes foram registradas entre os parentes que tiveram contato com o caso índice, os indivíduos que estavam em contato com o pessoal da clínica, e aqueles que lidavam com os corpos dos mortos durante os funerais. Os outros 11 casos estão sendo tratados em centros de isolamento.

        Amostras foram enviadas para laboratórios em Kinshasa e no Gabão para confirmação de Ebola e para identificar a cepa do vírus. O caso índice e os 80 contatos não têm história de viagem para os países já afetadas na África Ocidental (Guiné, Libéria, Nigéria, Serra Leoa) ou história de contato com pessoas de áreas afetadas. Neste momento, acredita-se que o surto na República Democrática do Congo não tem relação com o surto em curso na África Ocidental.

        Os resultados do sequenciamento do vírus de amostras do surto de Ebola na República Democrática do Congo revelaram que o vírus é da cepa Zaire, em uma linhagem mais relacionada com o vírus desde o surto de 1995 de Ebola em Kikwit, na República Democrática do Congo. A cepa Zaire do vírus é nativa no país. O Ebola surgiu pela primeira vez em 1976 em surtos quase simultâneos na República Democrática do Congo (então Zaire) e no Sudão do Sul (atual Sudão). O teste confirmatório foi feito no Gabão em um centro colaborador da OMS. Os resultados da caracterização do vírus, juntamente com achados da investigação epidemiológica, são definitivos: este surto na RDC é um evento distinto e independente, sem relação com o surto na África ocidental.

        Este surto na República Democrática do Congo ainda está localizado no distrito de Boende remoto, na província de Equateur, na parte norte-ocidental do país. Como o vírus não tem relação com o surto na África Ocidental, trata-se de situação mais tranquila, pois não há possibilidade de que o vírus tenha se espalhado do Ocidente para a África Central.

        A investigação epidemiológica do caso índice, que morreu em 11 de agosto, relacionou a infecção com a preparação de carne de animais silvestres para o consumo. Este é o sétimo surto de Ebola no país desde 1976, quando houve introdução do vírus na população humana após o contato com carne de animais selvagens infectados (geralmente morcegos ou macacos), e é consistente com o padrão observado no início de surtos anteriores. O vírus agora está se espalhando de pessoa para pessoa. Até o momento, foram identificados 53 casos consistentes com a definição de caso de doença do vírus Ebola, incluindo 31 mortes. Sete dessas mortes foram entre profissionais de saúde. Mais de 160 contatos estão sendo rastreados. O governo da RDC montou rapidamente uma resposta reativando comitês de emergência a nível nacional, provincial e local, a criação de centros de isolamento, instruindo líderes comunitários sobre a doença. O governo vai garantir que todos os enterros sejam feitos de forma segura.

        A zona de surto, onde a transmissão mais intensa está ocorrendo, é remota, localizada a cerca de 1200 km da capital, Kinshasa. Não há estradas pavimentadas que liguem a zona de surto com Kinshasa. No entanto, existe a necessidade de acompanhar de perto a evolução do surto.

 

Ebola também no Senegal

        Em 30 de agosto de 2014, do Ministério da Saúde Pública e dos Assuntos Sociais do Senegal notificou a OMS sobre um caso de doença pelo vírus Ebola (DVE) anunciado naquele país em 29 de agosto. Testes e confirmação de Ebola foram realizados por um laboratório no Instituto Pasteur em Dakar.

        O caso é um rapaz de 21 anos nativo da Guiné, que chegou a Dakar, por via rodoviária em 20 de agosto e ficou com parentes em uma casa nos arredores da cidade.  Em 23 de agosto, ele procurou atendimento médico por sintomas que incluíam febre, diarreia e vômitos. Ele recebeu tratamento para a malária, mas não melhorou e deixou o estabelecimento.  Depois de deixar o estabelecimento, ele continuou a residir com seus parentes. Embora a investigação esteja em seus estágios iniciais, ele aparentemente não viajou para outros locais. Em 26 de agosto ele foi encaminhado a um centro especializado para doenças infecciosas, ainda mostrando os mesmos sintomas, e foi hospitalizado.

        A OMS está tratando este primeiro caso no Senegal como uma emergência. O Governo do Senegal informou a OMS sobre a necessidade urgente de apoio epidemiológico, equipamentos de proteção individual e kits de higiene. Estas necessidades serão atendidas com a maior velocidade possível.

 

Resposta do Setor Saúde e Notícias

        A compreensão plena do surto ainda está em curso. Os resultados preliminares mostram que os casos ainda estão concentrados (62% de todos os casos notificados desde o início do surto) no epicentro do surto em Gueckedou (Guiné); Lofa (Libéria), onde os casos continuam a aumentar; e Kenema e Kailahun (Serra Leoa). As capitais destes países são particularmente preocupantes, devido à sua densidade populacional e devido a possíveis repercussões quanto a viagens, bem como para o comércio local e para a população.

        A OMS continua a receber relatos de casos rumores ou suspeitos de países ao redor do mundo e uma verificação sistemática dos casos está em curso. Os países são incentivados a continuar a engajar-se em atividades de vigilância e preparação ativas. Novos casos foram relatados na República Democrática do Congo e em Senegal, e continua ocorrendo o surto na África Ocidental, nos países já sabidos (Guiné, Libéria, Nigéria, ou na Serra Leoa). Não houve nos últimos dias novos casos confirmados fora destas localidades.

        A OMS continua não recomendando que restrições de viagem ou comerciais sejam aplicadas, exceto nos casos em que os indivíduos foram confirmados ou suspeitos de estarem infectados com Ebola, ou onde as pessoas tiveram contato com casos de Ebola (contatos não incluem profissionais de saúde adequadamente protegidas e pessoal de laboratório).

 

Atualização dos Dados da Doença

        Até 26 de Agosto de 2014, o número de casos relatados nos países do Oeste Africano (Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa) chegaram a 3069, com 1552 mortes.  Até agora, a epidemiologia do Ebola nestes quatro países está distribuída da seguinte forma: Guiné com 647 casos (482 confirmados, 141 prováveis, e 25 suspeitos), incluindo 430 mortes; Libéria com 1378 casos (322 confirmados, 674 prováveis, e 382 suspeitos), incluindo 694 mortes; Nigéria com 17 casos (13 confirmados, 1 provável, e 3 suspeitos), incluindo 6 mortes; e Serra Leoa com 1026 casos (935 confirmados, 37 prováveis e 54 suspeitos), incluindo 422 mortes.

 

Referências

World Health Organization. Ebola Virus Disease Update – Senegal. Disease Outbreak News 30 August 2014.  Disponível em: http://www.who.int/csr/don/2014_08_30_ebola/en/

 

World Health Organization. Ebola Virus Disease Update – West Africa. Disease Outbreak News 28 August 2014.  Disponível em: http://www.who.int/csr/don/2014_08_28_ebola/en/

 

World Health Organization. Ebola Virus Disease Update – Democratic Republic of Congo. Disease Outbreak News 27 August 2014.  Disponível em: http://www.who.int/csr/don/2014_08_27_ebola/en/

 

World Health Organization. Media Centre. Virological analysis: no link between Ebola outbreaks in west Africa and Democratic Republic of Congo. Situation assessment - 2 September 2014. http://www.who.int/mediacentre/news/ebola/25-august-2014/en/

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