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Melhor Proporção de Transfusão em Pacientes com Trauma

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 15/07/2015

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Contexto Clínico

Parte da abordagem inicial de pacientes politraumatizados envolve a estabilização do choque hemorrágico. Em alguns casos, é necessário realizar transfusão maciça (leia mais sobre Transfusão Maciça no MedicinaNET: /conteudos/biblioteca/2223/transfusao_macica.htm). Este tipo de transfusão tem por objetivo a ressuscitação polêmica com controle de danos, e inclui uso de plasma, plaquetas e concentrado de hemácias. Existem dúvidas de qual é a melhor proporção entre todos os hemocomponentes a serem transfundidos.

 

O Estudo

O estudo que apresentaremos teve por objetivo determinar a eficácia e a segurança das transfusões de pacientes com trauma grave e hemorragia grave com o plasma, plaquetas e glóbulos vermelhos numa proporção de 1:1:1 em comparação com uma razão de 1:1:2.

Para isso foi desenvolvido um ensaio clínico randomizado com 680 pacientes gravemente feridos que chegaram a um de 12 centros de trauma na América do Norte e que foram candidatos para transfusão maciça. Os pacientes foram randomizados para receber duas diferentes proporções de hemocomponentes, ou 1:1:1 (338 pacientes) vs 1: 1: 2 (342 pacientes), durante a reanimação ativa, além de todas as intervenções locais padrão para atendimento ao politraumatizado.

Os principais resultados avaliaram todas as causas de mortalidade em 24 horas e 30 dias. Outros resultados secundários avaliados foram tempo para hemostasia, quantidades de hemoderivados transfundidas, complicações, incidência de procedimentos cirúrgicos e estado funcional.

Não foram detectadas diferenças significativas na mortalidade às 24 horas (12,7% no grupo 1:1:1  vs 17,0% no grupo 1:1:2; diferença de -4,2%; P = 0,12) e em 30 dias (22,4% vs 26,1%, respectivamente; diferença de -3,7%; P = 0,26). Exsanguinação foi a principal causa de óbito nas primeiras 24 horas, e isso foi menor significativamente no grupo 1:1:1 (9,2% vs 14,6% no grupo 1:1:2; diferença de -5,4%; P = 0,03). Mais pacientes no grupo 1:1:1 atingiram hemostasia em relação ao grupo 1:1:2 (86% vs 78%, respectivamente; P = 0,006). A despeito de no grupo 1:1:1 ter havido mais uso de plasma (média de 7 L vs 5 L,: 1 P <0,001) e de plaquetas (12 UI vs 6 UI, P <0,001) e uma quantidade similar de células vermelhas (9 L em ambos os grupos) durante as primeiras 24 horas, não houve diferenças entre os dois grupos com relação a 23 complicações pré-especificadas, incluindo a síndrome do desconforto respiratório agudo, insuficiência de múltiplos órgãos, tromboembolismo venoso, sepse e complicações relacionadas à transfusão.

 

Aplicações Práticas

Entre os pacientes com trauma grave e hemorragia grave, a administração precoce de plasma, plaquetas e glóbulos vermelhos na proporção de 1:1:1 em comparação com uma proporção de 1:1:2 não resultou em diferenças significativas na mortalidade em 24 horas ou em 30 dias. No entanto, mais pacientes no 1:1:1 atingiram hemostasia, e menos casos foram a óbito nas primeiras 24h devido à exsanguinação. Mesmo havendo mais uso de plasma e plaquetas transfundidas no grupo 1:1:1, não foram identificadas outras diferenças de segurança entre os dois grupos. Sendo assim, com base neste excelente estudo randomizado, é possível afirmar que podemos utilizar transfusão maciça na proporção de 1:1:1 como padrão em centros de trauma.

 

Bibliografia

Holcomb JB et al. Transfusion of plasma, platelets, and red blood cells in a 1:1:1 vs a 1:1:2 ratio and mortality in patients with severe trauma: The PROPPR randomized clinical trial. JAMA 2015 Feb 3; 313:471. (Link para o artigo: http://dx.doi.org/10.1001/jama.2015.12)

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