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Recorrência de Retocolite Ulcerativa em quem suspende infliximabe

Autor:

Lucas Santos Zambon

Doutorado pela Disciplina de Emergências Clínicas Faculdade de Medicina da USP; Médico e Especialista em Clínica Médica pelo HC-FMUSP; Diretor Científico do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Membro da Academia Brasileira de Medicina Hospitalar (ABMH); Assessor da Diretoria Médica do Hospital Samaritano de São Paulo.

Última revisão: 10/10/2016

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Contexto Clínico

A doença inflamatória intestinal sempre foi um desafio do ponto de vista do tratamento, e até hoje ainda é. O infliximabe é uma terapia segura e eficaz para o tratamento da retocolite ulcerativa (RCU), e vem sendo empregado com muito sucesso. Apresentaremos um estudo que buscou examinar se a descontinuação do infliximabe pode ser considerada para pacientes que atingiram remissão sustentada; foram acompanhados pacientes de Israel e de sete países europeus.

 

O Estudo

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo multicêntrico, coletando registros médicos de 13 centros de cuidados terciários de referência para doença intestinal inflamatória, incluindo todos os pacientes com RCU tratados com infliximabe (n=193). Comparou-se a evolução da doença de pacientes com pelo menos 12 meses de remissão clínica, que tiveram o infliximabe descontinuado (n=111) com a evolução de doentes que continuaram o tratamento (controles, n=82). Foram examinadas as taxas de incidência de recidiva, hospitalização e colectomia, e a eficácia comparativa de diferentes estratégias terapêuticas após a interrupção; e foram avaliados as taxas de resposta e de remissão, e os efeitos adversos após reinício do infliximabe.

Em toda a coorte, 67 pacientes (34,7%) tiveram recaída durante o período de acompanhamento. A taxa de incidência de recaída foi significativamente maior após a descontinuação (23,3 por 100 pessoas/ano) em comparação com o grupo controle (7,2 por 100 pessoas/ano) na análise univariada (P<0,001; hazard ratio 3,41; intervalo de confiança [IC] 95% 1,88-6,20) e análise multivariada (hazard ratio 3,70; IC 95%, 2,02-6,77). As taxas de hospitalização e colectomia não diferiram entre os grupos. Tiopurinas pareceram ser a melhor opção de tratamento depois da descontinuação de infliximabe (incidência de recaídas: 15,0 por 100 pessoas/ano para tiopurinas, 27,4 por 100 pessoas/ano para tiopurinas mais aminosalicilatos, e 31,2 por 100 pessoas/ano para aminosalicilato sozinho, P=0,032). A resposta foi recuperada em 51,4% dos pacientes que tiveram o infliximabe reiniciado. No entanto, 17,1% tiveram reações à infusão, e 17,1% relataram outros eventos adversos.

 

Aplicação Prática

Neste estudo de coorte retrospectivo multinacional de pacientes com RCU em remissão clínica sustentada, demonstrou-se a associação entre a descontinuação do infliximabe e o aumento do risco de recaída. Mostrou-se, também, que retomar o tratamento é eficaz, a despeito dos eventos adversos. Outro dado interessante é que as tiopurinas parecem ser a melhor ponte de tratamento na ausência de tratamento de infliximabe (e isso deve ser pensado considerando realidades em que a disponibilidade da medicação não seja perenemente garantida).

Referências 

Fiorino G et al. Discontinuation of infliximab in patientswithulcerativecolitis is associatedwithincreasedrisk of relapse: A multinationalretrospectivecohortstudy. ClinGastroenterolHepatol 2016 Jun 15; [e-pub]

 

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