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Eletrocardiograma 18

Autores:

Fernando de Paula Machado

Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do HC-FMUSP. Médico Diarista do Pronto-Atendimento do Hospital Sírio-Libânes.

Leonardo Vieira da Rosa

Médico Cardiologista pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Médico Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Doutorando em Cardiologia do InCor-HC-FMUSP. Médico Cardiologista da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês.

Última revisão: 01/04/2019

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Quadro Clínico

Paciente masculino com 38 anos em consulta de “Check-up”

Eletrocardiograma do paciente

 

Ver diagnóstico abaixo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Interpretação

1 - Ritmo – sinusal;

2 – FC - 70 bpm;

3 – PR - <120 ms;

4 - QRS – 130 ms com empastamento inicial “onda Delta”;

5 - Alterações difusas da repolarização ventricular secundária a pré-excitação ventricular;

6 - Em derivação precordial V1 observa-se onda Delta e QRS +. Nesse caso, estamos diante de uma via póstero-septal (DII,DIII e AVF são negativos);

7 -  Intermitência de condução – alguns complexos não são conduzidos por via anômala.

 

Diagnóstico

     Pré-excitação ventricular/ Wolf-Parkinson-White intermitente

 

Comentário

            Os pesquisadores Wolff-Parkinson-White, em 1930, descreveram a síndrome eletrocardiográfica que é caracterizada por intervalo PR curto, complexos QRS de morfologia anormal e crises de taquicardia paroxística. A incidência dessa síndrome depende da população estudada variando de 0,1-3/1000 pessoas.

            A principal característica eletrocardiográfica do WPW é a pré-excitação ventricular, que torna o intervalo PR curto (< 120 ms), com a ativação dos ventrículos iniciando-se pela porção miocárdica em contato com a via acessória e não passando pelo sistema Hiss-Purkinje, portanto mais lenta, formando uma aberrância no QRS conhecida como Onda Delta. Antes do término da ativação ventricular, o restante das fibras do sistema Hiss-Purkinje são ativadas, tornando portanto a parte final do QRS estreita.

            Geralmente as crises de taquicardias apresentam QRS normal, ritmo regular, frequência cardíaca entre 150 e 250 bpm, início e término súbitos. Um grupo de pacientes considerados de alto risco são os que apresentam período refratário efetivo anterógrado curto, pois nele é maior o risco de condução atrioventricular rápida, podendo a fibrilação/flutter atrial evoluir para fibrilação ventricular. Este grupo de pacientes pode ser identificado pelo estudo eletrofisiológico ou pela determinação aproximada do período refratário da via anômala no teste de esforço.

            As vias acessórias mais comuns, em ordem de freqüência, são: Lateral esquerda, póstero-septal, parede ventricular direita e ântero-septal.

 

Identificação no ECG das vias acessórias

 

Tratamento

            Pacientes com pré-excitação ventricular que apresentam somente alterações eletrocardiográficas, sem taquiarritmias ou história de palpitações, não requerem tratamento ou estudo eletrofisiológico. Entretanto, para pacientes com sintomas a terapia deve ser iniciada.

            Drogas da classe IA e IC podem ser usadas, e promovem aumento da  refratariedade da via acessória. Lembrar que pacientes que apresentam Fibrilação atrial e síndrome de Wolf-Parkinson-White não devem usar medicações que bloqueiam o nodo AV (Bloqueadores de cálcio, Beta-bloqueadores, digitálicos), pois aumentam o risco de fibrilação ventricular.

            A terapia por ablação por radiofrequência tem se tornado o método de escolha para maioria dos pacientes sintomáticos. Apresenta alta taxa de sucesso, poucas complicações e potencialmente custo-efetiva.

 

Bibliografia

1.     Wolff L, Parkinson T, White PD. Bundle branch block with short PR interval in healthy young people prone to paroxysmal tachycardia. Am Heart J.1930;5:685.

2.     Pappone C, Santinelli V, Rosanio S et al. Usefulness of invasive electrophysiologic testing to stratify the risk of arrhythmic events in asymptomatic patients with Wolff-Parkinson-White pattern: results of a large prospective long-term follow-up study. J Am Coll Cardiol 2003; 41: 239-244

3.     Pappone C, Santinelli V, Manguso F, et al. A randomized study of prophylactic catheter abaltion in asymtomatic patiens with Wolff-Parkinson- White syndrome. N Engl J Med 2003: 349: 1803-1810

4.     Wellens HJJ. Catheter ablation for cardiac arrhytmias. N Engl J Med 2004: 351: 1172-1174

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