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Redução de danos com quedas

Autor:

Rodrigo Díaz Olmos

Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo (FMUSP). Diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP. Docente da FMUSP.

Última revisão: 01/12/2008

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Redução de danos com quedas

 

Efeito da disseminação de evidências na redução dos danos com quedas.

Effect of Dissemination of Evidence in Reducing Injuries from Falls. N Engl J Med 2008; 359(3):252-261 [Link para abstract].

 

Fator de impacto da revista (N Engl J Med): 52,589

 

Contexto Clínico

            quedas são condições comuns entre indivíduos idosos, associadas à alta morbidade e custo. As quedas são responsáveis por cerca de 10% das visitas a prontos-socorros e 6% das internações hospitalares entre indivíduos com mais de 65 anos. Além disso, estão associadas a declínio funcional, restrição de atividades e colocação do idoso em casas de repouso. Estratégias efetivas para a prevenção de quedas já foram identificadas, mas são subutilizadas. Assim, este estudo tentou identificar se a disseminação de conhecimentos relacionados a estratégias de prevenção de quedas estava relacionada a uma redução da incidência de quedas.

 

O Estudo

            Para avaliar a possível relação entre disseminação de conhecimento de estratégias preventivas e redução das quedas, os autores utilizaram um desenho de estudo de tipo ecológico não randomizado. Duas regiões de Connecticut foram comparadas quanto às taxas de quedas. Numa região (região de intervenção), os médicos foram expostos a intervenções para mudar a prática clínica e na outra não houve este tipo de exposição (região de cuidados habituais). As intervenções encorajavam os clínicos e outros profissionais envolvidos com cuidados domiciliares, reabilitação e centros de idosos a adotarem avaliações de risco efetivas e estratégias para prevenção de quedas como, por exemplo, redução de medicações e treinamento de equilíbrio e marcha. Os desfechos avaliados foram taxas de lesões graves relacionadas a quedas (fratura de quadril ou outras fraturas, TCE e luxações) e uso de serviços médicos associados a quedas por 1000 pacientes-ano entre indivíduos com 70 anos ou mais. As intervenções ocorreram de 2001 a 2004, e as avaliações foram realizadas entre 2004 e 2006.

 

Resultados

            Antes das intervenções, as taxas ajustadas de lesões graves relacionadas às quedas (por 1000 pessoas-ano) foram 31,2 na área de cuidados habituais e 31,9 na área de intervenção. Durante o período de avaliação, as taxas ajustadas foram 31,4 e 28,6 respectivamente (razão ajustada das taxas = 0,91; Intervalo de Credibilidade Bayesiana [ICB] 95% 0,88-0,94). Entre o período anterior às intervenções e o período de avaliação, a taxa de utilização de serviços médicos relacionada a quedas aumentou de 68,1 para 83,3 por 1000 pessoas-ano na área de cuidados habituais e de 70,7 para 74,2 na área de intervenção (razão ajustada das taxas 0,89; ICB95% 0,86-0,92). A porcentagem de clínicos que receberam as visitas de intervenção variou de 62% (131 de 212 consultórios de atenção primária) a 100% (26 de 26 grupos de cuidados domiciliares). Os autores concluem que a disseminação de evidências/conhecimento sobre a prevenção de quedas, aliada a intervenções para modificar a prática clínica podem reduzir as lesões relacionadas às quedas em indivíduos idosos.

 

Aplicações para a Prática Clínica

            Numa época em que a maior parte dos esforços em relação às lesões graves (particularmente fraturas com morbidade significativa) associadas à quedas está direcionada ao diagnóstico (com utilização de tecnologia cara) e tratamento farmacológico (caro) da osteoporose, este estudo publicado numa revista com grande fator de impacto é muito bem vindo e talvez seja um sinal de mudanças. É um estudo ecológico (vide Dicas de Epidemiologia e Medicina baseada em Evidências) que mostrou que um programa de disseminação de conhecimento e incentivo a modificação das práticas dos médicos resultou numa queda de 9% nas lesões graves associadas a quedas e numa redução de 11% na utilização de serviços médicos devido a lesões graves associadas a quedas. A avaliação do risco de quedas e orientações para minimizar este risco são intervenções de grande importância na prática clínica e devem ser amplamente disseminadas.

 

Dicas de Epidemiologia e Medicina baseada em Evidências

Estudos Ecológicos

            Estudos ecológicos2, também chamados de estudos de risco agregado, são estudos em que a associação entre exposição e desfecho é avaliada em populações e não individualmente, isto é, a exposição é conhecida para grupos de indivíduos (exposição média) e não para cada um dos indivíduos do grupo, as coletividades são classificadas pelo nível geral de exposição em seu ambiente (daí o nome estudo ecológico). Além disso, geralmente os dados sobre exposição e desfechos provem de fontes diferentes. Um dado muito conhecido proveniente de um estudo ecológico é o chamado paradoxo francês – associação de alta ingestão média de vinho com baixa mortalidade cardiovascular. O grande problema em relação aos Estudos ecológicos é a chamada falácia ecológica, em que a associação proveniente de Estudos ecológicos (uma associação observada no nível agregado) pode não ser válida no nível individual. No exemplo acima, embora a França tenha uma ingestão média de vinho maior que a dos outros países europeus e uma mortalidade por doença cardiovascular menor que os outros países, isto não significa necessariamente que beber vinho reduza a mortalidade por doença coronariana no nível individual.

 

Bibliografia

1. Tinetti ME, Baker DI, King M, Gottschalk M,Murphy TE, Acampora D, Carlin BP,  Leo-Summers L, Allore HG. Effect of Dissemination of Evidence in Reducing Injuries from Falls. N Engl J Med 2008; 359(3):252-261.[Link para abstract].

2. Rouquayrol MZ, Almeida Filho N. Epidemiologia e saúde. Medsi, 6a edição, 2003.

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